Mesmo com uma portaria conjunta da Delegacia Geral de Polícia e da Corregedoria, alguns agentes e escrivães, lotados nas cinco regionais de Rio Branco não estão registrando Boletins de Ocorrências durante seus plantões. Além da desobediência administrativa, o fato está trazendo transtornos à população, que tem como opção apenas as Delegacias de Flagrantes (Defla) e da Delegacia da Mulher (Deam).
A ausência da prestação do serviço se agravou após a demissão de trabalhadores terceirizados. “Eles atendiam e era bem rápido”, disse a senhora Maria das Neves Alves da Cruz, referindo-se ao extinto atendimento que era realizado na 1 Regional do bairro Cadeia Velha.
Em seu artigo 6, a portaria traz a seguinte redação: “Em nenhum hipótese as pessoas que procurarem as delegacias deixarão de seres atendidas, devendo os registros de ocorrências serem efetivados por qualquer meio disponível, inclusive no livro de ocorrência”.
O parágrafo único, no entanto, é mais incisivo: “é vedado ao agente público lotado na unidade policial orientar as pessoas a procurarem outra unidade para registrar a ocorrência ou a retornar em outro momento posterior para efetuar o registro”.
Leonardo Félix de Souza, morado do bairro Montanhês, foi assaltado no bairro Jorge Lavocart e procurou a 5ª Regional, que fica no bairro Adalberto Sena. “Os policiais disseram que não atendiam à noite e mandaram eu ir à Defla, que fica lá na Estação Experimental”, disse o homem, lembrando que a delegacia foi alvo de recente atentado. “Isso é um absurdo. A própria polícia está com medo dos bandidos”, ironizou Souza.
O corregedor-geral de polícia, delegado Josemar Portes, disse que a portaria apenas reforça o que já está preconizado na Lei Orgânica da Polícia Civil. “Depois que esse documento foi editado, não temos nenhum caso para investigar. Qualquer cidadão, que não foi atendido, pode nos procurar que tomaremos as devidas providências”, disse ele, lembrando que é possível fazer as ocorrências pela internet, inclusive offline.

