Ferido, mas em combate. Esta seria a imagem do PT (Partido dos Trabalhadores) no Acre a partir da movimentação em torno da sigla no último domingo (8), quando os militantes se mobilizaram para eleger os presidentes municipais nos 22 municípios do Acre, depois da acachapante derrota nas eleições de 2018, quando perdeu o governo, o mandato de senador, três deputados federais e dois estaduais.
Filiados e filiadas da militância petista foram às urnas não só no Acre. Em todo o país tomaram parte no Processo de Eleições Internas (PED) do PT, que também vai indicar os delegados para 7° Congresso do partido. Foram eleitos delegados e os presidentes dos diretórios municipais e zonais, a composição dos diretórios municipais, além de delegações aos Congressos Estaduais e ao Congresso Nacional do PT – Lula Livre.
O processo encerrado neste domingo foi iniciado em julho deste ano. Desde então, debates de chapas, discussão de suas respectivas teses, seminários e muita movimentação nas bases marcaram os primeiros meses deste processo.
A renovação do quadro de dirigentes estaduais em todo o país está previsto para dias 19 e 20 de outubro, no Congresso estadual. Por enquanto, o único candidato a presidente regional é o atual presidente Cesário Braga, que cumpre um mandato tampão e vai buscar a eleição direta. Em nível nacional, cuja eleição vai ocorrer nos dias 22, 23 e 24 de novembro, em São Paulo, a única candidata é a deputada federal e atual presidente Gleisse Hoffman.
“Isso mostra que o PT está vivo”, disse a presidente eleita para o diretório municipal de Rio Branco, a professora Selma Neves, cujos números relacionados ao Partido e ela são impressionantes: 54 anos de idade, 35 anos de militância, 33 anos de filiada. Ela não sabe quantos votos obteve no domingo porque os votos ainda estão em fase de apuração, mas falou com exclusividade ao ContilNet sobre o momento vivido pelo Partido. A seguir, os principais pontos da entrevista:
ContilNet- Qual o significado da movimentação em torno no PT último domingo, para a eleição dos diretórios municipais? Isso mostra que o Partido está vivo?
Selma Neves – Muito vivo. Na movimentação de domingo, o que ocorreu foram eleições, em todo o país, em que o PT lançou candidatos a seus diretórios. Foram eleições para presidente e para os diretórios, em chapas diferentes. Também elegemos toda a delegação para o congresso estadual e para o congresso nacional, em outubro e novembro, respectivamente. A expectativa, com esta minha eleição, é primeiro fortalecer internamente o PT, para deixar a militância ativa, feliz, participativa para os embates que virão, especialmente em relação às eleições do ano que vem.
ContilNet- À frente do PT municipal, quais serão suas bandeiras de lutas?
Selma Neves – O que vivemos no último domingo foi um marco para este novo momento em que vive o PT. Todos sabem o que aconteceu após às eleições de 2018 e que há uma onda, um movimento contra o PT em todo país, principalmente no Acre, mas, mesmo assim, nós continuamos sendo o maior Partido do Brasil e também o maior Partido no Acre – e se não estou enganada, o segundo maior Partido do mundo (o primeiro seria o Partido Comunista da China). Tem saído muita gente do PT, mas tem entrado também muita gente. Isso nos permite dizer que há um movimento forte, de renovação partidária. Esta movimentação de eleições serviu também para dar um gás e para que a militância possa se fortalecer e se sentir viva e atuante, o que é o nosso foco enquanto presidente. Na defesa do nosso principal legado. Esta será nossa bandeira.
ContilNet- O PT vai continuar com a bandeira do Lula livre? O partido continua afirmando que o ex-presidente é inocente?
Selma Neves – Quanto ao Lula, todos nós, petistas, temos consciência de que o ex-presidente é um preso político. E sendo um preso político nós vamos lutar, com todas as nossas forças, para que possamos tê-lo do nosso lado e para que possamos contar com ele para 2020. Nós entendemos isso porque o Lula é uma ameaça para as elites. Com o Lua solto, ele poderia ser hoje o presidente do Brasil, de novo. As grandes elites não iriam permitir isso. Por isso, foi que fizeram toda uma articulação para tirar o Lula da disputa em 2018.
ContilNet- Qual será a atuação petista agora no plano nacional em torno de Lula? Vai intensificar a movimentação em torno de sua libertação?
Selma Neves – Sim. Nós entendemos que é preciso trazermos o Lula de volta ao cenário eleitoral. O Lula é uma ameaça não só para as elites brasileiras. É uma ameaça para a elite internacional, porque ele representa a unidade da América Latina e o fortalecimento das esquerdas no continente e por isso ele é tão caro para todos nós. Vamos intensificar a campanha do “Lula Livre”!
