O amor não acaba com a morte”, diz líder religioso sobre a importância do Dia de Finados

Por Marina, ContilNet 02/11/2017 às 10:25

Conviver com a perda dos entes queridos é uma batalha diária, e o esforço de todo um ano é lembrado especialmente no dia 2 de novembro, quando ocorre em diversos pontos do ocidente o Dia de Finados, data escolhida para rememorar aqueles que já se foram e refletir sobre nossa própria mortalidade em uma prática de quase dois mil anos.

ORIGEM HISTÓRICA
A tradição tem origem nas ruínas do Império Romano, quando, no século II, alguns cristãos realizavam orações pelos falecidos e visitavam o túmulo de mártires. O principal responsável pela criação da data foi Odilo (ou Odilon) de Cluny (962 – 1049), quinto abade da Abadia Beneditina de Cluny, onde permaneceu por 54 anos. A estrutura, localizada em Borgonha (França), foi responsável por importantes reformas no clero da Baixa Idade Média.

Em 998, Odilo instituiu aos membros de sua abadia e a todos aqueles que seguiam a Ordem Beneditina a obrigatoriedade de se rezar pelos mortos. O ato de orar pelos falecidos se tornou uma tradição cada vez mais popular, e no século XIII, a celebração foi marcada para o dia 2 de novembro, dia seguinte ao Dia de Todos os Santos. A data também se popularizou em todo o mundo cristão medieval como o Dia de Finados, dentro e fora do meio clerical.

Em vários pontos do mundo se comemora do Dia de Finados, ou Dia dos Mortos, sendo que cada país possui uma forma de comemorar. Uma das festas mais famosas acontece no México, onde existe um feriado de três dias (31 de outubro a 2 de novembro) para fazer as comemorações e orações.

Em vários pontos do mundo se comemora do Dia de Finados, ou Dia dos Mortos. Imagem: Reprodução

DIFERENTES VISÕES
Dentro da tradição católica, segundo explicou o padre Jairo Coelho à equipe da ContilNet, no Dia de Finados não se “celebra” a morte: comemora-se a vida eterna. “O feriado é o dia de comemorar a vida, de lembrar daqueles que já contemplam a face de Deus. Agradecemos a Deus pelo dom da vida, renovamos nossa esperança na ressurreição daqueles que nos antecederam”, explicou.

Jairo também destacou que o ato de se deslocar até o cemitério representa movimento, representa motivação: “Se trata de fazer as orações com afeto para renovar com coragem nossa fé na vida eterna. A Igreja convida, neste dia, ao pensamento e à lembrança daqueles que já concluíram seu caminho aqui na Terra, entrando em comunhão também com os santos. Acreditamos que o amor não acaba com a morte”.

Já o pastor Edeniuson Morais detalhou que a data possui um impacto menor para os fiéis da fé evangélica: “Entendemos que a vida continua, que Jesus foi a primeira pessoa que morreu e ressuscitou, e que muitos assim seguirão. Mas não celebramos nada dos mortos pois, aqui na Terra, a vida foi feita para os vivos. Não oramos para os mortos, mas é claro que lembramos e lamentamos a perda. Saber que um dia nos reencontraremos não ameniza em 100% as dores da saudade”.

Socorro Oliveira, integrante do Centro Espírita Erato Marcelino, disse que membros da doutrina espírita estarão em diversos cemitérios da Capital entregando mensagens consoladoras para quem for visitar os locais de descanso dos entes queridos e realizar orações.

“Na doutrina, acreditamos que somos espíritos imortais, então a morte é apenas uma mudança de vibração (ou estado vibracional). A data em si não possui a mesma importância para os integrantes da religião cristã, mas o sentimento de saudade é aflorado nesse dia, independente da crença das pessoas”, disse Socorro

Conteúdo Original / Fonte: ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET

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