Na política, poucas coisas são tão reveladoras quanto observar quem muda de lado antes mesmo de a campanha começar oficialmente. E a prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes, acaba de dar um dos movimentos mais emblemáticos da pré-eleição de 2026 no Acre.
Depois de duas eleições vestindo a camisa do Progressistas, Rosana decidiu trocar de rota. Filiou-se ao Republicanos, partido do senador Alan Rick, e, com isso, encerrou um ciclo político construído ao lado do grupo de Gladson Camelí e da governadora Mailza Assis.
A mudança chama atenção justamente pela trajetória. Na primeira vitória para a Prefeitura, Rosana foi uma aposta do grupo comandado por Gladson e Mailza. Era uma candidatura que carregava o peso político dos dois e que encontrou respaldo na força eleitoral do Progressistas. Na reeleição, o cenário foi diferente. Questões familiares afastaram Mailza da campanha, mas Gladson permaneceu ao lado da prefeita e foi seu principal fiador político.

Mailza durante a primeira campanha de Rosana/Foto: Reprodução

Primeira campanha de Rosana/Foto: Reprodução
Agora, nem isso restou.
Rosana não apenas deixou o partido. Escolheu estar no campo adversário.
O novo endereço político vai muito além da filiação ao Republicanos. A prefeita estará no palanque de Alan Rick para o governo, declarou apoio à candidatura de Sérgio Petecão ao Senado — inclusive participou do lançamento da pré-candidatura do senador e fez elogios públicos a ele — e também caminhará ao lado de Márcio Bittar na disputa pela outra vaga ao Senado, deixando Gladson de lado.
É uma mudança completa de bloco.
Para Alan Rick, o movimento tem valor estratégico. Senador Guiomard é um dos principais colégios eleitorais do interior e contar com a máquina municipal ao seu lado amplia sua presença justamente em uma região onde Gladson sempre teve forte influência política.
Mas, se a troca de lado fortalece Alan, também aumenta a pressão sobre Rosana.
A prefeita não entra nessa eleição apenas para apoiar aliados. Tem um projeto pessoal em jogo: transformar o filho, Eduardo Gomes, em deputado estadual. É uma aposta alta. Eduardo nunca disputou uma eleição e dependerá, inevitavelmente, da capacidade de transferência de votos da mãe.
É justamente aí que mora o principal desafio. Como ocorre com boa parte dos prefeitos no fim da gestão, a cobrança aumentou, as críticas se intensificaram e a aprovação já não parece ser a mesma dos primeiros anos de mandato.
Eleger um filho estreante nesse ambiente exige muito mais do que uma boa articulação partidária.
Por isso, talvez a principal batalha da prefeita não seja convencer o eleitor de que Eduardo merece uma vaga na Assembleia Legislativa. Antes, será preciso convencer o próprio eleitor de que sua gestão ainda merece crédito suficiente para transferir votos.
Na política, trocar de aliados pode ser um cálculo estratégico. Mas nenhuma mudança de palanque substitui aquilo que, no fim das contas, pesa mais nas urnas: a avaliação que o eleitor faz de quem já está no poder.

