imigrante
Estive na festinha do primeiro aniversário da pequena Ruth Mikauly Louissaint. Na semana passada, ao ingressar em território brasileiro, a criança foi separada da mãe, a imigrante haitiana Michelove Senatus, 24, porque não portava documento que pudesse comprovar que é mãe da criança.
Mãe e filha terão que permanecer mais dias na Chácara Aliança, em Rio Branco, que funciona como abrigo de imigrantes mantido pelos governos federal e estadual para caribenhos e africanos que buscam melhores condições de vida no Brasil.
Michelove está na 36ª semana de gravidez. Ela só poderá viajar após o nascimento do novo brasileiro, que pode nascer a qualquer hora e que será chamado de Fritzly Michel Louissaint.
Uma cunhada de Michelove já saiu da República Dominicana com destino ao Brasil. Traz Huygen, de três anos e sete meses, e Emmanuel, de dois anos, irmãos de Ruth. Ela deverá chegar ao Acre dentro de uma semana e seguirá viagem para São Paulo com as três crianças, enquanto Michelove e Fritzly ficarão aguardando autorização médica para fazer o mesmo.
Detalhe da foto: à esquerda, as irmãs Zuleika e Jachira Vilbrum, que também foram apartadas de parentes e entregues pela Polícia Federal ao Conselho Tutelar. Ambas estavam na Instituição de Acolhimento Regional do Alto Acre, em Epitaciolândia (AC), destinada a crianças e adolescentes, para onde Ruth fora encaminhada. As três crianças vieram para Rio Branco juntas, após autorização judicial.
Zuleika e Jachira são apátridas. Os pais nasceram no Haiti e foram morar na República Dominicana, onde os filhos de haitianos não são reconhecidos como dominicanos. São elas que ajudam Michelove a cuidar de Ruth no abrigo.
Essas estão entre as histórias menos dramáticas que se vê no fluxo constante e crescente de imigrantes que passam pelo Acre, vítimas da exploração de coiotes, funcionários e policiais corruptos no Haiti, República Dominicana, Panamá, Equador e Peru.
Apesar da precariedade do abrigo superlotado, no Acre é onde os imigrantes são melhor tratados.
Para ajudar Michelove e seu bebê, contato com três servidores do governo estadual que trabalham na gestão do abrigo de imigrantes: Cesar 68 9213-9518, Crispim 68 9999-8191 e Lucinei 68 9957-0181.