A ex-deputada federal e ex-diretora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Perpétua Almeida, rebateu críticas feitas pelo senador Márcio Bittar e pelo ex-prefeito Tião Bocalom sobre a atuação da esquerda na cadeia produtiva do café no Acre. Durante participação no podcast Em Cena, do ContilNet, nesta segunda-feira (22), ela classificou como “ultrapassada” a visão de que desenvolvimento econômico depende do avanço do desmatamento.
A declaração ocorreu após ser questionada sobre críticas recorrentes de lideranças da direita acreana, que afirmam que setores da esquerda passaram a defender o café e a industrialização apenas recentemente.
Perpétua respondeu dizendo que a produção de café sempre existiu no Brasil e questionou por que governos anteriores, ligados aos grupos políticos dos adversários, não implantaram indústrias para fortalecer a atividade.
“Eu, em três anos na ABDI, trouxe quatro indústrias de café para o Acre. A oportunidade que eu tive, eu mostrei que é possível cuidar da floresta, desenvolver a produção, industrializar e levar mais dignidade para quem mora no interior”, afirmou.
A ex-parlamentar também criticou discursos que, segundo ela, associam desenvolvimento apenas à abertura de novas áreas.
“Esse discurso de que desenvolver é só acabar com a floresta e desmatar está ultrapassado”, declarou.
Durante a entrevista, Perpétua defendeu que a produção agrícola e a preservação ambiental podem caminhar juntas. Ela citou investimentos destinados ao setor rural ao longo de sua trajetória política, como emendas parlamentares para aquisição de equipamentos e implantação de pequenas indústrias.
Ao mencionar os governos da Frente Popular, a ex-deputada afirmou que cada gestão teve prioridades distintas e contribuiu de maneiras diferentes para o desenvolvimento do estado.
“Se cada um fizer um pouco, não precisa ficar nessa disputa sobre quem fez isso ou aquilo”, disse.
Perpétua também argumentou que os projetos ligados ao café desenvolvidos nos últimos anos priorizaram o uso de áreas já abertas, sem necessidade de novos desmatamentos.




