Pesquisa aponta que um em cada dez estudantes sofre bullying nas escolas

Por Marina, ContilNet 22/04/2017 às 16:05

Divulgados esta semana, os resultados da pesquisa do terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) apontam para números significativos: um em cada dez estudantes no Brasil é vítima frequente de bullying.

As avaliações, realizadas em 2015, foram aplicadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para esta pesquisa, participaram 540 mil estudantes de 15 anos de idade que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos em 72 países (incluindo o Brasil).

No Brasil, 17,5% dos alunos afirmou sofrer bullying (físico ou psicológico, ou uma combinação dos dois) “algumas vezes por mês”, enquanto 7,8% afirma que são excluídos pelos colegas; 9,3%, ser alvo de piadas; 4,1%, serem ameaçados; 3,2%, empurrados e agredidos fisicamente. Outros 5,3% disseram que os colegas frequentemente pegam e destroem as coisas deles e 7,9% são alvo de rumores maldosos.

A reportagem foi até a escola estadual Armando Nogueira verificar a situação /Foto: ContilNet

Mesmo com estas informações, o Brasil aparece em 43º lugar (dentro de uma lista com 53 países com os dados sobre o assunto disponíveis). Nos países da OCDE, 18,7% dos estudantes relataram ser vítimas de algum tipo de bullying mais de uma vez por mês e 8,9% foram classificados como vítimas frequentes.

Respeito na escola

Para a equipe escolar do Colégio Estadual de Ensino Médio Armando Nogueira (Cean), a prática de bullying é inadmissível. Estimulando o espírito de convivência pacífica e sempre atentos aos alunos, os educadores da escola prezam por palestras e eventos que celebrem as diferenças, debatendo sobre questões raciais, machismo, religião e diversidade sexual.

Elias e Vicente contaram um pouco sobre como acontece o bullying nas escolas /Foto: ContilNet

Socorro Onofre, coordenadora pedagógica geral do Cean, explica que as campanhas da instituição, agora de ensino integral para 500 alunos, geram um impacto positivo na formação dos jovens: “Não existem ameaças a professores e nem grandes conflitos entre nossos alunos, e isso é um reflexo da política que temos aqui na escola, que incentiva a sempre respeitar os sentimentos, ter empatia dentro e fora da escola com as diferenças”.

Entre os estudantes, também segue a mesma linha de pensamento: quando as brincadeiras passam a ofender e constranger, existe um caso de bullying. Elias dos Anjos, de 17 anos, aluno do 3º ano, explica que, dentro de uma sala de aula, sempre vai existir contexto para o humor. A diferença está nas atitudes e no contexto: “Entre os grupos de amigos e na sala de aula, piadas e apelidos são inevitáveis. Mas o que torna essas atitudes nocivas são quando agridem os colegas, quando eles sentem-se incomodados ou constrangidos”.

Vicente Matheus Teixeira, estudante do 2º ano, já enfrentou situações nas quais o preconceito contra homossexuais o constrangeu em público, mas relatou que, ao aceitar quem realmente é, ninguém pode diminuí-lo: “Já enfrentei muito preconceito por ser homossexual, mas aqui nunca sofri nenhum tipo de discriminação ou problema relacionado à minha sexualidade. Mas fora da escola existem pessoas que tentam nos desmotivar por sermos simplesmente nós mesmos”.

Dessa forma, para o aluno Murilo Barbosa, que frequenta o 1º ano no Cean, a questão sempre resume-se na empatia, ou seja, na capacidade de colocar-se no lugar do outro para tentar entender as emoções que certas atitudes causam. “Existem pessoas que não se importam com os sentimentos alheios, que não percebem como certas atitudes impactam a vida das pessoas mais sensíveis”, disse Murilo.

Conteúdo Original / Fonte: ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTLNET

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