Polícia deflagra operação contra grupo suspeito de lavar R$ 8,3 milhões

Ação da Polícia Civil cumpre 27 mandados judiciais e investiga esquema financeiro planejado por ex-gerente

Por Fhagner Soares, ContilNet 10/07/2026 às 06:19
Auditoria em contas de empresa de saúde revela pagamento sistemático de 46 cobranças falsas/ Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (10), uma operação interestadual voltada a desarticular uma estrutura financeira suspeita de lavar mais de R$ 8,3 milhões. O montante, de acordo com o setor de inteligência da corporação, foi subtraído ilegalmente de uma empresa de insumos médicos sediada em Curitiba. As diligências de hoje constituem um desdobramento direto da investigação do sequestro do proprietário da companhia, crime ocorrido em setembro de 2024.

Para cumprir as ordens judiciais, equipes policiais foram mobilizadas para a execução de 27 mandados, que englobam ordens de busca e apreensão e medidas de sequestro de bens imóveis, veículos e bloqueio de ativos bancários. A ofensiva ocorre simultaneamente nos municípios paranaenses de Curitiba, São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré, além da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

O caso começou a ser desvendado a partir da apuração do crime de restrição de liberdade sofrido pelo proprietário da empresa. Na ocasião, o empresário foi mantido em cativeiro com o objetivo de ser extorquido em um valor que superava a cifra de R$ 3 milhões. Até o momento, sete pessoas foram identificadas e presas por envolvimento direto na execução e logística do sequestro.

Com a progressão das técnicas investigativas, a Polícia Civil descobriu que o planejamento da extorsão e do sequestro partiu de dentro da própria estrutura administrativa da empresa. A mentora intelectual foi identificada como uma ex-gerente administrativa que detinha o controle absoluto do setor de finanças e ordens de pagamento da instituição. Ela foi detida por força de mandado de prisão em abril deste ano, no município de São José dos Pinhais. O avanço das buscas inseriu outra ex-funcionária, além de familiares e pessoas do círculo íntimo da ex-gerente, no rol de investigados.

A investigação contábil apontou que, paralelamente à extorsão, o grupo operava um sofisticado mecanismo de desvio contínuo de receitas da firma de produtos médicos. Os suspeitos criaram uma rede de empresas de fachada com CNPJs constituídos especificamente para a simulação de transações comerciais inexistentes.

A fraude consistia na emissão e no agendamento de cobranças fraudulentas em nome dessas empresas fantasmas. Ao todo, a auditoria policial mapeou o pagamento de 46 boletos falsificados entre os meses de janeiro e setembro de 2024. O esquema gerou o rombo consolidado de R$ 8,3 milhões nas contas da vítima.

“As investigadas se aproveitaram da função de confiança que exerciam no controle das ordens bancárias para autorizar as transferências fraudulentas e, em seguida, distribuíram os valores entre diversas pessoas para pulverizar o capital e dificultar o rastreamento do dinheiro”, explicou o delegado Emmanoel David, responsável pela condução do inquérito.

A Polícia Civil do Paraná informou que a operação segue em andamento e os materiais apreendidos nesta sexta-feira serão analisados para identificar novos integrantes da rede de lavagem de dinheiro e localizar o paradeiro dos ativos desviados.

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