O Povo Yawanawá e a Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY) divulgaram uma Nota Pública de Repúdio e Solidariedade após a denúncia de um suposto abuso sexual envolvendo uma visitante durante o Festival Mariri, realizado na Aldeia do Rio Gregório, em território Yawanawá.
Na manifestação, as entidades afirmam que repudiam de forma “profunda e veemente” o episódio e classificam o caso como uma atitude isolada. O posicionamento também busca esclarecer que o homem apontado como suspeito não fazia parte da organização do evento.
LEIA TAMBÉM: Turista denuncia abuso sexual em festival indígena no Acre e diz que foi coagida
Segundo a ASCY, o autor do fato não integra a comissão organizadora, a equipe do festival ou a Aldeia Yawarani. A entidade afirma que a presença dele no local ocorreu exclusivamente na condição de visitante de outra aldeia.
O Povo Yawanawá também destacou que a responsabilidade por qualquer ato de violência deve ser atribuída individualmente a quem o pratica, sem que o episódio seja associado coletivamente à cultura do povo.
“A responsabilidade por qualquer ato de violência é individual e jamais deve ser atribuída coletivamente à nossa cultura”, diz a nota.
A entidade também reforçou que a violência contra mulheres não é aceita dentro do território Yawanawá.
“A violência contra a mulher não faz parte da cultura Yawanawá e jamais será tolerada em nosso território”, afirma o comunicado.
Além do repúdio, o Povo Yawanawá e a ASCY manifestaram solidariedade à mulher que denunciou o caso e afirmaram que estão à disposição para colaborar com as autoridades.
“Expressamos nossa total solidariedade à vítima e informamos que a ASCY está à disposição para colaborar com todas as medidas legais, administrativas e cabíveis para que os fatos sejam rigorosamente apurados e os responsáveis punidos”, afirma a manifestação.
As entidades também ressaltaram que estão dispostas a contribuir para o esclarecimento dos fatos e reforçaram a importância da transparência na divulgação das informações relacionadas ao episódio. O documento foi assinado por Tashka Yawanawa e Laura Yawanawa.
A manifestação ocorre após a turista gaúcha Jordana Gonçalves Galho, de 31 anos, procurar a Polícia Civil do Acre para denunciar um suposto abuso sexual durante sua participação no Festival Mariri. Segundo o relato apresentado às autoridades, o episódio teria ocorrido na madrugada de 31 de agosto, enquanto ela dormia em uma barraca acompanhada da filha, de 9 anos.
Jordana afirmou que acordou ao perceber um homem tocando seu corpo e relatou ter sido tocada nas partes íntimas. Segundo o depoimento, não teria ocorrido penetração.
A turista também contou que o suspeito teria fugido depois que ela percebeu o que estava acontecendo, deixando um celular dentro da barraca. Ele teria retornado pouco depois para buscar o aparelho, momento em que Jordana começou a gritar e pedir que ele se afastasse.
Ainda segundo o relato, pessoas responsáveis pela segurança do festival teriam contido o homem inicialmente, mas ele teria sido liberado posteriormente. Jordana afirmou não saber precisar se essas pessoas eram policiais ou integrantes da segurança privada.
O caso foi registrado oficialmente em 2 de setembro, na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e de Proteção à Criança e ao Adolescente, em Cruzeiro do Sul.
A turista também relatou ter enfrentado dificuldades para obter informações sobre o suspeito e afirmou ter se sentido pressionada a não registrar a ocorrência. As alegações fazem parte da versão apresentada por Jordana e ainda deverão ser apuradas pelas autoridades.
Com a nota, o Povo Yawanawá e a ASCY afirmam que pretendem colaborar com a investigação para que os fatos sejam esclarecidos e eventuais responsáveis sejam responsabilizados.


