Os profissionais da enfermagem protestaram em todo o país na manhã desta sexta-feira (09) contra a decisão suspensiva do Ministro Luis Roberto Barroso, dada de surpresa no último domingo (04), inviabilizando temporariamente a aplicaçãodo piso, já garantido por lei à categoria.
Barroso cedeu às exigências dos sindicatos patronais avaliando que o reajuste inédito na categoria poderia gerar problemas financeiros nos estados, além de haver risco de fechamento de leitos por falta de pessoal.
Ainda que a lei fosse aprovada com garantias de que há recursos suficientes para a aplicação imediata, as fontes de custeio não foram identificadas, o que gerou a possibilidade dos hospitais particulares, principalmente, pudessem pressionar o STF. (Veja mais detalhes no link.
No Acre, a principal concentração ocorreu na capital, em frente ao Palácio Rio Branco, sendo que as manifestações se estenderam por Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Brasiléia e Xapuri durante toda a manhã.
Organizadas pelo Conselho Regional de Enfermagem do Estado do Acre (COREN AC), pelo Sindicato dos Enfermeiros do Estado do Acre (SEEAC) e pelo Sindicato dos Profissionais de Enfermagem do Acre (SINTES AC) as manifestações ocorrem em repúdio à decisão de Barroso, considerada arbitrária, abusiva e sem fundamento legal, segundo a categoria.
De acordo com o vereador Adailton Cruz (PSB), ex-presidente do SINTES AC, agora candidato a Deputado Federal e uma das principais lideranças no Estado, a enfermagem brasileira não aceita mais um golpe e mais um abuso sobre a profissão mais exposta e também mais exigida no país, com 2 milhões e meio de profissionais, respondendo por pelo menos 70 por cento dos procedimentos de saúde no Brasil”, avalia. “Quando pararmos, o Brasil verá que não tem mais saúde´, conclui.
A manifestação em Rio Branco contou com o apoio de vários parlamentares, sendo que o próprio Presidente Jair Bolsonaro se manifestou nas redes de modo contrário à decisão de Barroso, sem perder a oportunidade de criticar opositores: “a questão do piso da enfermagem foi aprovada por unanimidade na Câmara e no Senado e nós a sancionamos aqui. Uma pessoa, que foi escolhida por Dilma Roussef para ser Ministro do Supremo, contraria a unanimidade de 594 parlamentares e do Presidente por um capricho pessoal dele, não tem nada de inconstitucional nisso aí”.
O Acre possui mais de dez mil profissionais entre enfermeiros, técnicos e auxiliares que estão se preparando para uma greve geral em todo território nacional, a partir da próxima semana.
