Uma pesquisa realizada em Rio Branco revelou que milhares de trabalhadores enfrentaram situações de constrangimento no ambiente profissional nos últimos 12 meses, mas quase nenhum deles procurou ajuda das autoridades.
De acordo com os dados, 2,5% dos moradores da capital com mais de 16 anos relataram ter sido vítimas de constrangimento praticado por superiores hierárquicos. O percentual representa uma estimativa de 6.849 pessoas atingidas por esse tipo de situação.
O levantamento mostra que a maioria das vítimas preferiu permanecer em silêncio. Apenas 5% dos entrevistados que passaram por esse problema registraram boletim de ocorrência em uma delegacia. Em contrapartida, 95% não formalizaram denúncia, o que corresponde a cerca de 6.507 moradores.
Segundo a pesquisa, o receio de sofrer represálias no trabalho e a sensação de que o caso não seria tratado com a devida importância estão entre os fatores que ajudam a explicar o baixo número de registros.

As mulheres aparecem como as principais vítimas desse tipo de ocorrência. Os dados também indicam maior incidência entre pessoas com idade entre 40 e 59 anos, além de trabalhadores com maior nível de escolaridade e renda familiar mais elevada.
Os pesquisadores observaram ainda que os casos de constrangimento de cunho sexual tendem a ser mais frequentes em ocupações que exigem maior qualificação profissional, o que pode explicar a maior presença de vítimas entre pessoas com formação mais avançada.
O estudo faz parte da Pesquisa de Vitimização de Rio Branco, desenvolvida para analisar como a violência afeta a população e compreender a percepção dos moradores sobre segurança pública. A iniciativa foi contratada pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e executada pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), com apoio da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino e Pesquisa Universitária no Acre.
Ao todo, 800 moradores das dez regionais da capital foram entrevistados entre os dias 24 de fevereiro e 6 de abril deste ano. A pesquisa possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


