Quase 90% das vítimas de golpes na internet em Rio Branco não denunciam

Apesar do grande número de casos, a maioria das vítimas não procurou a polícia

Por Suene Almeida, ContilNet 18/06/2026 às 15:33
Mais de 39 mil moradores já caíram em golpes na internet em RB | Foto: Reprodução

Os crimes virtuais estão cada vez mais presentes na rotina dos moradores de Rio Branco. Uma pesquisa realizada na capital acreana revelou que mais de 39 mil pessoas com mais de 16 anos foram vítimas de fraudes pela internet nos últimos 12 meses.

Os números fazem parte da Pesquisa de Vitimização de Rio Branco, realizada para entender os impactos da violência e da criminalidade na capital. O estudo ouviu 800 moradores das dez regionais da cidade entre fevereiro e abril deste ano.

Segundo o levantamento, 14,3% da população adulta da cidade relatou ter sofrido algum tipo de golpe online. Os dados mostram ainda que os criminosos também utilizam outros meios para enganar as vítimas. Cerca de 11,9% dos entrevistados disseram ter sido alvo de golpes por telefone celular, enquanto 8,3% afirmaram ter sofrido fraude envolvendo cartão de crédito.

O estudo aponta que muitos moradores foram vítimas de mais de um tipo de golpe. Aproximadamente um terço das pessoas que sofreram fraude pela internet também enfrentou outras modalidades de crimes digitais.

Apesar do grande número de casos, a maioria das vítimas não procurou a polícia. Apenas 10,5% dos entrevistados que sofreram golpes online registraram boletim de ocorrência. Isso significa que quase nove em cada dez vítimas não comunicaram o crime às autoridades. A estimativa é que mais de 35 mil moradores tenham sido enganados pela internet sem fazer qualquer registro policial.

Os pesquisadores destacam que os golpistas têm utilizado ferramentas cada vez mais sofisticadas, incluindo técnicas de manipulação psicológica e recursos de inteligência artificial, que ajudam a tornar as fraudes mais convincentes e difíceis de identificar.

Outro dado que chamou atenção foi o perfil das vítimas. A incidência de fraudes online foi maior entre pessoas com níveis mais elevados de escolaridade e renda familiar. Segundo a pesquisa, quanto maior a renda e o grau de instrução, maior foi o percentual de moradores que relataram ter sofrido esse tipo de crime.

A pesquisa foi coordenada pelo professor Ermício Sena, da Universidade Federal do Acre (Ufac), e desenvolvida pelo grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Grupo de Pesquisa em Violência e Conflitualidades. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais e o nível de confiança dos resultados é de 95%.

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