Reconstrução da BR-364: governo usará técnica para enfrentar problemas históricos

Plano foi apresentado pelo ministro George Santoro durante agenda no Acre e prevê a reconstrução da principal rodovia do estado

Por Matheus Mello, ContilNet 21/06/2026 às 17:30
BR-364 está sendo recuperada/Foto: ContilNet

A reconstrução da BR-364 no Acre será feita com uma solução de engenharia desenvolvida para enfrentar um dos principais problemas históricos da rodovia: a fragilidade do solo amazônico. O plano foi apresentado nesta semana pelo ministro George Santoro, durante agenda no estado, quando ele detalhou as etapas da obra considerada estratégica para a integração do Acre.

Santoro esteve em Rio Branco e também acompanhou agendas relacionadas à situação da ponte sobre o rio Caeté, em Sena Madureira. Durante reunião com a governadora Mailza Assis, o ministro colocou engenheiros do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e equipes técnicas do governo federal à disposição do Estado.

A apresentação sobre a BR-364 foi um dos principais temas da visita. Segundo o ministro, a proposta é executar uma reconstrução estrutural da estrada, e não apenas serviços paliativos de manutenção.

Reconstrução da BR-364: governo usará técnica para enfrentar problemas históricos

Ministro durante agenda no Acre/Foto: Juan Diaz/ContilNet

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Com aproximadamente 753 quilômetros em território acreano, a BR-364 é a única ligação terrestre entre as regiões do Vale do Acre, Purus, Tarauacá-Envira e Juruá com Rio Branco e o restante do país. Mais de 300 mil pessoas dependem diretamente da rodovia para o deslocamento, abastecimento e acesso a serviços públicos.

Problema está abaixo do asfalto

De acordo com os estudos técnicos do DNIT, a deterioração constante da BR-364 não ocorre apenas por causa do desgaste da camada asfáltica. O principal desafio está no solo sobre o qual a estrada foi construída.

Grande parte da rodovia está assentada sobre a chamada tabatinga, um solo argiloso extremamente sensível à água e às variações entre os períodos de chuva e estiagem. Esse comportamento provoca deformações, erosões e o surgimento frequente de buracos.

Por isso, segundo o governo federal, apenas operações de tapa-buracos não conseguem resolver o problema de forma definitiva.

Macadame hidráulico será a base da reconstrução

A tecnologia escolhida pelo DNIT é o macadame hidráulico, sistema que utiliza camadas de pedras britadas compactadas com auxílio da água para formar uma base mais resistente e com maior capacidade de drenagem.

O processo será dividido em quatro etapas: aplicação das pedras britadas, acomodação do material com água, compactação técnica e formação da estrutura que receberá o asfalto.

Segundo o governo federal, a técnica apresenta maior resistência à umidade, distribui melhor o peso dos veículos e exige menos intervenções de manutenção, características consideradas adequadas para as condições da Amazônia.

A solução já foi empregada em trechos da própria BR-364 desde 2015.

O projeto prevê uma recuperação estrutural completa da rodovia. Entre as intervenções previstas estão:

  • elevação do greide para reduzir riscos de alagamentos;
  • melhorias no sistema de drenagem;
  • reforço das pontes;
  • implantação de dispositivos de segurança;
  • aumento da durabilidade do pavimento.

A proposta é adaptar a rodovia às características climáticas e geológicas do Acre, reduzindo os danos provocados pelo período chuvoso.

Impactos esperados

A expectativa do governo é garantir viagens mais seguras, reduzir o tempo de deslocamento e diminuir os custos com manutenção dos veículos.

Para as comunidades localizadas ao longo da rodovia, a reconstrução deverá assegurar acesso mesmo durante o inverno amazônico, além de facilitar o transporte escolar, o deslocamento de pacientes e o abastecimento das cidades.

Considerada uma das principais vias de integração da Região Norte, a BR-364 foi inaugurada na década de 1960 e se tornou o principal corredor logístico do Acre. A nova etapa anunciada pelo governo federal busca enfrentar um problema que se repete há décadas e que afeta diretamente a mobilidade e a economia do estado.

Conteúdo Original / Fonte: Matheus Mello, ContilNet

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