O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) deu início à formação de 12 brigadas comunitárias para prevenção e combate aos incêndios florestais na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre. A iniciativa faz parte do projeto Esperançar Chico Mendes, que pretende fortalecer a governança territorial e ampliar a proteção da biodiversidade amazônica por meio do protagonismo das comunidades tradicionais.
Ao todo, 120 moradores da Resex serão capacitados em oficinas de formação, distribuídos entre os municípios de Xapuri, Brasiléia, Rio Branco, Assis Brasil e Epitaciolândia. A proposta também busca integrar as agendas socioambiental e cultural, valorizando os modos de vida tradicionais e promovendo a conservação da floresta aliada ao uso sustentável dos recursos naturais.
As oficinas contarão com participantes já inscritos, priorizando a participação de jovens e mulheres. Uma das 12 brigadas será formada exclusivamente por mulheres, reforçando o papel feminino na gestão e na defesa dos territórios tradicionais.
Além da capacitação, os brigadistas receberão auxílio financeiro para custear despesas com deslocamento e permanência durante os cinco dias de treinamento. O projeto também fornecerá Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e toda a estrutura necessária para que as brigadas possam atuar na prevenção e no combate aos incêndios florestais.
Segundo a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Sustentável do MMA, Edel Moraes, a iniciativa representa um investimento de R$ 980.131, destinado a fortalecer a resposta ambiental diretamente nas comunidades.
“Levar essa estrutura para os moradores da Resex Chico Mendes significa descentralizar a resposta aos incêndios, permitindo que as ações preventivas e de combate sejam muito mais rápidas e eficientes, já que a comunidade vive o território no dia a dia. É importante destacar que essa iniciativa soma forças à atuação do ICMBio, que continua exercendo seu papel estratégico de forma coordenada e complementar”, afirmou.
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Para a coordenadora nacional do Projeto Esperançar, Fádia Rebouças, a criação das brigadas também fortalece a identidade cultural das populações tradicionais.
“A formação das brigadas comunitárias contribui com o processo de valorização da cultura tradicional seringueira para a proteção do território. Durante o processo formativo, as pessoas poderão compreender ainda mais a relevância do seu papel, ontem, hoje e no futuro, na proteção da natureza e na mitigação das mudanças climáticas”, destacou.
As capacitações serão baseadas na legislação do Manejo Integrado do Fogo (MIF), estratégia que alia conhecimento científico aos saberes tradicionais sobre o uso do fogo.
Diferentemente da antiga política de combate absoluto às queimadas, o MIF reconhece que o fogo pode ser utilizado de forma controlada para reduzir o acúmulo de material combustível e evitar incêndios de grandes proporções durante os períodos de estiagem.
O treinamento será voltado para o intercâmbio de conhecimentos entre especialistas e moradores da reserva, valorizando práticas ancestrais já utilizadas pelas comunidades para agricultura, manejo de pastagens e coleta de frutos, ao mesmo tempo em que incorpora técnicas capazes de lidar com os impactos das mudanças climáticas sobre o comportamento do fogo na Amazônia.
O eixo de sustentabilidade do Projeto Esperançar é desenvolvido em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e recebe financiamento do projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil).
A iniciativa está alinhada às políticas do Ministério do Meio Ambiente voltadas à conservação da Amazônia, com ações que incluem restauração florestal, fortalecimento da sociobioeconomia, regularização ambiental e incentivo à participação ativa das comunidades tradicionais na gestão dos territórios protegidos.

