reclamação
Enquanto o governador Tião Viana (PT) lançava a “segunda etapa” do Programa Ruas do Povo, os moradores da parte alta de Rio Branco reafirmavam sua indignação com a “péssima” qualidade da obra considerada como concluída pelo Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento ( Depasa), na manhã desta terça-feira.
“Todo dia me pergunto como minha família, meus vizinhos, e toda a comunidade daqui conseguimos conviver com tanto descaso. Meu irmão, isso não é coisa de gente séria”, desabafou o pedreiro Genevil Carneiro Bento, 32. O rapaz, que mora na confluência dos bairros Tancredo Neves e Montanhês, diz que, “por não haver drenagem, as águas da chuva invadem o quintal, a casa e deixam as paredes mofadas”.
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Um grupo de mulheres parou a reportagem para mostrar três situações que contrariam o conceito básico do programa anunciado pelo governo. “Para passar a rede de esgoto, eles quebraram a lateral da rua, que era tijolada. Depois, jogaram barro, ao invés de repor com o asfalto. Agora, devido ao trânsito de veículos, o que estava mais ou menos virou uma porcaria. Taí, um monte de buraco coberto com barro e pedaços de pedra. Somos nós quem pegamos no cabo da enxada. No sol a gente engole poeira; na chuva, nem saímos de casa”, disse a doméstica Anamélia Cristina, moradora do Alto Alegre.
O comerciante Dirceu Lima Cardoso, que mora na Rua Rio de Janeiro, relata em vídeo a “confusão que fizeram”. Segundo ele, depois de construir a tubulação de esgoto, a empresa responsável “esqueceu” de fazer as ligações domiciliares. “Se eu fizer uma caixa de esgoto, sou penalizado. Aliás, sem ter o que fazer, eu fiz uma caixa para despejar os dejetos, mas o Ministério Público veio aqui e me deu uma advertência”, lembra.
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Máquinas e homens passaram na segunda-feira (22) para fazer a limpeza, mas deixaram os entulhos à porta da loja do comerciante. A água tratada, que sempre foi escassa nos bairros mais altos de Rio Branco, aparece jorrando ladeira abaixo, num claro desperdício sem controle.
Por onde as máquinas passaram há sempre rastro de destruição. “A encanação das casas vai junto. Eles fazem de qualquer jeito. Arrastam tudo. Mas o IPTU e a conta de água sempre chegam sem atraso”, critica Dirceu Cardoso.

Vídeo gravado pela comunidade do Tancredo Neves mostra imagens impressionantes da enxurrada que invadiu um terreiro de candomblé, na Rua Rio de Janeiro. O imóvel destruído está localizado num acesso de 163 metros que, de acordo com o morador Célio Roberto, está para ser pavimentado desde a primeira gestão do prefeito Raimundo Angelim.
“Não me pergunte por que esse pedacinho de rua não recebe infraestrutura desde 2013. Já vieram aqui, prometeram, não cumpriram, e disseram até que seria muito caro deslocar as máquinas do Alto Alegre para fazer o serviço. O terreiro de candomblé seria uma ameaça ao governo do PT?”, indaga o morador.
