Pesquisa
De acordo com uma nova pesquisa, sete em cada dez chefes não consideram estresse, ansiedade ou depressão razões válidas para os funcionários se afastarem do trabalho. O estudo foi realizado pela companhia de seguro saúde britânica AXA PPP Healthcare.
Todos os anos, um em cada quatro trabalhadores sofre de problemas de saúde mental em algum momento, mas a maioria tem tanto medo do estigma em torno do tema chegam a mentir para os seus gestores sobre por que eles precisam de tempo afastado do trabalho.
“Com essa taxa de ocorrência, precisamos trabalhar mais para eliminar o estigma em torno da doença mental”, explica o diretor de psicologia clínica da companhia, Mark Winwood. “As empresas estão bem posicionadas para liderar o caminho para mudar esse preconceito nocivo dando aos seus empregados as ferramentas e apoio necessários para que possam discutir a saúde mental de uma forma aberta e imparcial”.
O estudo vem à tona depois do trágico episódio com o piloto da Germanwings Andreas Lubitz, que fazia tratamento para problemas de saúde mental, e teria propositalmente derrubado um Airbus A320 matando a si mesmo e outras 149 pessoas depois de esconder a doença do seu empregador.
Medo de julgamentos
A AXA PPP Healthcare entrevistou mil gerentes seniores de negócios, diretores-presidentes, diretores executivos e proprietários e mil funcionários e descobriu que 69% dos patrões não acreditavam que a doença mental deveria garantir tempo de afastamento do trabalho. No entanto, um quarto dos gestores admitiu ter sofrido de doença mental em algum ponto da carreira.
Quando os funcionários foram questionados se seriam honestos com o seu gerente ao precisar faltar ao trabalho por estarem sofrendo de estresse, ansiedade ou depressão, apenas 39% dos empregados disseram que iriam dizer a verdade.
Daqueles que afirmaram que evitariam dizer a verdade, 15% disseram que tinham medo do chefe não acreditar neles, 23% tinham medo de serem julgados e 23% prefeririam manter seus problemas de saúde em âmbito privado. Outros 7% disseram que temiam a reação de seu gerente direto se ficasse sabendo da verdade. Quase metade dos funcionários pesquisados acham que seu empregador não leva problemas de saúde mental a sério.
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A pesquisa também sondou as atitudes dos gestores em relação aos empregados que sofriam de doenças mentais. Um em cada cinco disseram que iriam se preocupar com a capacidade do funcionário de fazer o seu trabalho e um em cada seis afirmaram se preocupariam com as consequências desta condição sobre si mesmos, como ter que assumir mais funções.
“Cuidar do seu pessoal não somente é a coisa certa a fazer, mas também faz sentido nos negócios, resultando em aumento da produtividade, moral da equipe e retenção”, garante. “Medidas simples e de baixo custo, como oferecer conversas regulares com os gestores, horário de trabalho flexível e suporte confidencial por telefone podem fazer uma enorme diferença para o bem-estar da equipe”.
Informação e apoio
Winwood diz que o primeiro passo para resolver essa questão é desafiar o estigma em torno da doença mental no local de trabalho. “A falta de compreensão gera o medo, então melhorar o conhecimento e compreensão dos funcionários da doença mental é uma das coisas mais importantes que a equipe de gerência sênior de uma empresa pode fazer”.
“Formar e dar suporte aos gestores para lidar com trabalhadores afetados por problemas de saúde mental (incluindo informar o empregado sobre quais programas de assistência estão disponíveis) também ajudará a dar-lhes a confiança necessária para prestar um apoio efetivo onde e quando for necessário”. [Telegraph]