O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac) ainda está em estado de greve e paralisação foi apenas suspensa temporariamente e até o dia 29 de novembro mesmo com avanço nas negociações. Apesar do governo ter referendado as propostas anteriores, existem alguns pontos obscuros e que precisam de mais prazo para serem resolvidos.
O presidente eleito do Sintesac, Adailton Cruz, destacou que apesar de suspenso, o movimento não para: “A luta vai continuar e vamos voltar à rua dia 29 de novembro, pois dia 30 é último dia para resolver a situação. Se não cumprirem com o prometido, vamos parar a saúde pública estadual”.

O presidente eleito do Sintesac, Adailton Cruz, destacou que apesar de suspenso, o movimento não para/Fotos: Assessoria
A pauta inicial do sindicato era composta do aumento dos servidores da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e da Fundação Hospitalar do Acre (Funhacre), a aposentadoria especial, a questão dos servidores irregulares e o plano de carreira dos trabalhadores do Pro-Saúde.
“Todos nós sobrevivemos com o mesmo salário há sete anos. Será que um pedreiro ou faxineiro recebe a mesma diária há sete anos? Nestes dois dias negociamos exaustivamente, estando todo mundo cansado, mas agora o resultado está firmado em um documento assinado pelo governo”, afirmou Adailton.
O sindicalista revelou que a promessa do governo em cumprir o acordado somente se deu pela pressão dos servidores, que pararam as atividades em Rio Branco, Cruzeiro, Feijó, Tarauacá e Brasileia.
“Nessas cidades as ações de Saúde estão paradas e o trabalhadores fazendo manifestação na rua. Mas não vamos radicalizar mais do que deve. Entendemos o momento financeiro crítico que o Estado passa. Além disso, tem esta onda de violência que atingiu até amigos nossos que tiveram casas atacadas e roubadas”, comentou Adailton.

Além disso, Adailton explicou os quatro pontos base, sendo que o reajuste foi negociado para o servidores da Sesacre e Fundhacre, cujo conteúdo previamente acordado o governo esqueceu de uma hora para outra.
“Conseguimos o compromisso da criação de uma gratificação que 80% dos servidores não tinham; conseguimos a incorporação da ‘promoção à saúde’ ao piso; obtivemos também um reajuste que vai de 18% para o nível superior e para nível médio e de apoio quase 30%”, informou Adailton.
Segundo ele, o governo tinha se esquecido disso, mas os servidores foram à rua para lembrar: “Mas agora o governo reassumiu esses compromissos e disse que é problema dele, governo, para encontrar os meios para nos pagar. Está assinado. Foi a nossa luta, na rua, que viabilizou isso. Os trabalhadores foram os vitoriosos”.

Resumo da negociação
Aposentadoria especial e cobertura do plano de carreira para os servidores irregulares: foi constituído um grupo de trabalho entre Estado, PGE e trabalhadores para buscar um meio de resolver a questão dos regulares até o dia 30 de novembro. O grupo de estudo é para incluir os irregulares na sexta parte e licença prêmio. Será preciso achar uma saída até esta data, mas isso não quer dizer que isso já exista, mas sim que será buscada.
Projeto de lei para o reajuste: o governo reafirmou o acordo para o ano que vem. Será instalada uma mesa de negociação para o caso de haver algum problema legal, o que pode ser feito por meio da criação de um auxílio. Mas de uma forma ou te outra o ganho virá.

Acordo Pro-Saúde: O governo não queria negociar nada com o Pro-Saúde. Como viemos para rua, eles reafirmaram o interesse do governo em negociar. A meta é concluir o acordo coletivo até o fim de novembro. Os pontos não econômicos primeiro e depois os econômicos.
João Batista relata o estresse das negociações
O presidente da comissão provisória, João Batista Ferreira dos Santos, fez um pronunciamento repleto de emoção na manifestação do Sintesac desta sexta-feira (21). Ele contou que na noite de quinta-feira (20) o carro estava na reserva de combustível e com problemas de motor, mas ainda assim quando saiu da negociação foi até o PS.

presidente da comissão provisória, João Batista Ferreira dos Santos, fez um pronunciamento repleto de emoção na manifestação
“Cheguei em casa às 21h, com fome. Em seguida fui ao hospital para checar o meu plantão e ver a situação. Eu vi o movimento que estava lá. Calcei uma luva e fui ajudar até por volta da meia noite, quando fui para casa. Nós temos responsabilidade e não nos furtamos dela”, destacou João Batista.
Para João Batista, houve muita falta de compromisso dos gestores e do Governo ao sentar em uma mesa de negociação com o sindicato. O sindicalista reforçou o fato do governo precisar respeitar o fato de haver seis mil trabalhadores filiados ao sindicato.
“Ultimamente eu estou em um estresse absurdo. Houve momentos que tivemos de agir com dureza. Estamos enfrentando muito perseguição para trazer a base para a luta. Hoje temos uma chance única de melhorar o nosso salário e a nossa qualidade de vida”, ressaltou o presidente.

Para ele, existem problemas de trabalho que se vê logo ao entrar em um corredor de clínica cirúrgica, com muitos desmandos, portas sem trinco, sem condições de trabalho, o que é uma agressão para cada um dos trabalhadores.
“Não defendemos apenas salário, mas também as condições de trabalho e qualidade na assistência. Enquanto comissão de negociação e sindicato, estabelecemos uma negociação sem ataque. Estamos nas unidades e sabemos do errado. Fizemos relatórios dos problemas, mas optamos pelo diálogo e negociação. Mas às vezes somente isso não basta”, salientou o presidente da comissão provisória”.

João Batista finalizou sua fala dizendo: “Por isso fizemos aquele movimento bonito na terça-feira e este de hoje [21], quando os que estão aqui não receberam nada por isso, mas estão enfrentando o sol. A decisão final sempre será dos trabalhadores da base sobre a proposta do governo”.
