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Surge um novo nome para a Câmara de Vereadores: líder estudantil é aposta do PCdoB

Por Wania Pinheiro, ContilNet Fonte: WANIA PINHEIRO, DA CONTILNET 22/05/2016 às 23:30

O jovem Jaidesson Peres tem apenas 26 anos, mas sua militância começou cedo. Formado em jornalismo aos 20 anos e estudante de letras na Universidade Federal do Acre (Ufac), Jaidesson iniciou o envolvimento político no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

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Jaideson: “Faço parte de uma juventude que sonha e constrói política por ideal”

Hoje faz parte do quadro das novas lideranças do Partido Comunista do Brasil (PC do B), partido em que se filiou ano passado após divergências internas no PSOL. No novo partido, foi recebido com pompas e se tornou umas das promessas para renovar a sigla.

Foi na Ufac que Jaidesson deu os primeiros passos na militância política e se tornou conhecido no movimento estudantil. Foi candidato ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) em 2014, quando surpreendeu pela boa votação, mesmo sua chapa não vencendo o pleito.

Ainda foi eleito pelos estudantes membro do Conselho Universitário e presidente do Centro Acadêmico de Letras/Português. No início do ano foi mais uma vez candidato ao DCE e sua chapa a mais votada, porém não assumiu porque a eleição não atingiu o quórum de 25% dos estudantes.

Natural de Sena Madureira, de onde saiu para estudar jornalismo, marxista convicto, ex-seminarista dos Servos de Maria, onde conviveu boa parte da adolescência com padre Paolino, filho de empregada doméstica, Jaidesson já colocou seu nome à disposição do PC do B como pré-candidato a vereador de Rio Branco.

Ele diz não hesitar em disputar e prega renovação na política com novas ideias, novas práticas e novas pessoas. Em entrevista à CONTILNET, o jovem aborda suas ideias de forma bem franca, diz o que pensa sobre a política e fala um pouco de sua militância.

Não parece uma ousadia ser candidato a vereador de Rio Branco?

De fato, é um desafio. Mas minha vida, assim como tantos outros bravos companheiros, foi não temer as adversidades. Exemplo é o metalúrgico Lula que se tornou presidente. Desde cedo, sem parentes influentes, sem muitos recursos, aprendi a lutar pelos meus sonhos. Saí de Sena aos 17 anos para estudar e aqui estou até hoje batalhando, não só por mim, mas por todos que acho que precisam de ajuda, de solidariedade, de apoio. Uma candidatura hoje em dia precisa de ousadia, de sonhos, de proposições para melhorar a vida das pessoas. Não de dinheiro, de parentes políticos.

Você foi um seminarista católico, mas é também um comunista. Isso não parece contraditório?

Desce cedo sempre carreguei comigo a indignação contra as injustiças do mundo. A religião foi importante para minha vida, pois me ensinou a sempre olhar com compaixão para o próximo, a partilhar o pão a ser sempre justo. Na adolescência e no ensino médio, tive os primeiros contatos com a literatura marxista, e me apaixonei. Vi que era tudo o que eu defendia e acreditava. E não via contradição. Frei Betto, um grande expoente da Teologia da Libertação, dizia que o nome político do amor se chama socialismo.

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Jaideson com representantes da Universidade Federal do Acre

Você conviveu boa parte da adolescência com padre Paolino?

Sim. Ele sempre foi uma grande referência para mim. Sua dedicação aos pobres de Sena Madureira, sua defesa intransigente da floresta, seu trabalho não só religioso, mas também social, com os índios, seringueiros, devem ser exemplo para todos nós. Foi um grande homem que ainda novo chegou aqui e fez daqui sua terra. Ele merece todo o nosso respeito.

Você vem do movimento do estudantil. Há muitas críticas à UNE por não representar mais os interesses dos estudantes. Você concorda?

Não concordo. A UNE tem sua importância histórica no movimento estudantil brasileiro, por ter sido a grande resistência à ditadura militar, na redemocratização do Brasil, pelas Diretas Já e contra a mercantilização da educação no governo FHC. Muitos direitos nossos da juventude, a exemplo da conquista da meia-entrada, foram duras lutas da UNE. E, claro, ela vai sempre se posicionar ao lado da democracia.

O que você acha do impeachment da presidente Dilma?

Respeito as opiniões contrárias, mas me posicionarei sempre ao lado do que for justo. Este impeachment é um duro golpe na democracia que conquistamos com muito suor e sangue. É verdade que estamos atravessando uma crise econômica, que Dilma tem baixos índices de popularidade, mas impeachment não pode ser usado para institucionalizar um golpe, pois contra Dilma não pesa o crime de responsabilidade. As operações fiscais que ela fez foram usadas por FHC e tantos governos estaduais. E nunca houve impedimento do mandato. O que vemos são setores atrasados do país querendo voltar ao poder a qualquer custo e esse processo foi conduzido por um gângster chamado Eduardo Cunha.

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Peres é militante ativo nos movimentos estudantis no Acre e em outros estados do Brasl

Qual sua opinião sobre os cortes do novo ministro da Educação?

É um completo absurdo. Tivemos grandes avanços, como o Plano de Educação, que prevê a aplicação de 10% do PIB na educação de forma progressiva, as cotas, a expansão das universidades públicas. Mas o que estamos vendo agora é o novo ministro da Educação de Temer anunciando retrocessos como o projeto para cobrar mensalidades nos cursos de pós-graduação com o objetivo de privatizar nossa educação, anunciou a suspensão de novos contratos para Fies, Pronatec e Prouni, sem falar na extinção do Ministério da Cultura. Isso é um grande retrocesso para tudo quanto a juventude conquistou, por isso precisamos resistir nas ruas contra esse governo sem legitimidade e neoliberal.

Por que você saiu do PSOL e foi para o PC do B?

Devo boa parte da minha formação política ao PSOL. É um partido necessário para a esquerda e para a democracia brasileira. Mas no Acre sabemos que a situação do PSOL é desalentadora. Está cheio de gente que não entende o que o partido defende, sem formação política, reacionários, fundamentalistas. O exemplo é aquele filiado de Cruzeiro do Sul que disse que não filiaria gays no partido. É lamentável para um partido que tem Jean Wyllys em seus quadros e faz um indispensável trabalho no Congresso. Depois de uma reflexão, quis continuar na esquerda e na militância, e fui muito bem recebido pelos camaradas do PC do B, um partido que tem uma importante contribuição na história política do Brasil.

Quais serão suas propostas para a juventude?

Faço parte de uma juventude que sonha e constrói política por ideal. Sempre me inspiro na frase de Galeano, que pergunta a si próprio para que serve a utopia, já que nunca a alcançaremos, e ele responde: ‘para que eu nunca deixe de caminhar’. Precisamos de candidaturas progressistas diante dessa onda conservadora que estamos vivendo, precisamos de gente que defenda mais investimentos na educação, na cultura, que resguarde os nossos os direitos civis. Em Rio Branco, temos uma Câmara de Vereadores com baixa atuação. Por isso os jovens precisam ter uma representação que defenda um transporte público de qualidade, o acesso gratuito à internet nos lugares públicos, a participação da juventude nos espaços de poder, o acesso ao primeiro emprego, ao ensino profissionalizante, à meia-entrada, a garantia de mais cultura e esportes, principalmente para os jovens de baixa renda.

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