A tabelinha não é a única forma de mapear a fertilidade da mulher. Na década de 1970, um grupo de pesquisadores, liderados pelo médico John Billings, analisou 850 mil ciclos e percebeu que era possível reconhecer o período fértil da mulher a partir do ápice da produção do hormônio estrógeno, responsável por formar um muco na cérvix, região que fica próxima ao colo do útero. No estudo, chamado de Método de Ovulação Billings (MOB), chegou-se à conclusão de que, se a mulher observar as diferentes texturas dessa secreção, ela poderia saber quando está no período fértil (veja tabela abaixo). Esse período, porém, pode variar de mulher para mulher, já que a maioria não tem ciclo regular.
inférteis são antes e após a menstruação. Mais ou menos seis dias depois do sangramento, ela já começa a notar a vagina úmida ou molhada, pode aparecer um líquido de consistência cremosa na calcinha e a temperatura corporal não muda. Nessa fase, é preciso tomar cuidado, pois é sinal de que o óvulo está prestes a ser liberado e, como o espermatozoide sobrevive até 72 horas no organismo da mulher, é possível engravidar.
Em seguida, a mulher entra no período altamente fértil, quando a vagina fica bem escorregadia e sai uma secreção semelhante à clara de ovo, brilhante e bastante elástica. É possível pegar esse muco com as mãos e pinçar com o polegar e o indicador até esticar cerca de 5 cm. Nesse estado, ele protege e facilita o transporte do espermatozoide, além de alimentá-lo com proteínas e outras substâncias presentes nele. Com o aumento do estrógeno, a temperatura sobe para 36,5°C ou mais. Nesse dia, se a mulher tiver relação sexual, ela terá grande chance de engravidar. Afinal, o óvulo está lá à espera do espermatozoide.
No começo, pode parecer difícil observar tudo isso, mas, com o tempo, você ganha prática. Andrea Soares de Assis, 33 anos, mãe de Miguel, 6, e Lucas, 2, sabe, inclusive, o dia em que o óvulo é liberado. “Geralmente sinto uma fisgada de um lado da barriga”, conta. Thianna Andreoti Ferraressi, 36, mãe de Thaissa, 6, acredita que, com três ciclos, já dá para identificar o que acontece internamente. Ela usa a técnica há 19 anos porque já teve casos de trombose na família, causada pela pílula. “Acho o método bastante seguro, tanto como prevenção como para a concepção, desde que a mulher tenha clareza do que acontece com o corpo”, diz Thianna.
Para saber o período fértil, é indicado fazer um curso do MOB com instrutores espalhados por todo o Brasil e cadastrados no Cenplafam, com sede em São Paulo. Segundo a instrutora do Billings há 29 anos, Maria Luiza Monteiro, a maioria dos casais que a procura estão tentando ter filho.
Isso foi comprovado em um estudo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem. A pesquisa mostra que a maioria das pessoas tem confiança no método, só que a aceitação é maior entre aquelas que desejam ser mães, em comparação com quem não quer ter filhos. Ana Paula Avante Ursini, 33 anos, mãe de Miguel, 1, procurou o MOB com esse objetivo. Ela tinha problemas de ovários policísticos, operou, mas não engravidava. Por meio de uma amiga, soube de uma pessoa “milagrosa” (a instrutora) que ajudava as mulheres a ter bebê. Depois de três anos de tentativa, decidiu optar pelo método, antes da fertilização. “Em menos de seis ciclos, engravidei”.
O tempo de espera de Carolina Coelho Martins, 39, mãe de Bento, 1, foi ainda maior. Depois de nove anos de tentativa, de seis inseminações artificiais e duas fertilizações, que não deram certo, ela engravidou com ajuda do MOB. Detalhe: em apenas dois meses! Ela tinha as trompas entupidas, fez cirurgia, mas o ginecologista dizia que era preciso tomar pílula porque a gravidez poderia ser ectópica (nas trompas). “Eu consultei uma instrutora do Billings e no primeiro mês, por meio do espermograma do meu marido, ela já descobriu que ele tinha baixa quantidade de espermatozoides. Ele fez o tratamento e em dois meses engravidei”, conta ela, que acredita que hoje existe uma indústria do anticoncepcional e da fertilização e, por dinheiro, os médicos até enganam as pacientes. “Gastei o equivalente a uma casa, e acabei realizando meu sonho só observando o meu corpo”, conta. Esse autoconhecimento também é importante para detectar quando há algo de errado. “Com o tempo, elas percebem se a secreção está normal ou se é hora de buscar um especialista para tratar problemas com a ovulação ou corrimento”, diz Maria Luiza.
Um estudo feito sobre o MOB e reconhecido pela Organização Mundial da Saúde mostra que ele tem 99% de eficácia para evitar a gravidez. Para quem tem medo de engravidar, a ginecologista e obstetra Paola Fasano, do Hospital e Maternidade São Luiz (SP), indica a camisinha. “Nosso corpo é sábio e a libido aumenta no período fértil. Quem não quer correr nenhum risco, tem que se proteger”, afirma.

Vantagens
– É totalmente natural.
– Não tem efeitos colaterais.
– Prioriza o autoconhecimento.
– Ajuda a reconhecer o período fértil, sendo ideal para quem quer engravidar ou evitar a gravidez.
– Funciona para a maioria das mulheres: que estão amamentando, têm ciclos longos ou curtos, têm – problemas com ovários policísticos e baixa fertilidade.
– É colaborativo – o casal compartilha a responsabilidade, ao contrário da pílula, camisinha e DIU, entre outros.
Desvantagens
– É preciso estudar o método a fundo e passar por treinamento, nem que seja de uma aula.
– Requer auto-observação diária, além de anotação.
– Ele só é eficaz enquanto a mulher está ovulando. Portanto, não funciona no climatério ou na menopausa.
– É indicado apenas para quem tem parceiros estáveis.
– Não evita as doenças sexualmente transmissíveis.
