A Copa do Mundo de 2026 não está movimentando apenas os torcedores, mas também deve impactar a rotina de trabalho em diversos países. No Acre, por conta do fuso horário, o efeito tende a ser ainda maior. A partida entre Brasil e Japão, marcada para esta segunda-feira (29), será disputada às 12h (horário do Acre), justamente em um dos períodos de maior atividade do comércio, das empresas e dos órgãos públicos.
O confronto será o primeiro da Seleção Brasileira no Mundial realizado em um horário que coincide com o expediente tradicional de trabalho para boa parte dos brasileiros. No Acre, no entanto, a situação é ainda mais expressiva. De acordo com um levantamento sobre o impacto da Copa na produtividade dos países participantes, quem mora em Rio Branco poderá passar 68 horas e 15 minutos acompanhando jogos do Mundial durante o horário comercial.
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O número coloca a capital acreana em um cenário semelhante ao de países como Colômbia, Equador e Panamá, que também acumulam 68 horas e 15 minutos de partidas entre segunda e sexta-feira, no período das 9h às 18h, considerando o horário local de cada capital.
Já para quem vive em cidades que seguem o horário de Brasília, a realidade é diferente. O levantamento aponta que os brasileiros passarão 51 horas e 15 minutos, o equivalente a 4.095 minutos, assistindo às partidas disputadas durante o expediente. Com esse tempo, o Brasil ocupa a 11ª colocação entre os 48 países classificados para a Copa do Mundo, empatado com Argentina, Paraguai e Uruguai.
A pesquisa mostra que a maior exposição aos jogos em horário comercial será registrada no México, onde os trabalhadores terão 78 horas e 30 minutos de partidas durante o expediente. Na sequência aparece a Nova Zelândia, com 69 horas e 15 minutos. Logo depois estão Colômbia, Panamá, Equador e, por causa do fuso horário, também Rio Branco, com 68 horas e 15 minutos.
Os cálculos consideram apenas partidas disputadas entre segunda e sexta-feira, no intervalo entre 9h e 18h, tomando como base jogos com 90 minutos de duração e 15 minutos de intervalo. Prorrogações, cobranças de pênaltis e acréscimos não entram na conta. Quando uma partida começa antes das 9h ou termina após as 18h, apenas o período compreendido dentro da jornada comercial é contabilizado.
Outro fator levado em consideração foi o fuso horário das capitais de cada país. Isso significa que um mesmo jogo pode gerar impactos diferentes dependendo da cidade onde o torcedor está. É justamente essa diferença que faz com que moradores de Rio Branco acumulem mais horas de transmissão durante o expediente do que brasileiros que vivem em estados com o horário de Brasília.
O levantamento também revela que mais de um terço das seleções participantes da Copa não terá partidas disputadas entre 9h e 18h no horário local. Nesses casos, o desafio para os trabalhadores é diferente: conciliar a rotina profissional após acompanhar jogos realizados durante a madrugada.
A comparação com a Copa do Mundo de 2018 também chama atenção. Naquele torneio, disputado na Rússia, o Brasil liderava o ranking, com 64 horas e 30 minutos de partidas durante o horário de trabalho. Apesar de a edição de 2026 contar com um calendário maior, 104 jogos e 48 seleções, contra 64 partidas e 32 equipes em 2018, o impacto para quem segue o horário de Brasília é menor devido à distribuição das partidas.
No Acre, entretanto, o cenário é diferente. O horário local faz com que mais jogos coincidam com a jornada de trabalho, especialmente os da Seleção Brasileira. A expectativa é de que empresas, repartições públicas e estabelecimentos comerciais sintam os reflexos do Mundial ao longo das próximas semanas, seja com pausas para acompanhar os confrontos, mudanças na rotina ou maior movimentação em bares e restaurantes que costumam transmitir os jogos.
Assim como ocorre em outras edições da Copa do Mundo, o futebol deve influenciar não apenas o clima entre os torcedores, mas também o funcionamento de diversos setores da economia acreana, principalmente nos dias em que a Seleção Brasileira entrar em campo.


