Tucano não explica como PSDB perdeu 83 mil votos nas Eleições de 2016 e ameaça ContilNet

Por Wania Pinheiro, ContilNet 12/02/2017 às 14:07

A executiva regional do PSDB nega, mas vem tendo uma tremenda dor de cabeça para fechar o relatório das Eleições de 2016, que deve ser encaminhado para avaliação pela executiva nacional. O problema é que, na comparação com as eleições municipais de 2012, o partido perdeu um em cada quatro eleitores em todo o Estado do Acre. A dura tarefa de apresentar os números caberá ao deputado federal Major Rocha (PSDB), presidente regional do partido desde 2014.

A trajetória de crescimento do partido foi marcada pelas gestões de Tião Bocalom e Marcio Bittar. Bocalom foi o primeiro candidato tucano a governador no Acre, nas eleições de 2006, pela coligação ‘Produzir para empregar’. O ex-prefeito de Acrelândia saiu de 35 mil votos em 2006 para 165 mil votos na disputa pelo governo em 2010, quando obteve 49,18% das intenções de votos. Neste ano, Marcio Bittar foi eleito pelo PSDB o deputado federal mais votado da História do Acre, com 52.183 votos.

Em 2012, sob a direção de Marcio Bittar, o PSDB se consolidou como a grande força política do Estado. O PSDB teve candidatos a prefeito em 15 municípios e obteve como resultado das urnas o total de 118.640 votos. Seis prefeitos foram eleitos em regiões estratégicas como o Alto Acre, onde, das quatro cidades disputadas, os tucanos venceram em três: Assis Brasil, Epitaciolândia e Xapuri.

O partido elegeu ainda os prefeitos de Porto Acre (Carlinhos da Saúde), Santa Rosa do Purus (Rivelino Mota) e Senador Guiomard (James Gomes). Nesse último município ainda emplacou na chapa majoritária em 2014, com a primeira-suplente do senador Gladson Cameli, Mailsa Gomes.

Muita coisa mudou quatro anos depois. Em 2016 o PSDB disputou apenas oito prefeituras, elegendo dois prefeitos: o de Assis Brasil (Zum) e Plácido de Castro (Gedeon Souza). A sigla obteve apenas 35.022 votos, um dos piores resultados dos últimos tempos. Se comparados com 2012, verifica-se que o PSDB perdeu um em cada quatro eleitores, encolhendo drasticamente a sua representatividade em todas as cidades.

Em Rio Branco – a Capital do Acre – o partido saiu de uma eleição disputada em 2016, com Tião Bocalom como candidato, obtendo 77 mil votos, para uma disputa acanhada, pífia, de apenas 9 mil votos, ficando em último lugar na somatória total dos votos válidos. Como diz a gíria política, a proposta de coligação com o PR – partido que apoiou a Frente Popular no Segundo Turno de 2014 – “não decolou”. O PSDB, que tinha três vereadores na Capital, perdeu dois para os partidos PV e PP.

Em Cruzeiro do Sul o partido também amargou uma grande derrota, ficando em último lugar na disputa majoritária. Além disso, o PSDB não conseguiu eleger nenhum vereador no segundo maior colégio eleitoral do Estado. Nas vinte e duas cidades, o partido conseguiu eleger apenas 16 vereadores. Em 2012 os tucanos elegeram 28 vereadores, tornando-se a maior bancada da oposição.

Como colocar tudo isso em um relatório?

Para o secretário estadual do PSDB, Manoel Pedro, o Correinha, uma eleição e a construção de um partido não se faz apenas com matemática e avaliando momentos diferentes. “Se for feita a leitura apenas a partir dos números, eles revelam uma redução, mas uma eleição e a construção de um partido não se faz apenas com matemática e comparando momentos diferentes”, comentou Correinha.

Em seguida, o secretário fez uma avaliação mais fria e afirmou: “Estávamos preparados realmente para quatro prefeituras, mas ganhamos duas. Os números divulgados pela assessoria de imprensa do próprio partido mostram que onde a sigla buscou união com os demais partidos de oposição, saiu vitorioso, como foi o caso das eleições de Zé Augusto (PP) em Capixaba, Kiefer (PP) em Feijó, Tanizio Sá (PMDB) em Manoel Urbano, Isaac Piânko (PMDB) em Marechal Thaumaturgo, Zezinho Barbary (PMDB) em Porto Walter e Marilete Vitorino (PSD) em Tarauacá.

Deputados não falam e ContilNet é ameaçada

Procurado pela reportagem, o único deputado estadual do PSDB eleito em 2014, Luiz Gonzaga, disse que falaria sobre os números em outra oportunidade. Até a edição dessa matéria, Gonzaga ainda não havia se manifestado.

O presidente regional do PSDB, deputado federal Major Rocha, rechaça os resultados da eleição de 2016. Prefere não falar, afirma que “esse é um cenário que já passou e que o portal ContilNet “está fazendo presepada com ele, tentando publicar uma matéria sem sentido, de uma coisa que já passou”.

Em uma gravação onde Rocha fala com um repórter de ContiNet, ele diz que se esta reportagem fosse divulgada ele iria entrar com uma representação criminal contra esta jornalista, uma das sócias do portal. “Ela estava me cobrando três notas, e eu não vou pagar. Vou dizer que ela estava me extorquindo. A matéria vai servir justamente para isso”, disse enfurecido o parlamentar.

As “notas” que o deputado se refere, são três notas fiscais emitidas pelo sistema da Prefeitura de Rio Branco, no valor de R$ 1.500,00, em seu nome, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2016, referente a serviços de divulgação que ContilNet vinha prestando ao parlamentar desde que ele assumiu o mandato de deputado na Câmara Federal.

Durante o mês de novembro e começo de dezembro de 2016, o setor de contabilidade e cobranças de ContilNet tentou receber pelos serviços prestados ao parlamentar, como vinha fazendo todos os meses. De Brasília, uma assessora de seu gabinete disse que ele havia mandado suspender a parceria.  Uma fonte ligado a Rocha disse que ele não havia gostado de uma notas publicadas na coluna Pimenta no Reino, por isso não tinha mais interesse em continuar divulgando suas ações parlamentares no portal.  Foi quando o setor comercial explicou que ele deveria ter enviado um e-mail pedindo a suspensão do serviço, já que cada nota fiscal emitida gera, automaticamente, o pagamento de imposto sobre o valor do serviço. Depois disso, o deputado e seus assessores ficaram calados sobre o assunto. ContilNet também.

Intimidação

Além de tentar intimidar a direção de ContilNet com telefonemas ameaçadores a sócios do portal, e enviando “recado” por repórteres, Rocha também apareceu em redes sociais para enviar “avisos” de que estaria preparando uma “matéria”. Em um dos telefonemas que Rocha fez a um sócio de ContilNet ameaçou processar a empresa via Brasilia, “para que as despesas com advogados, viagem e hospedagem fosse maior”.

Sem temer a ameaças, até porque quem não deve não teme, e nem treme, a direção do portal decidiu continuar produzindo a reportagem sobre a derrocada do PSDB no Acre. Afinal, os dados na matéria não são segredo para ninguém, já que estão todos registrados no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE) e no Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

O resultado pífio das eleições municipais no Acre está na contramão do crescimento do partido tucano em todo o país. Fora dos limites do Estado, o PSDB foi o partido que saiu grande vencedor na corrida eleitoral do ano passado.

Das 19 cidades onde disputou o segundo turno, os tucanos venceram em 14: as maiores vitórias ocorreram em Porto Alegre, com Nelson Marchezan Júnior, em Manaus, com Arthur Virgílio, e em Belém, com Zenaldo Coutinho.

 

Conteúdo Original / Fonte: Wania Pinheiro, da ContilNet

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