A economia brasileira já acumula quatro trimestres consecutivos de queda e o País vive uma recessão que deverá ser a mais prolongada da história do Brasil.
O país está ‘mergulhado’ em uma recessão profunda, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que, associada à crescente taxa de desemprego, ao aumento da dívida pública e às incertezas quanto à estabilidade política, impõe uma série de desafios para a retomada da confiança e do crescimento.
Para economistas e analistas ouvidos pelo G1, equilibrar contas, retomar confiança e realizar reformas estruturais e institucionais estão entre os principais desafios do novo governo.
Especialistas avaliam que a mudança traz uma melhora nas expectativas – ainda que alguns alertem para o excesso de otimismo e risco de aprofundamento da crise –, mas destacam que qualquer recuperação na economia dificilmente ocorrerá antes de 2017.
Alta dos preços
A inflação deverá estourar mais uma vez o teto de 6,5% do sistema de metas e ficar bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para este ano.
No acumulado em 12 meses até abril, a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulou alta de 9,28%.
Em 2015, a inflação oficial ficou em 10,67%, a maior desde 2002. A expectativa do BC e do mercado é que o indicador fechará o ano em 7%. Para 2017, a estimativa é de 5,72%.
Gastos do governo
O descontrole do gasto público tem sido fator constante de preocupação e levou o Brasil a perder o desejado grau de investimento, o selo de país bom pagador de sua dívida.
Em 2015, as contas do governo tiveram forte deterioração e registraram um rombo recorde de R$ 114,98 bilhões, ou 1,94% do PIB.
Para 2016, a previsão é que as despesas superem as receitas pelo 3º ano consecutivo.
No acumulado do ano até março, as contas do governo registraram déficit de R$ 18,21 bilhões.
Em março, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para alterar a meta fiscal, pedindo aval para um rombo de até R$ 96,65 bilhões nas contas em 2016, o que equivale a 1,5% do PIB nacional.
Mercado de trabalho
O aumento do desemprego tem sido o efeito colateral mais doloroso da recessão. Já são mais de 11 milhões de desocupados no país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No 1º trimestre, a taxa de desemprego ficou em 10,9%, a maior desde 2012. Em março, o Brasil completou 12 meses ininterruptos de fechamento de vagas com carteira assinada.
No acumulado nos três primeiros meses do ano, o país perdeu 319.150 empregos formais. Em 12 meses, o número de vagas fechadas já passa de 1,85 milhão.
O número de pessoas empregadas com carteira assinada recuou a patamares de 2013. Já o rendimento médio dos trabalhadores ficou em R$ 1.966 no 1º trimestre, valor 3,2% menor que o registrado no mesmo período de 2015.
Rombo na Previdência
O crescimento do déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado, tem sido um dos principais fatores de preocupação.
Em 2014, a diferença entre as receitas e o pagamento de benefícios previdenciários ficou em R$ 85,81 bilhões, ou 1,5% do PIB.
Para 2016, a projeção é de um resultado negativo de R$ 133 bilhões, ou 2,14% do PIB, segundo estimativas do Ministério do Trabalho e da Previdência Social.
Já para 2017, a previsão é que o déficit atinja a marca recorde de R$ 167,62 bilhões, ou 2,47% do PIB.
Números divulgados recentemente mostram que a instituição da fórmula 85/95 progressiva para aposentadorias, que vale desde junho do ano passado, já ajuda a aumentar o rombo nas contas da Previdência.
Mudanças nas regras de aposentadoria foram discutidas no Fórum da Previdência Social, que é composto por representantes do governo, dos trabalhadores (centrais sindicais), dos aposentados e dos empregadores, mas uma proposta de reforma não chegou a ser enviada pelo governo Dilma Rousseff ao Congresso.
