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Vida longa ao choro

Por Suporte Fonte: Ministério da Cultura 24/04/2015 às 13:58

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Há 118 anos, nasceu um dos maiores compositores brasileiros, Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Em homenagem a essa data, comemora-se todo 23 de abril, desde 2000, o Dia Nacional do Choro.
O gênero musical surgiu no século XIX, como uma mistura entre ritmos africanos e europeus. No século seguinte, grandes nomes do choro, como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazaré deixaram enorme contribuição para o gênero, que serviu de base para outros e contribui, até hoje, para a formação da cultura brasileira.
Para um dos principais expoentes do chorinho atual, Hamilton de Holanda, o choro “é um formador da personalidade cultural do brasileiro”. Segundo ele, “o choro é o primeiro gênero musical brasileiro, só de ser assim, já tem importância grande, além de ter uma ligação forte com gênero irmão, que é o samba”, explica. “O que mais me encanta no choro é a mistura de informalidade com a música elaborada”, completa.
Nascido em família de músicos, o encantamento do artista com o choro remonta à infância. Aos cinco anos ganhou do avô, como presente de natal, um bandolim. Desde então, ao longo da carreira, acumulou prêmios e se apresentou em diversos países do mundo. E o que percebe, em suas andanças, é um interesse crescente pelo gênero.
“Há 15 anos viajo pelo mundo. No começo, eu reparava que as pessoas se identificavam muito com o ritmo e o choro em si não era tão conhecido mas, de uns tempos pra cá, sinto interesse maior do público. O estrangeiro em geral gosta muito da música brasileira”, avalia.
O presidente do Clube do Choro de Brasília e fundador da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, Henrique Filho, conhecido como Reco do Bandolim, também salienta a importância do estilo musical na formação da identidade brasileira. “O choro é uma manifestação da nossa cultura musical, é anterior ao samba e, na minha visão, é uma abordagem que permite desenhar o perfil da nossa alma brasileira”, afirma. “Ele me remete a história do meu povo, do meu país, e coloca à tona minha sensibilidade, da alma profunda brasileira”. Na análise de Reco, o Brasil é um país musical e, no choro, o brasileiro se enxerga e vê sua fisionomia.
Ele explica que o chorinho surgiu no século XIX como uma maneira de tocar e interpretar gêneros musicais que vinham de fora do país, como a polca, a valsa e o lundu africano.  “Era uma maneira de interpretar aquelas coisas que chegavam aqui. Lá na Europa, esses gêneros eram tocados por orquestras e aqui, por cavaquinhos e violões”, lembra.  “Existem várias explicações para qualificar a palavra choro, a mais corrente é que faziam abordagem mais melancólica, quase um lamento”, acrescenta.
Rico e democrático
Para Daniela Spielman, flautista , compositora e saxofonista do Rabo de Lagartixa, conjunto musical instrumental de choro criado na década de 1990, o choro, com mais de um século de vida, tem longevidade. “Nos conecta com o passado e nos projeta para o futuro”. Para ela, o choro esta vivíssimo. “Existem, atualmente, um monte de festivais, escolas, vídeos, livros e grupos ligados ao choro”, comenta.
Para o também flautista e professor Sérgio Morais, da Escola de Choro Raphael Rabello, o choro é um tipo de música democrática e informal. “Uma orquestra, você escuta e assiste, mas, se não faz parte do quadro, não pode ir lá tocar. Nas rodas de choro, ao contrário, você é bem-vindo para se juntar e tocar com as pessoas”, diz.
“É maravilhoso ver o choro sendo praticado até hoje por muita gente competente. O choro tem muita força, luz própria. É um estilo que definitivamente contribui para elevar o nível musical tanto dos artistas quanto do público”, destaca o escritor e letrista paulista Carlos Rennó. Natural de São José dos Campos (SP), Carlos Rennó é letrista de diversas canções da MPB, entre elas o choro Átimo de Pó, cuja música é de Gilberto Gil.
Rennó considera importante que o choro seja conhecido por públicos que não estão acostumados ao estilo, como a periferia. “Uma alternativa é levar músicos de choro para tocar em Pontos de Cultura periféricos. Também é interessante convidar músicos de rap e funk, por exemplo, para participar de eventos ligados ao choro. Pode ser uma boa forma de divulgar o estilo”.
A banda Sambô , que faz grande sucesso, principalmente entre os jovens, é uma das que divulga o estilo. Além de misturarem samba e rock and roll, no repertório incluem alguns choros famosos, como Carinhoso, composto entre 1916 e 11917, por Pixinguinha.
“Carinhoso e é universal. Há jovens cantando e mais velhos também, em coro. É impressionante”, avalia o cantor da banda, Daniel Santiago, mais conhecido como Sandami.  O também membro da banda Júlio Fejuca considera o choro a essência da música brasileira. “É o gênero mais importante e rico”, diz.
Pixinguinha
Em 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, nasceu Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, flautista, saxofonista, compositor e arranjador, uma das principais referências da música popular brasileira e nome tão definitivo para a história do choro que a data de seu nascimento tornou-se o Dia Nacional do Choro.
Foi o estudioso da Música Popular Brasileira Sérgio Cabral quem escreveu a frase definitiva sobre a importância de Pixinguinha “Músicos, musicólogos e amantes de nossa música podem até discordar de uma coisa ou outra. Afinal, como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, gosto não se discute. Mas, se há um nome acima das preferências individuais, este é Pixinguinha.”
São de sua autoria músicas como Carinhoso, Lamentos, Rosa, Vou Vivendo, entre dezenas de outras.
                                                                                                                                                                                                          Assessoria de Comunicação
                                                                                                                                                                                                          Ministério da Cultura

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