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40% dos recursos de proteção infantil na internet não funcionam, diz estudo

Por CNN Brasil Fonte: giovanachrist 29/06/2026 às 13:34
40% dos recursos de proteção infantil na internet não funcionam, diz estudo

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As gigantes das redes sociais vêm há anos divulgando seu crescente conjunto de ferramentas e proteções de segurança como prova de que priorizam o bem-estar dos usuários jovens. Mas mais da metade dessas proteções não funciona como anunciado, segundo uma nova pesquisa.

Pesquisadores do Cybersafety Research Center testaram 86 recursos de segurança juvenil no TikTok, Instagram, Snapchat e YouTube, e analisaram se eles funcionavam conforme descrito e se as crianças conseguiriam encontrá-los e utilizá-los de forma realista. Apenas 35 desses recursos — pouco mais de 40% — atenderam com sucesso a ambos os critérios.

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YouTube, Instagram e Snap contestaram amplamente as conclusões do relatório, argumentando que seus recursos funcionam conforme o pretendido ou que os testes não representavam o uso típico das plataformas por crianças e adolescentes. O TikTok não respondeu ao pedido de comentário da CNN sobre o relatório. O YouTube e a Meta, empresa controladora do Instagram, também foram considerados responsáveis este ano por viciar e prejudicar intencionalmente jovens.

Todas as quatro empresas enfrentam milhares de processos judiciais com alegações semelhantes, que elas contestaram.

“Se você é pai ou mãe, deve saber que encontramos problemas sistêmicos no design e na implementação de muitos desses recursos”, afirma o relatório, publicado na segunda-feira. Para o Cybersafety Research Center, uma iniciativa conjunta da New York University e da Northeastern University, as descobertas mostram que os danos das redes sociais às crianças “não são hipotéticos, e que, quando ocorrem, as consequências podem ser irreversíveis”.

As conclusões colocam em xeque as afirmações das empresas de redes sociais de que grandes investimentos em novas ferramentas e recursos tornaram suas plataformas seguras para os jovens. E surgem em meio a uma renovada pressão por mais regulamentação federal das redes sociais, com executivos de algumas das principais empresas com previsão de serem convocados a depor no Capitólio novamente neste verão.

Os testes

Os pesquisadores criaram dois conjuntos de contas de teste — aquelas com datas de nascimento associadas a menores para testar recursos de segurança infantil, e contas adultas com 25 anos ou mais para testar restrições nas interações com crianças. Eles testaram se um jovem usando as plataformas normalmente encontraria os recursos, se um adolescente tentando contorná-los teria êxito e se um usuário adulto conseguiria burlar as restrições ao envio de mensagens para menores.

Os recursos foram classificados como falhas quando: estavam enterrados nas configurações e eram difíceis de encontrar, não funcionavam para prevenir danos conforme anunciado, ou ambos. Nove recursos também foram rotulados como “ausentes” porque os pesquisadores não conseguiram ativá-los mesmo quando tentaram. Por exemplo, comentários entre contas de adolescentes no Instagram que incluíam linguagem de bullying — como palavrões e “ninguém (sic) gosta de você” — não acionaram o aviso anunciado pela plataforma para o usuário repensar seu comentário.

O Instagram afirmou que o aviso “pause para repensar” não foi desenvolvido para aparecer quando o usuário que fez a publicação e o usuário que está comentando se seguem mutuamente.

“Para serem eficazes, os recursos de segurança precisam estar ativados por padrão ou ser fáceis de ativar, ser resistentes ao uso normal de adolescentes e devem comprovadamente proteger contra danos”, afirma o relatório.

O relatório não analisou recursos de controle parental, revisando apenas ferramentas que se aplicariam diretamente a crianças e adolescentes ou que poderiam ser ativadas por eles. As plataformas afirmam que os controles parentais também contribuem para a segurança dos jovens e dificultam que crianças e adolescentes contornem restrições de tempo e outros recursos.

O número de recursos disponíveis para teste variou por plataforma, sendo o Instagram o que tinha mais, com 29. As taxas de falha dos recursos por plataforma foram: Snapchat 73%, Instagram 66%, YouTube 55% e TikTok 50%.

Os recursos

As quatro plataformas afirmam bloquear a busca de conteúdo perigoso por crianças e, em vez disso, direcioná-las a recursos de apoio. Mas os pesquisadores constataram que, na prática, isso ficou aquém do esperado.

Após uma conta de teste do TikTok registrada em nome de um menor pesquisar material sobre transtornos alimentares e automutilação, a função de busca do aplicativo passou a sugerir termos como “como fingir que está comendo sua comida” e “pele lâmina de barbear”, de acordo com o relatório. Quando uma conta de teste infantil começou a digitar “transtorno alimentar” na barra de pesquisa do Instagram, o aplicativo ofereceu automaticamente termos de pesquisa alternativos com erros ortográficos deliberados que poderiam contornar as restrições de conteúdo. Erros ortográficos também funcionaram para contornar restrições no Snapchat.

Um porta-voz do TikTok afirmou que as configurações de contas para adolescentes do aplicativo “vêm com mais de 50 recursos e configurações de segurança predefinidos ativados automaticamente, com opções adicionais para os pais por meio da nossa ferramenta de Sincronização Familiar (Family Pairing), que é fácil de usar. Nossa revisão interna confirma que esses recursos estão funcionando conforme o previsto, e agradecemos a oportunidade de ajudar os autores deste relatório a entender melhor como nosso aplicativo funciona”.

Os pesquisadores classificaram as restrições de conteúdo de busca do YouTube como um sucesso. Mas eles disseram que os esforços do YouTube para redirecionar usuários jovens a recursos de apoio falharam porque um usuário criança poderia clicar para sair da tela restrita e continuar visualizando o conteúdo que havia pesquisado. O YouTube afirma que, se um adolescente dispensar essa tela de direcionamento de recursos, ele ainda verá apenas conteúdo classificado como seguro para sua faixa etária.

“Passamos mais de uma década construindo controles parentais líderes do setor, e é por isso que 84% dos pais que usaram as ferramentas de conta supervisionada do YouTube disseram concordar que essas ferramentas lhes dão confiança de que seus filhos estão acessando um ambiente digital mais seguro e controlado”, disse um porta-voz do YouTube em uma declaração sobre o relatório. “Continuaremos a fortalecer essas proteções e a inovar para proteger as famílias que usam o YouTube.”

Os pesquisadores também levantaram questionamentos sobre os esforços do Snapchat e do Instagram para bloquear o contato de adultos desconhecidos com usuários jovens por meio de mensagens. No Snapchat, pesquisadores que usavam uma conta de teste adulta disseram ter conseguido encontrar e enviar mensagens para uma conta infantil sem nenhuma restrição. A conta infantil “recebeu a solicitação de amizade e, ao aceitá-la, conseguiu visualizar o histórico de mensagens que o adulto havia enviado, sem nenhum aviso”, afirma o relatório.

No Instagram, os pesquisadores constataram que adultos que uma criança não seguia eram incapazes de iniciar conversas por mensagem com essa criança, dizendo que a restrição do aplicativo funciona conforme descrito. Mas eles argumentaram que o recurso é comprometido porque uma criança pode enviar mensagens para um adulto que ela não segue e o adulto pode então responder — sem restrições ou avisos.

O relatório aponta para um comunicado de imprensa de 2021 da Meta, que afirma que o Instagram restringe pessoas com mais de 19 anos de enviar mensagens privadas a adolescentes que não os seguem. “Constatamos que isso não é estritamente verdade; o adulto consegue enviar mensagens para uma criança sem restrições após o contato ter sido iniciado, mesmo que a criança não o siga de volta”, afirma o relatório.

A Meta disse à CNN que um adolescente que envia mensagens para um adulto que não o segue indica que o jovem deseja se conectar. Os pesquisadores afirmam ter alertado o Instagram e o Snapchat sobre as preocupações com mensagens de crianças e outras “vulnerabilidades críticas” antes de divulgar o relatório.

Os pesquisadores afirmam que alertaram o Instagram e o Snapchat sobre as preocupações com as mensagens de crianças e outras “vulnerabilidades críticas” antes de divulgarem o relatório.

Um porta-voz do Snapchat disse à CNN que a empresa se preocupa “profundamente com a segurança, a privacidade e o bem-estar de todos os Snapchatters, e nossas equipes trabalham há anos para construir salvaguardas, lançar tutoriais de segurança e fazer parcerias com especialistas… estamos continuamente avaliando e fortalecendo nossas proteções.” O porta-voz acrescentou que muitas das conclusões do relatório foram baseadas em “ações intencionais para contornar proteções que não são representativas da experiência típica do usuário.”

Muitas das plataformas também oferecem limites de tempo ou lembretes para “fazer uma pausa” a fim de evitar que crianças rolem o feed infinitamente. Mas no Instagram, no YouTube e no TikTok, o aviso que orienta os usuários a fazer uma pausa inclui uma opção de “adiar” o lembrete e voltar ao feed. A Meta e o YouTube afirmaram que o recurso funciona conforme o previsto e acrescentaram que os limites de tempo configurados por meio dos controles parentais não podem ser dispensados.

“Este relatório é fundamentalmente falho e demonstra uma incompreensão básica de como nossas ferramentas funcionam”, disse um porta-voz da Meta em comunicado. “Os autores incluem afirmações vagas de que nossos recursos estão com defeito, mas, na grande maioria dos casos, ou deturpam esses recursos ou deixam de fornecer exemplos ou evidências. A realidade é que, com as Teen Accounts, os adolescentes estão vendo menos conteúdo sensível, tendo menos contatos indesejados e passando menos tempo no Instagram à noite.”

A Meta argumentou que algumas das conclusões do relatório sobre recursos “ausentes” podem ter ocorrido simplesmente porque os pesquisadores não encontraram problemas que teriam acionado as ferramentas. Por exemplo, os pesquisadores disseram não ter visto nenhuma tela de aviso de “conteúdo sensível” em publicações potencialmente problemáticas; a Meta afirmou que nenhum conteúdo sensível pode ter aparecido em seus feeds.

Alguns recursos foram bem-sucedidos. Por exemplo, se usuários com menos de 13 anos tentarem se cadastrar em uma conta no TikTok, eles são automaticamente direcionados para uma experiência “TikTok para Usuários Mais Jovens”, que é somente de visualização e remove recursos potencialmente perigosos do aplicativo, como busca e mensagens.

Isso significa que as crianças não têm a oportunidade de tentar se cadastrar novamente com uma data de nascimento falsa e mais velha naquele dispositivo.

Contas de menores são automaticamente configuradas como privadas no Instagram, o que, segundo pesquisadores, “poderia encorajar os usuários a manterem contas privadas sem exigir que o usuário tome uma decisão informada”.

Esses avanços provam que é possível desenvolver recursos de segurança eficazes para jovens, afirmaram os pesquisadores. As empresas deveriam criar plataformas online mais seguras, buscando reduzir o risco geral, escreveram eles, “em vez de filtrar uma experiência perigosa”.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por giovanachrist

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