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Dados recentes do Google, apresentados no Anfavea Visions 2026, revelam que mais da metade dos consumidores brasileiros utilizam IA na compra de um automóvel. O Brasil, inclusive, supera a média global em adoção de IA generativa, que, ao organizar informações, comparar opções e ampliar o acesso a dados, incentiva o consumidor a pesquisar mais antes de tomar uma decisão, especialmente em uma compra de alto valor, como a de um automóvel.
Segundo o Google, 57% dos consumidores usam ferramentas de IA ao longo da jornada de compra, e 13% afirmam delegar parte das escolhas à tecnologia. Outros 31% utilizam essas ferramentas especificamente para comparar marcas.
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Na prática, a IA desloca o comportamento de busca. Em vez de partir de modelos ou montadoras, o consumidor passa a formular perguntas mais amplas, ligadas a uso e contexto, como custo de manutenção, adequação à rotina e perfil de uso. Isso tende a alongar a fase de consideração, já que mais alternativas entram na análise antes da decisão final.
Esse movimento acontece em um mercado ainda marcado por forte concentração de marcas e padrões de uso já consolidados. A plataforma de operações de mobilidade Machine revela dados sobre corridas de aplicativos que mostram que cinco montadoras dominam cerca de 80% das viagens analisadas: Chevrolet (20,94%), Volkswagen (19,08%) e Fiat (18,40%) mantêm uma boa margem de liderança, seguidas por Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%) em um segundo quadrante. Em seguida aparecem Ford (6,12%), Toyota (3,53%) e Nissan (1,15%).
Entre os veículos chineses, a presença já alcança quase 1 em cada 12 corridas, cerca de 8,3%, com destaque para a BYD, responsável por 7,12% das viagens. Este recorte indica que, mesmo com a ampliação das opções percebidas na fase de pesquisa, o uso cotidiano continua se concentrando em poucos fabricantes.
O Brasil aparece entre os mercados mais receptivos a essa mudança. Uma pesquisa Google/Ipsos com 21 mil pessoas em 21 países mostra que 54% dos brasileiros usaram IA generativa em 2024, acima da média global de 48%.
O país também registra 65% de percepção positiva sobre a tecnologia, e 60% acreditam em ganhos econômicos associados ao seu avanço. “Para os motoristas, a escolha do veículo está diretamente ligada à rentabilidade, e a adoção de carros eletrificados representa não apenas uma tendência tecnológica, mas uma estratégia econômica concreta para manter o lucro diante da crescente pressão por custos operacionais menores”, afirma Júlia Camossa, estatística responsável pela plataforma.
Esse comportamento é ainda mais relevante no setor automotivo, em que a decisão envolve múltiplas variáveis técnicas e financeiras. A inteligência artificial passa a funcionar como ferramenta de triagem e comparação, mas não reduz necessariamente o tempo de decisão, ampliando o volume de informações consideradas.
O próximo passo dessa transformação deve vir com os agentes de IA, capazes de executar tarefas de forma autônoma para o usuário. A projeção foi apresentada no mesmo evento por executivos do setor e inclui aplicações que vão desde o processo de compra até o pós-venda, com veículos conectados enviando dados diretamente a fabricantes e concessionárias.
Nesse cenário, a disputa midiática entre montadoras e varejistas deixa de ser apenas por atenção e passa a ser também por presença dentro dos sistemas de recomendação. A forma como marcas estruturam informação tende a ganhar mais peso do que a publicidade tradicional na influência da decisão final.
TópicosBYDChevroletFiatFordGoogleHyundaiInteligência ArtificialNissanToyotaVolkswagen
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por alexandremello
