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Um levantamento do InstitutoZ mostra que 58,4% da geração Z se declara fora dos padrões tradicionais de heterossexualidade e cisgeneridade.
Dentro desse grupo, 57,2% estão fora do espectro heterossexual na orientação sexual e 10,1% possuem identidades de gênero dissidentes, como pessoas trans, não-binárias, agênero e gênero fluído. Como as duas dimensões podem se sobrepor, parte dos respondentes aparece nos dois recortes.
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A pesquisa do InstitutoZ, núcleo de pesquisa da Trope-se, consultoria de novas gerações que atende marcas, ouviu mais de 6 mil pessoas da Genz brasileira. Considerando que a Geração Z engloba jovens entre 17 e 30 anos de idade.
O levantamento mostra que pessoas bissexuais aparecem como a principal orientação não-heterossexual da geração, sendo 31% da amostra. Além disso, também é possível identificar o crescimento de categorias que quase não apareciam em pesquisas geracionais anteriores, como pansexualidade, assexualidade e pessoas se descrevendo como queer.
O coordenador de marketing na Trope-se, Felipe Dilser, explica que a atual geração passou a nomear o que sempre existiu.
“Essas identidades não surgiram agora, mas ganharam visibilidade e vocabulário num ambiente digital onde comunidades se formaram e jovens começaram a se reconhecer ao se enxergar em outras pessoas, em criadores de conteúdo, páginas da internet, comunidades, festas e espaços onde essa comunidade pode ser quem é. Há mais repertório e referência queer para essa geração”, explica.
Felipe Dilser afirma ainda que ter mais acesso à informação sobre a comunidade LGBT+, fez com que os jovens exigissem o direito à dignidade e à luta de direitos.
“O Brasil segue sendo um dos países que mais mata pessoas LGBT+ no mundo. Então, quando falamos que essa geração lida com identidade com mais naturalidade, não estamos falando de um mundo mais seguro. Estamos falando de uma geração que entendeu que para além de existir, precisa de direitos, acesso, dignidade e oportunidade”
Desafios da Genz
Apesar da Geração Z ter maior facilidade para falar sobre diversidade, parte das pessoas LGBT+ relatam enfrentar uma vida mais ansiosa e menos linear.
Dentre a comunidade LGBT+, 33,5% das pessoas afirmam estar ansiosas com o que vem pela frente; 21,2% dizem se sentir perdidas; 40% relatam baixo conforto com a vida adulta; e apenas 18% apresentam alto conforto com a vida adulta.
Paula Cisneiros, antropóloga e head de pesquisa do InstitutoZ, explica que o grupo LGBT+ se compara mais com os pares e sente mais o peso de estar “atrasado”.
“Isso tem uma lógica: quando os marcos de referência da vida adulta são construídos em torno de trajetórias hétero-cis normativas (casamento, filhos, estabilidade linear), quem percorre outros caminhos tende a se ver como desviante da norma, mesmo que esteja construindo uma vida plena por outros meios. A comparação não é com uma realidade objetiva, mas com um script que nunca foi feito para esse grupo”, analisa a antropóloga.
Pensando nisso, a especialista pontua que não é que a geração Z não esteja amadurecendo, mas estes jovens vivem um amadurecimento cercado de comparações constantes.
“Estão amadurecidos, cansados e em busca de um horizonte que parece cada vez mais distante: casa, carro, estabilidade, sucesso financeiro e boa saúde mental. São pilares que são reconhecidos e se traduzem em ansiedade, pressão e cansaço”, explica ela.
De acordo com a especialista, ser adulto para essa geração é poder decidir sozinho, ganhar o próprio dinheiro, escolher o próprio caminho. No entanto, também é sentir o peso de ter que decidir certo, ganhar o suficiente e escolher rápido.
“O grande diferencial dessa geração, na minha opinião, é: ‘eu realmente quero isso?’. Desafiar o que está posto da geração anterior é algo comum, porém a GenZ rearranja, ressignifica e reorganiza o que faz sentido em busca de satisfação pessoal”, explica Paula Cisneiros.
Para a especialista, a percepção não é de falta de amadurecimento desta geração, mas da dificuldade constante de satisfação em diversas áreas. De acordo com ela, “nunca foi tão difícil ser adulto”.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por gabrielacarvalho
