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Enquanto os fãs de Christopher Nolan aguardam ansiosamente o lançamento, em 16 de julho, de sua versão de “A Odisseia”, um tipo diferente de entusiasta também está vibrando de antecipação: acadêmicos e outros devotos do mundo antigo.
Em universidades e escolas de ensino médio de todo o mundo, professores de estudos clássicos têm se preparado para o que esperam ser uma explosão no interesse dos estudantes por sua área. Enquanto isso, museus têm organizado eventos temáticos de “A Odisseia”, e clubes de leitura focados no conto clássico grego, liderados por acadêmicos, atingiram sua capacidade máxima. Pense nisso como o “Barbenheimer” do Departamento de Estudos Clássicos.
“Eu sabia que seria algo grandioso se Christopher Nolan estivesse dirigindo, e sempre que conseguimos fazer as pessoas falarem sobre o que estamos estudando em sala de aula, é emocionante para mim como educadora”, disse Jennie Luongo, professora de latim na St. Andrew’s Episcopal School em Austin, Texas, que também atua como presidente da American Classical League.
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Baseado no antigo poema épico de Homero, o filme é estrelado por Matt Damon como Odisseu, o rei de Ítaca, cuja jornada de 10 anos de volta para casa, após lutar na Guerra de Troia, é marcada por inúmeros encontros com seres míticos.
Dado o histórico de Nolan na criação de filmes de grande sucesso que dominam a cultura — incluindo “Oppenheimer” (2023), “A Origem” (2010) e sua trilogia “Batman” —, analistas de Hollywood preveem bilheterias massivas para “A Odisseia”, com alguns especulando que o longa deve ultrapassar US$ 1 bilhão em vendas mundiais.
Professores de Estudos Clássicos, cujo trabalho geralmente se concentra na história e cultura da antiga bacia do Mediterrâneo, esperam que muitos espectadores que assistirem ao filme se sintam inspirados a comprar um exemplar do poema original ou talvez até se inscrever em uma aula.
“Claramente, terá um impacto enorme e um público imenso”, disse Nina Papathanasopoulou, professora de estudos clássicos no College Year em Atenas e coordenadora de engajamento público da Society for Classical Studies. “Parece que pode ser uma maneira muito boa de reacender o interesse pelo mundo antigo.”
Outro sinal de que o filme já está gerando grande repercussão, pelo menos na mídia? Além dos debates online sobre o elenco, figurinos e sotaques mostrados nos trailers do filme, Emily Wilson — a classicista cuja tradução de 2017 de “A Odisseia” Nolan afirmou ter lido — está recebendo uma enorme onda de atenção.
“Com o lançamento do filme, estou inundada de perguntas de jornalistas”, disse Wilson à CNN.
Todo esse alvoroço não é sem precedentes. Após o lançamento de “Gladiador”, de Ridley Scott, em 2000, o New York Times notou um aumento na publicação de livros sobre o mundo antigo, um fenômeno que apelidou de “o efeito Gladiador”. O sucesso monumental daquele filme, que faturou mais de US$ 460 milhões e ganhou cinco Oscars, incluindo o de Melhor Filme, também deu início a uma onda de produções semelhantes, como “Alexandre” (2004), “Tróia” (2004) e “300” (2006), bem como séries de TV como “Roma” da HBO (2005-2007).
Russell Crowe em “Gladiador” (2000) • Divulgação/Universal
Acadêmicos também relataram que o fenômeno aumentou a quantidade de alunos em cursos clássicos. Agora, esforços estão em andamento ao redor do mundo para garantir que o filme mais recente de Nolan tenha o mesmo impacto.
Em Los Angeles, por exemplo, a equipe do Getty Museum planejou um dia inteiro de eventos no final de maio inspirado no filme, incluindo palestras, debates e uma seleção de apresentações de uma adaptação em ópera folclórica de “A Odisseia”. Na Austrália, uma importante livraria organizou um mês de palestras presenciais e online com a temática do texto, que deve culminar na exibição do filme de Nolan em um cinema de Melbourne. E no Reino Unido, filiais regionais da Classical Association têm focado em Homero em seus clubes de leitura, com planos também sendo considerados para uma exibição do filme para os membros.
“O filme já atraiu novos públicos para o nosso trabalho de caridade e eventos, e estamos entusiasmados com um maior engajamento”, disse Katrina Kelly, diretora de engajamento da associação. “Estamos ansiosos para ver a versão de Nolan em breve!”
Entre janeiro e maio, a equipe de Artes e Humanidades da UC Berkeley também aproveitou o próximo lançamento do filme de Nolan para anunciar um “clube de leitura épico para a história mais épica do mundo”, que contou com sete encontros online. Os organizadores esperavam um evento pequeno e íntimo, mas ficaram maravilhados quando mais de 1.300 pessoas de todo o mundo se inscreveram para participar.
Em fevereiro, a UC Berkeley recrutou Kim Shelton, uma de suas professoras de estudos gregos e romanos antigos, para fornecer nove minutos de comentários sobre os figurinos e cenários do filme quando o trailer foi lançado. E em abril, mais de 55 alunos e funcionários realizaram uma “Homeratona” no campus para ler a totalidade de A Odisseia ao longo de um período de 12 horas.
“Espero que haja uma explosão de interesse”, disse Shelton. “Estou dando minha aula sobre a Guerra de Troia neste semestre exatamente por esse motivo.”
Mais ao norte, os amantes da literatura antiga também estão se preparando para o pico de interesse. Robert Weir, presidente da Classical Association of Canada, lembrou que, após o lançamento de “Gladiador”, o número de estudantes em cursos introdutórios de civilização grega e romana na University of Windsor, onde ele é professor associado, praticamente dobrou para 250 a 300 alunos em comparação com poucos anos antes. Com o novo filme de Nolan saindo, “pode muito bem haver um aumento”, disse Weir.
Mas nem todos estão tão convencidos. O colega de Weir no programa de Estudos Gregos e Romanos da universidade, Max Nelson, disse que, embora não houvesse “dúvida” de que “Gladiador” trouxe um interesse renovado aos estudos clássicos entre os estudantes, a sequência de Scott em 2024 não causou nenhum ressurgimento que ele pudesse notar. Ainda assim, ele observou que “A Odisseia” já tem sido alvo de muito debate online, sinalizando uma forte paixão entre os devotos da cultura antiga.
“Minha previsão é que o filme não trará um grande número de novos alunos para nossos cursos, mas levantará muitas questões entre os curiosos”, disse Nelson. Ele planeja incluir o filme de Nolan nas próximas edições de seu curso, “O Mundo Antigo nas Telas”. “Será um ponto de referência útil para discussões em sala de aula sobre várias questões que envolvem a interpretação e recepção da poesia épica antiga”, disse Nelson.
Papathanasopoulou, da Society for Classical Studies, disse que sua organização já está planejando convidar o público para uma mesa-redonda de especialistas para discutir o filme quando se reunirem em sua próxima conferência anual em Boston, em janeiro. Ela afirmou que muitos de seus ex-alunos creditaram obras populares inspiradas nos clássicos — incluindo os livros e filmes de Percy Jackson e o Ladrão de Raios, bem como a franquia de jogos eletrônicos Hades — por abrir suas mentes para um campo que, no início, pode parecer elitista.
Papathanasopoulou vê o filme de “A Odisseia” como uma oportunidade semelhante. “Acho que muitos de nós percebemos que, se quisermos manter nosso campo vivo, temos que realmente nos envolver com as vozes contemporâneas, nos envolver de verdade com os artistas”, disse Papathanasopoulou.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Marina Toledo

