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O setor elétrico brasileiro deixou para trás o problema da escassez de investimentos privados e passou a enfrentar um novo desafio: o excesso de capital mal direcionado a segmentos que já não necessitam de incentivos. A avaliação é do presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini em entrevista ao programa Conexão Infra, da CNN.
Segundo ele, a expansão acelerada de fontes como a solar e a eólica, impulsionada por subsídios, acabou gerando um desequilíbrio entre oferta e demanda de energia.
“No passado, a grande questão era a falta de investimentos privados. O que estamos vivendo hoje no setor elétrico é o excesso do investimento privado mal direcionado justamente pelos sinais negativos de excesso de subsídios em segmentos que não necessitam mais, como energia solar e eólica”, disse.
Na avaliação de Tadini, o atual modelo de incentivos estimulou investimentos que foram importantes no passado, mas hoje não fazem mais sentido, pois estão acima da necessidade do sistema, contribuindo para uma sobreoferta de energia e para o aumento dos custos do setor.
Dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que, em 2025, os consumidores desembolsaram R$ 58,4 bilhões por meio da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo que reúne diversos subsídios do setor elétrico e é custeado pelos consumidores por meio das tarifas de energia.
Tadini também criticou o modelo de subsídios cruzados do setor elétrico. Segundo ele, parte dos incentivos concedidos à geração distribuída solar acaba sendo financiada por consumidores que não possuem painéis fotovoltaicos, especialmente os de menor renda. “Quem se beneficia da energia solar é subsidiado pelo consumidor de menor renda”, afirmou, ao defender uma revisão dos mecanismos de subsídios.
Na avaliação de Tadini, essas distorções decorrem do excesso de subsídios concedidos a diferentes segmentos do setor elétrico, que vão desde as fontes renováveis incentivadas para grandes consumidores, passando pela geração distribuída solar, até o carvão mineral. O executivo também fez ressalvas ao projeto que incentiva a geração de energia eólica em alto-mar (offshore).
Segundo ele, embora seja importante desenvolver essa tecnologia, este não é o momento para o Brasil avançar, diante do elevado custo dos investimentos, dos resultados aquém do esperado em alguns mercados internacionais e do potencial ainda disponível para expansão da geração em terra. Para Tadini, a prioridade deve ser corrigir as distorções já existentes no setor elétrico antes de criar novas frentes.
Outro efeito, segundo Tadini, é a necessidade de ampliar continuamente a rede de transmissão para escoar a geração de fontes intermitentes, elevando os custos do sistema elétrico. “O Brasil gasta muito em transmissão para trazer uma energia intermitente”, afirmou.
Na avaliação do presidente da Abdib, o problema central do setor deixou de ser a disponibilidade de recursos para investimento e passou a ser a qualidade das regras que orientam esses investimentos.
“O setor elétrico não é um problema de capital. É um problema de regulação.”
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por robsonrodrigues
