Acordo com Irã mostra fim da aliança dos EUA com Israel; entenda

Por CNN Brasil 21/06/2026 às 10:32

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O órgão iraniano responsável pelo Estreito de Ormuz anunciou que dispensará as taxas previstas para o uso do estreito durante um período de negociação de 60 dias, nos termos do memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos nesta semana.

O acordo, que prevê uma moratória de enriquecimento de urânio pelo Irã, é visto por analistas como um divisor de águas nas relações entre Washington e Tel Aviv.

Durante participação no videocast Fora da Ordem, o analista de internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, afirmou que o acordo representa o fim da aliança estratégica entre os Estados Unidos e Israel.

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Segundo ele, essa aliança era sustentada pela possibilidade de ambos os países atuarem militarmente juntos contra o Irã — algo que o novo memorando compromete os EUA a não fazer novamente.

Histórico nuclear iraniano e o contexto do acordo

Lourival destacou que acompanha a questão nuclear iraniana desde o início do século, tendo coberto o tema em viagens ao Irã em 2006, 2009, 2012 e 2018. Ele explicou que existe um decreto religioso de Ali Khamenei segundo o qual o Irã não pode possuir armas nucleares, por serem consideradas contrárias ao Alcorão por atingirem civis em massa.

No entanto, o país mantinha um programa nuclear subterrâneo que foi descoberto no início dos anos 2000, abalando a confiança do Ocidente.

O analista recordou que o acordo de 2015, conhecido como JCPOA, introduziu as inspeções mais rigorosas da história da Agência Internacional de Energia Atômica, garantindo que o Irã possuía apenas 300 quilos de urânio enriquecido a 3,67% — nível adequado apenas para geração de energia elétrica.

Quando os Estados Unidos romperam o acordo em 2018, o Irã passou a enriquecer urânio até 60%, acumulando 441 quilos nesse teor e 11 toneladas em algum grau de enriquecimento, o que fortaleceu significativamente sua posição negociadora.

Irã negociou em posição de força

De acordo com Lourival, o Irã chegou às negociações atuais em situação muito mais vantajosa do que em 2015.

“Nesse acordo, nessa negociação, o Irã estava em uma posição de muito mais força do que em 2015”, afirmou o analista.

Isso porque o país havia fechado o Estreito de Ormuz e acumulado quantidades expressivas de urânio altamente enriquecido. O resultado, segundo ele, foi um acordo muito mais favorável ao Irã — fato que tem gerado insatisfação entre republicanos considerados “falcões” em relação ao Irã e também em Israel.

O analista também ressaltou que o Irã aceitou diluir seus 441 quilos de urânio altamente enriquecido e fazer uma moratória de enriquecimento, mas não abriu mão de sua capacidade de enriquecimento, conforme previsto pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

As negociações dos próximos dois meses, segundo Lourival, “vão ser muito duras”, pois tratarão do substrato do programa nuclear iraniano.

Impacto estratégico no Oriente Médio

O primeiro parágrafo do memorando de entendimento estabelece que a soberania do Irã e do Líbano será respeitada e que forças estrangeiras serão retiradas das regiões do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Líbano. Para Lourival, essa cláusula tem implicações profundas.

“Isso significa o fim da aliança estratégica entre Estados Unidos e Israel, porque essa é uma aliança baseada na possibilidade, na ameaça de os Estados Unidos se juntarem a Israel para atacar o Irã”, declarou o analista.

Segundo ele, ao assinar o memorando, os Estados Unidos se comprometeram a não realizar mais esse tipo de ação conjunta, o que “pode mudar muita coisa estrategicamente no Oriente Médio”.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosAli KhameneiEstreito de OrmuzEUAFora da OrdemGuerra Oriente MédioIrãIsraelprograma nuclear


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

Conteúdo Original / Fonte: afonsobenites

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