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Brasil e Japão se enfrentam pela Copa do Mundo nesta segunda-feira (29), em Houston, nos Estados Unidos. Apesar do encontro no futebol, a relação entre os dois países não se limita ao esporte. O Brasil tenta há mais de 20 anos avançar na abertura do mercado japonês para exportação de carne bovina, uma das principais pautas do agronegócio brasileiro.
De acordo com dados do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), o Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, volume que representa aproximadamente US$ 4 bilhões por ano.
Desse total, cerca de 80% têm origem nos Estados Unidos e na Austrália, países que são fornecedores tradicionais do mercado japonês. No caso do Brasil, as negociações para exportação de carne bovina ao Japão seguem em andamento e o protocolo sanitário mais recente está em discussão há cerca de cinco anos.
O governo brasileiro, a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso) e a indústria exportadora trabalham para abrir o mercado japonês ao produto nacional, em uma negociação considerada estratégica pelo setor.
“O Japão é tratado como um destino premium, com alto nível de exigência sanitária e maior valor agregado. Atualmente, as importações japonesas de carne bovina estão concentradas em fornecedores tradicionais, como Estados Unidos e Austrália”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do Imea.
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Em março deste ano, o governo do Japão realizou uma auditoria sanitária presencial no sistema de defesa agropecuária brasileiro. A missão técnica japonesa avaliou o sistema de sanidade animal do país como parte do processo de análise de risco para eventual abertura do mercado à carne bovina brasileira.
Para o Brasil, maior exportador mundial da proteína, acessar esse mercado significaria mais do que ampliar volume. “A entrada no Japão representaria uma chancela de qualidade e sanidade em um dos mercados consumidores mais rigorosos do mundo. Para Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país e um dos principais exportadores nacionais de carne, a abertura criaria uma possibilidade concreta de diversificação comercial e valorização do produto”, afirma Cleiton.
A negociação ganhou força após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, condição sanitária considerada essencial para avançar em mercados mais restritivos.
Carne Suína e de Frango
Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), com base na Secex (Secretaria de Comércio Exterior), mostram que a carne de frango permanece como a principal proteína animal embarcada pelo Brasil ao Japão, enquanto a carne suína vem ampliando sua participação na pauta exportadora.
Em 2025, a carne de frango fresca, refrigerada ou congelada respondeu por 18,8% de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado japonês. Segundo os dados do MDIC/Secex, o produto gerou faturamento superior a US$ 1,03 bilhão, tornando-se o segundo principal item da pauta de exportações brasileiras para o Japão.
O desempenho ganhou ainda mais força em 2026. Entre janeiro e maio, a participação da carne de frango subiu para 20,5% do valor total exportado pelo Brasil ao Japão. Considerando as exportações brasileiras de US$ 2,4 bilhões no período, as vendas da proteína renderam aproximadamente US$ 492 milhões.
A carne suína também vem registrando avanço no mercado japonês. De acordo com os dados do MDIC/Secex, a proteína representou 4,7% das exportações brasileiras ao Japão em 2025, movimentando cerca de US$ 258,5 milhões ao longo do ano.
Nos cinco primeiros meses de 2026, a participação da carne suína aumentou para 7,5% da receita obtida com as exportações brasileiras ao Japão. O percentual corresponde a aproximadamente US$ 180 milhões em vendas entre janeiro e maio.
Café
O café também ocupa posição de destaque na relação comercial entre Brasil e Japão. De acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o Japão importou 2,647 milhões de sacas de 60 quilos de café brasileiro em 2025, volume 19,4% superior ao registrado em 2024. Com esse desempenho, o país asiático passou a ocupar a quarta posição entre os maiores compradores do café brasileiro.
A demanda japonesa por cafés de maior valor agregado também vem abrindo novas oportunidades para os exportadores brasileiros. Neste ano, a Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado) realizou a primeira exportação de café especial não torrado naturalmente descafeinado para o Japão.
Foram embarcadas 8,4 toneladas, equivalentes a 140 sacas de 60 quilos, pelo Porto de Santos (SP). Segundo a cooperativa, a operação fez parte de uma estratégia de reposicionamento comercial desenvolvida nos últimos três anos, que identificou o café descafeinado como um nicho promissor no mercado internacional. O volume embarcado supera, sozinho, as exportações anuais brasileiras de café não torrado descafeinado registradas em cada ano desde 2020.
Comércio bilateral
Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 11,5 bilhões. As exportações brasileiras para o Japão chegaram a US$ 5,5 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 6,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 562,6 milhões para o Brasil. O Japão ocupou a 10ª posição entre os principais destinos das exportações brasileiras.
Outros produtos também se destacaram na relação comercial. O Brasil exportou 12,63 milhões de toneladas de minério de ferro ao Japão, com receita de US$ 960 milhões.
No sentido inverso, o Brasil importou 95,78 mil toneladas de autopeças japonesas, somando US$ 1,15 bilhão, reforçando a força da indústria automotiva do país asiático.
Os dados mais recentes, referentes ao período de janeiro a maio de 2026, indicam mudança de tendência. As exportações brasileiras ao Japão somaram US$ 2,4 bilhões, alta de 11,9% na comparação anual. As importações também ficaram em US$ 2,4 bilhões, mas com queda de 8,6%.
Com isso, a corrente comercial chegou a US$ 4,8 bilhões e o Brasil registrou superávit de US$ 7,2 milhões no período.
Segundo dados consolidados de 2025 da Secex e compilados pelo IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), o estado do Mato Grosso exportou ao Japão 311,94 mil toneladas de farelo de soja, com receita de US$ 105,35 milhões. No mesmo período, as vendas de soja em grão somaram 223,40 mil toneladas, movimentando US$ 88,61 milhões.
Juntos, os dois produtos responderam por 535,34 mil toneladas embarcadas de Mato Grosso ao mercado japonês, com receita total de US$ 193,96 milhões.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por andressasimao
