Alemanha oferece tecnologia e faz evento sobre terras raras em Brasília

Por CNN Brasil 03/07/2026 às 13:33

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A Embaixada da Alemanha no Brasil realizou nesta sexta-feira (3), em Brasília, um encontro para discutir parcerias entre o país europeu e o Brasil no setor de terras raras, grupo de minerais considerados estratégicos para a transição energética, defesa, eletrônicos e tecnologias de ponta.

O evento contou com a presença do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, e reuniu representantes do governo brasileiro e do setor privado. Do lado brasileiro, participaram integrantes do MME (Ministério de Minas e Energia), do Ministério da Fazenda, do BNDES e da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)

A iniciativa faz parte de uma tentativa da Alemanha de se posicionar como parceira do Brasil em uma cadeia ainda pouco desenvolvida no país, mas cada vez mais disputada por grandes economias. A mensagem alemã é que o país pode contribuir não apenas como comprador de minerais, mas também com capital, tecnologia e articulação com empresas interessadas em projetos brasileiros.

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Durante o encontro, empresas com projetos de terras raras no Brasil fizeram apresentações a representantes alemães. Entre as companhias presentes estavam Aclara, Brazilian Rare Earths, Cabo Verde, Rare Earth Americas, St George Mining e Viridis Mining and Minerals. A maior parte desses projetos ainda está em fase de desenvolvimento, com diferentes estágios de pesquisa, licenciamento, testes metalúrgicos e estruturação financeira.

O foco foi discutir oportunidades de parceria, aproximar investidores e destravar conversas comerciais. Para o governo brasileiro, o tema é sensível porque o país tenta evitar repetir o modelo tradicional de exportação de minério pouco processado, defendendo maior agregação de valor em território nacional.

A aproximação ocorre em um momento em que a Europa tenta diversificar suas cadeias de suprimento de minerais críticos e reduzir a dependência da China, que domina etapas relevantes do processamento de terras raras e da produção de ímãs permanentes. Esses ímãs são usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

A Alemanha e a UE também tentam se diferenciar de outros potenciais parceiros do Brasil, especialmente os Estados Unidos. Embora Washington tenha ampliado o interesse por minerais críticos nos últimos anos, interlocutores brasileiros avaliam que a relação com os europeus têm avançado com menos ruído político e maior disposição para discutir transferência tecnológica e agregação de valor local.

Em determinado momento do evento, representantes da área de comércio e economia da Embaixada da Alemanha chegaram a mencionar a possibilidade de apoiar o projeto MagBras, voltado à produção de ímãs de terras raras no Brasil, e perguntaram qual tipo de apoio seria necessário para avançar com a iniciativa.

“Não vou chamar de preferência, mas temos mais proximidade (com a UE). Com algumas empresas, pensamentos, com algumas atitudes. Acho que a Alemanha tem essa liderança e capacidade de fazer essa articulação com vários fundos e empresas”, disse o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, durante o evento.

A fala reforça a leitura de que o governo brasileiro vê a parceria com a Alemanha como uma das possibilidades mais concretas dentro da estratégia de atrair capital estrangeiro sem abrir mão da industrialização local.

Um dos instrumentos que podem entrar nessa discussão é o German Raw Materials Fund, fundo alemão voltado ao apoio de projetos de matérias-primas críticas. O mecanismo, operado pelo banco público KfW em nome do governo alemão, pode participar de projetos de mineração, processamento e reciclagem desde que contribuam para a segurança de suprimento da indústria alemã e europeia.

Pelas regras do fundo, os aportes costumam ficar entre € 50 milhões e € 150 milhões por projeto e priorizam estruturas com contratos de fornecimento de longo prazo para unidades industriais na Alemanha ou na União Europeia.

Para empresas de terras raras no Brasil, a possibilidade de acessar capital europeu é vista como relevante porque o setor exige investimentos elevados antes da produção comercial.

A ofensiva alemã também ocorre depois de uma movimentação mais ampla da União Europeia no Brasil. Em junho, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, veio ao país para discutir minerais críticos, visitou projetos de terras raras e defendeu uma parceria capaz de combinar fornecimento de longo prazo, financiamento, transferência de tecnologia e processamento local. Em entrevista à CNN, Síkela afirmou que o bloco quer discutir novas formas de reduzir o risco dos projetos, inclusive mecanismos de preço que deem mais previsibilidade aos investidores.

Para o Brasil, a janela de oportunidade está na combinação entre potencial geológico, demanda internacional e disputa geopolítica por cadeias menos dependentes da China. Para a Alemanha, o interesse é garantir acesso a insumos essenciais para sua indústria, especialmente em setores como automóveis, energia renovável, equipamentos eletrônicos e defesa.

Apesar do interesse crescente, ainda há desafios relevantes. Projetos de terras raras dependem de licenciamento ambiental, comprovação de viabilidade econômica, domínio de rotas metalúrgicas complexas e contratos de venda que justifiquem o financiamento. A etapa de separação e processamento, em especial, é considerada um dos principais gargalos para transformar reservas minerais em cadeia industrial.

O evento em Brasília, portanto, funcionou como uma tentativa de aproximar a vitrine brasileira da necessidade alemã. Mais do que uma rodada institucional, a reunião buscou transformar o interesse geopolítico por terras raras em negociações concretas entre empresas, governo e possíveis financiadores.

 

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por gabrielgarcia

Conteúdo Original / Fonte: gabrielgarcia

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