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O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,16% em junho, desacelerando em relação ao 0,58% registrado no mês anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado veio abaixo das expectativas dos analistas de mercado e foi avaliado de forma positiva por especialistas.
Em entrevista ao CNN Money, Luís Otávio Leal, da G5, classificou o resultado como “irretocável”, tanto em quantidade quanto em qualidade.
Segundo ele, a surpresa positiva foi concentrada no grupo de alimentação, que registrou deflação, enquanto o mercado esperava uma variação positiva próxima de 0,20%.
“Normalmente a surpresa vem na direção da inflação de alimentos”, afirmou Leal, explicando que sinais anteriores, como o IPCA-15, já indicavam uma tendência de desaceleração nesse grupo.
Dois terços dos grupos desaceleraram
Leal destacou que a desaceleração não ficou restrita apenas ao setor de alimentos. Seis dos nove grupos que compõem o IPCA apresentaram queda em relação ao mês anterior, o equivalente a dois terços do índice.
Além disso, os chamados dados qualitativos — indicadores que medem a qualidade da inflação — também vieram abaixo do esperado e em desaceleração.
“Foi uma surpresa bastante positiva”, avaliou o economista. Até o acumulado em 12 meses, que ainda permanece acima do teto da meta, surpreendeu: a expectativa era de aceleração, mas o indicador acabou desacelerando.
Alívio temporário
Apesar do resultado favorável, Leal alertou que o cenário de inflação baixa deve ser passageiro.
Segundo ele, julho e agosto devem apresentar números ainda reduzidos — julho beneficiado pela continuidade da deflação nos alimentos, e agosto pelo chamado bônus de Itaipu, que deve levar a inflação a um patamar próximo de zero ou até negativo. No entanto, a partir de setembro, o quadro deve se inverter.
“A gente vai começar a ver números mais fortes de inflação”, afirmou Leal, citando o fim do efeito do bônus de Itaipu e o impacto do El Niño sobre o grupo de alimentação, que deve se estender até o início do ano seguinte.
Perspectiva para juros segue restrita
Questionado sobre os possíveis efeitos do resultado do IPCA sobre as decisões do Banco Central em relação à Taxa Selic e ao Copom, Leal foi cauteloso.
Para ele, um único número positivo não é suficiente para alterar a perspectiva de política monetária, especialmente diante de uma sequência anterior de resultados ruins e de fatores que devem pressionar a inflação à frente, como os efeitos do El Niño e medidas de incentivo ao consumo, que devem elevar a inflação de serviços no segundo semestre.
O acumulado em 12 meses ainda segue acima do teto da meta. “O espaço para que ele faça isso continua bastante restrito”, disse Leal sobre uma eventual retomada do ciclo de corte de juros.
Na avaliação do economista, o Banco Central deve manter os juros nas reuniões de agosto, setembro e novembro, retomando os cortes apenas em dezembro, após as eleições e com maior clareza sobre o cenário político.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.
