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Análise: A crise por trás da renúncia de Keir Starmer no Reino Unido

Por CNN Brasil Fonte: afonsobenites 23/06/2026 às 07:34
Análise: A crise por trás da renúncia de Keir Starmer no Reino Unido

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Keir Starmer anunciou sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, prometendo uma transferência de poder ordenada para um novo líder do Partido Trabalhista até, no máximo, setembro. A decisão foi tomada em uma tentativa de evitar o aprofundamento da instabilidade política no país.

Starmer afirmou que ouviu as críticas internas ao partido e concluiu que já não era a pessoa mais adequada para conduzir a legenda até as próximas eleições gerais, previstas para 2029. Com a saída, ele se torna o sexto primeiro-ministro que o Reino Unido perde desde o referendo do Brexit, cujo décimo aniversário é marcado justamente nesta terça-feira (23)

Trajetória e queda de Starmer

Starmer liderou os trabalhistas de volta ao poder após 14 anos, conquistando uma maioria de quase dois terços na Câmara dos Comuns. No entanto, não conseguiu completar dois anos no cargo.

A pressão sobre ele foi crescendo em meio ao descontentamento da própria base partidária, que esperava um governo capaz de reverter políticas de austeridade nos gastos e serviços públicos. Em vez disso, sua gestão ficou marcada por anúncios impopulares de aumento de impostos, seguidos de recuos diante das reações negativas da sociedade.

Starmer também provocou descontentamento ao adotar políticas migratórias mais restritivas, em um contexto de crescimento do partido Reform UK, de Nigel Farage, situado à direita do Partido Conservador britânico.

Sua liderança foi ainda mais desestabilizada após declarar que desconhecia que Peter Mandelson, indicado para a embaixada do Reino Unido em Washington, não havia sido aprovado na verificação de segurança necessária para pessoas com acesso a documentos sigilosos.

Mandelson acabaria deixando o cargo após revelações sobre sua proximidade com Jeffrey Epstein. As eleições municipais realizadas em maio sacramentaram o descrédito na liderança de Starmer, com os trabalhistas perdendo assentos tanto para o partido de Farage quanto para outras forças de esquerda.

O provável sucessor e os desafios à frente

Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, foi empossado na segunda-feira (22) como membro do Parlamento, condição necessária para se tornar candidato a premiê dentro do Partido Trabalhista.

Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia da FAAP e Relações Internacionais da FGV, ressaltou que a queda de Starmer em menos de dois anos é “algo sem precedentes” na história recente britânica, pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial.

O especialista apontou ainda que o Reform Party, de Farage, saltou de duas para aproximadamente 1.500 cadeiras nas eleições dos conselhos municipais, o que acendeu “o alerta definitivo entre os trabalhistas de que o Starmer não seria mais o líder adequado”.

Para Vieira, Burnham tem aprovação entre o eleitorado de regiões industriais em declínio e parece ser “o nome mais adequado para substituir o Starmer”. Contudo, o professor alertou que Burnham enfrentará o desafio de conciliar políticas sociais robustas com uma dívida pública que, pela primeira vez desde 1963, equivale a 100% do PIB britânico.

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Raízes históricas da crise

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna traçou um panorama histórico da crise britânica, apontando que o descontentamento popular remonta às reformas que transformaram Londres em um grande centro financeiro, mas provocaram a desindustrialização do interior do país.

“Eu percorri o interior da Inglaterra e vi essa pobreza de cidades fantasmas que já não recebiam mais esse excedente de riqueza”, relatou. A crise financeira de 2008 e 2009 agravou o quadro ao retirar de Londres a capacidade de compensar o empobrecimento das demais regiões, abrindo caminho para o Brexit quase uma década depois.

O analista avaliou que o problema é estrutural e vai além de lideranças ou partidos específicos. “Como é relativamente fácil derrubar o governo num sistema parlamentarista, nenhum governo que chega ao poder tem tempo suficiente para executar qualquer política que tenha algum efeito”, analisou.

Para o especialista, a espiral de instabilidade tende a continuar, com o risco de crescimento de discursos radicais tanto à direita, pelo Reform UK, quanto à esquerda, pelos Verdes, que também obtiveram cerca de 600 cadeiras nas eleições municipais recentes.

A saída mais estrutural, na avaliação do professor, seria um retorno do Reino Unido à União Europeia, embora esse processo seja “bastante complexo” e o próprio Burnham já tenha sinalizado que não pautará o tema em um eventual primeiro mandato.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosWilliam WaackKeir StarmerPolítica internacionalReino Unidoww


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

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