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Análise: Banco Central destaca incertezas no cenário fiscal do Brasil

Por CNN Brasil Fonte: afonsobenites 24/06/2026 às 08:33
Análise: Banco Central destaca incertezas no cenário fiscal do Brasil

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O BC (Banco Central) alertou para uma piora no cenário de inflação na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). A autarquia aponta o cenário externo, os estímulos ao consumo e a falta de contenção fiscal como fatores que pesam contra o combate à inflação, além de destacar a diferença entre as expectativas do mercado e as do governo.

Apesar de ter decidido cortar a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião mais recente, o Copom condicionou novas reduções dos juros a uma melhora nas projeções de inflação — perspectiva que, segundo os diretores da autarquia, não está no horizonte. O cenário para os preços piorou tanto para o ano corrente quanto para 2027 e 2028.

Riscos externos e internos

O Banco Central elenca a guerra no Oriente Médio, o El Niño e a desancoragem das expectativas entre os principais riscos externos. No âmbito doméstico, a autarquia cita a perda de energia no esforço de reformas estruturais de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública como fatores negativos.

Desde o início do ano, o governo já injetou quase R$ 190 bilhões em programas, subsídios e reforços orçamentários.

No debate sobre a expansão fiscal, a pesquisadora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e consultora econômica Tatiana Pinheiro destacou que o gasto tributário total orçado para o ano é da ordem de R$ 650 bilhões, sendo o Simples Nacional a maior subvenção dentro desse montante.

“O Simples é a maior subvenção dentro desse total de subvenções de 650 bilhões de reais”, afirmou Tatiana. Segundo ela, somando-se o Simples, crédito, subsídios e subvenções para o agronegócio, agroindústria e Zona Franca de Manaus, chega-se a quase 50% desse total.

O tamanho do ajuste necessário

Tatiana Pinheiro detalhou ainda o tamanho do esforço fiscal necessário para estabilizar a relação da dívida pública com o PIB, ponto ressaltado na ata do Banco Central.

Em suas estimativas, considerando a dívida pública no patamar atual de 80% do PIB, crescimento econômico em torno de 2% e uma Selic mais próxima de 10%, seria necessário um superávit primário de 2,5% do PIB.

“Até maio, o resultado primário era deficitário em quase 1% do PIB”, disse ela. “O tamanho do rombo que a gente tem que cobrir para conseguir estabilizar a dívida PIB é de 3,5% do PIB”, o que representa, segundo suas contas, cerca de R$ 450 bilhões.

A âncora da CNN Thais Herédia avaliou que o Banco Central enfrenta um cenário de crescimento acima da capacidade da economia, impulsionado pelos estímulos governamentais. “O governo vai dando um extra de oxigênio para a economia e o PIB vai crescendo, continua crescendo acima da sua capacidade”, afirmou.

Ela alertou que economistas apontam para maio ou junho do ano seguinte como o momento em que o governo não conseguirá mais sustentar esse ritmo, e que as taxas de juros futuros até 2036 continuam em 14%. “A conta que a gente vai pagar é que, para financiar essa dívida desse tamanho, a gente vai conviver com juros altos por muito tempo”, disse Thais.

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Cenário político e perspectivas eleitorais

A analista de Política da CNN Jussara Soares avalia que os técnicos da área econômica demonstram preocupação, mas não estão sendo ouvidos neste momento. “Inclusive, estão silenciados. A história agora é palanque eleitoral”, afirmou.

Jussara relatou que, desde 20 de maio, tem sido feito um anúncio por dia, com viagens a um estado a cada quatro dias, com o objetivo de acelerar os anúncios até o dia 4 de julho, quando entraria em vigor a trava eleitoral.

Jussara Soares acrescentou que a equipe do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, atribui a melhora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais, em parte, ao volume de anúncios realizados.

A oposição, segundo ela, já identificou nos riscos gerados pela expansão dos gastos uma possibilidade de confrontar o governo na campanha pela questão econômica. “Aqueles que podem falar desses riscos a partir do ano que vem não estão sendo ouvidos agora, porque a questão agora é a reeleição”, concluiu.

Inflação e pressão do petróleo

Sobre as perspectivas inflacionárias até as eleições, Tatiana Pinheiro avaliou que parte da pressão sobre os preços decorre da alta do petróleo, ligada às incertezas no conflito do Oriente Médio e à situação no Golfo Pérsico.

Ela observou que o petróleo, que iniciou o ano a US$ 65 o barril, segue na casa dos US$ 80, gerando pressão inflacionária sobre combustíveis, plásticos e derivados químicos. “Daqui até a eleição, o que eu vejo é aceleração inflacionária, é uma inflação salgada”, disse Tatiana.

A inflação de maio ficou em 0,50%, patamar que ela considera acima da meta de 3% e do teto da banda de flutuação de 4,5%, com risco de ainda mais pressão à frente.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

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