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Com a doutrina de Segurança Nacional dos Estados Unidos, anunciada no ano passado, houve uma clara indicação de que as Américas e o hemisfério Ocidental são os centros da atenção americana. É a consagração do corolário Trump para a doutrina Monroe deixando as Américas no centro do tabuleiro geopolítico mundial.
Isso ocorre por quatro fatores principais. O acesso a recursos naturais indispensáveis para o crescimento americano – incluindo terras raras e energia -; o combate ao crime organizado transnacional na região; o refreamento aos fluxos migratórios; e a necessidade de se contrapor à presença da China na região – que se torna cada vez mais forte com investimentos, comércios e parcerias estratégicas.
A maioria dos países das Américas tem mudado de alinhamento nos ciclos eleitorais recentes, ganhando governos mais alinhados com a Casa Branca de Donald Trump. São os casos de Colômbia, Chile e Peru, que elegeram presidentes de direita.
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O Brasil, no entanto, é um dos poucos que ainda tem uma postura de contraposição, de evitar se submeter à indicação política dos EUA. Nesta semana, houve a audiência pública de um processo comercial chamado Seção 301, que revisa práticas de comércio que podem ser consideradas desleais.
No caso brasileiro, ele teve a ver com plataformas digitais, o Pix, desmatamento e produtos que concorreriam em condições ilegais com os americanos.
A audiência foi levada a cabo em Washington. Participaram representantes de empresas brasileiras, de associações produtivas nacionais e outras figuras. Eles defenderam pontos de vista, muitas vezes, alinhados com interesses dos setores privados dos EUA que compram esses produtos possivelmente afetados pelas tarifas americanas.
Essas mercadorias, que podem sofrer com taxas de importação de 25%, são essenciais para o público dos EUA. Isso porque, em muitas delas o Brasil é o melhor fornecedor (ou o único), ou, então, onde o país participa de cadeias produtivas de interesse da Casa Branca.
A política comercial de Trump tem a ver com o tabuleiro geopolítico das Américas. E, caso os Estados Unidos queriam estabelecer uma parceria saudável, mutuamente benéfica com o Brasil, precisa entender as necessidades dos brasileiros. Caso contrário, correm o risco de perder a predominância dessa relação para a China.
*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de Projetos Especiais e de Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.
TópicosWilliam WaackEstados Unidostarifaço de Trump
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por danilocruz
