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Análise: Programa nuclear desafia acordo duradouro entre EUA-Irã

Por CNN Brasil Fonte: afonsobenites 24/06/2026 às 07:33
Análise: Programa nuclear desafia acordo duradouro entre EUA-Irã

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As negociações entre os Estados Unidos e o Irã para um acordo definitivo enfrentam obstáculos significativos, sobretudo em torno do programa nuclear iraniano.

Para o professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) Eduardo Migon, ao WW, o memorando de entendimento assinado recentemente é marcado por cláusulas frágeis e abertas, o que torna o processo altamente instável nos próximos 60 dias.

As versões dos dois países sobre o que foi acordado são completamente opostas. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Irã concordou com a visita de inspetores nucleares da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) a instalações danificadas pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel, acrescentando que, sem essas inspeções, não há razão para continuar as negociações.

Trump disse ainda que o dinheiro liberado ao Irã por meio do alívio das sanções contra o país deve ser usado apenas para a compra de alimentos ou suprimentos médicos de origem americana. O representante do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahreini, por sua vez, descartou qualquer influência americana sobre os recursos financeiros eventualmente liberados ao país.

Questão nuclear como fator de soberania e sobrevivência

Na avaliação de Migon, a questão nuclear é, essencialmente, uma questão de soberania e de sobrevivência na perspectiva do regime iraniano. “A questão nuclear é uma ameaça e uma questão existencial para Israel, que também é um parceiro dessa equação”, afirmou.

Segundo ele, os Estados Unidos pretendem construir uma narrativa de vitória no processo e, para isso, precisam neutralizar qualquer aspecto da questão nuclear. “Esses três pontos de vista não convergem assim tão facilmente”, destacou.

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna apontou que o Irã tem interesse em manter a ambiguidade sobre a quantidade de urânio altamente enriquecido que ainda possui. Instalações como Fordow, Isfahan e Natanz foram bombardeadas, e a AIEA não tem visibilidade do status dos 441 quilos de urânio altamente enriquecido que estavam nessas localidades.

“O tamanho da concessão do Irã para os Estados Unidos é proporcional a quantos quilos de urânio ele realmente ainda tem”, explicou, ressaltando que manter essa opacidade é vital para o Irã enquanto as negociações sobre o alívio das sanções americanas avançam.

Estreito de Ormuz e tensões adicionais

Outro ponto de tensão crescente nas negociações diz respeito ao Estreito de Ormuz. O memorando de entendimento prevê que o Irã manterá conversas com Omã para definir a administração da passagem após a conclusão do acordo final.

Irã e Omã emitiram nota conjunta anunciando a criação de um grupo de trabalho para definir quais serviços serão prestados pelos dois países na passagem e quais serão os custos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em viagem por países árabes, frisou que o Irã não pode impor cobranças pelo trânsito em Ormuz.

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Senado americano pressiona Trump

No cenário doméstico americano, o Senado dos Estados Unidos adotou uma resolução determinando que as operações militares em relação ao Irã sejam encerradas ou que o presidente busque autorização no Congresso para continuá-las.

Embora a resolução não tenha força de lei, Migon avaliou que o movimento é politicamente significativo. “Esse conflito teve um índice de aprovação extremamente baixo de todos os conflitos americanos”, disse, acrescentando que o impacto econômico da guerra nos Estados Unidos é considerável, com destaque para o preço dos combustíveis.

Para que a resolução fosse aprovada, quatro senadores republicanos votaram contra o presidente. Lourival Sant’Anna destacou que esse fato é relevante porque é no Senado que o orçamento é votado.

“Mostra que sobre esse tema, o presidente Trump não tem maioria no Senado e vai precisar dessa maioria para aprovar a dotação orçamentária extraordinária para repor os recursos gastos na guerra, calculados em US$ 80 bilhões”, afirmou. Segundo ele, os quatro senadores “demonstraram coragem e que não estão mais com medo de Donald Trump”.

Risco de retomada das hostilidades

Questionado sobre o risco de uma retomada das operações militares americanas, Migon alertou que a Guarda Republicana iraniana opera de forma descentralizada, o que torna possível que alguma célula conduza uma ação e gere baixas americanas significativas.

“Isso é um cisne negro que pode acontecer e retomar essas hostilidades”, afirmou. Ele também chamou atenção para a capacidade iraniana em mísseis, lembrando que o Irã realizou lançamentos contra a ilha de Diego Garcia, a 4 mil quilômetros de distância, o que significa que toda a Europa está ao alcance do sistema de mísseis de cruzeiro e dos mísseis hipersônicos iranianos.

Para Migon, é fundamental resgatar a legitimidade da Agência Internacional de Energia Atômica para que ela possa estar mais presente em campo.

“Ela vem desacreditada pelos Estados Unidos e desacreditada pelo Irã, mas é parte importante para resolver essa equação”, concluiu, alertando que a combinação do programa nuclear com a capacidade de mísseis representa um risco para toda a sociedade.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosWilliam WaackDonald TrumpEstados UnidosGuerra Oriente MédioIrãOriente Médioww


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

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