ContilNet Notícias
Notícias

Análise: Tesouro Nacional vê meta fiscal do país inalcançável até 2030

Por CNN Brasil Fonte: afonsobenites 02/07/2026 às 08:32
Análise: Tesouro Nacional vê meta fiscal do país inalcançável até 2030

Compartilhar matéria

O Tesouro Nacional acendeu um alerta para o futuro das contas públicas brasileiras. O novo relatório de projeções do órgão indica que, se nenhuma medida adicional for adotada, o governo federal não cumprirá o piso da meta fiscal entre 2028 e 2030, e estará sem condições de ampliar investimentos.

Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, destacou ao WW desta quarta-feira (1º) que o cenário desfavorável descrito pelo Tesouro foi construído sobre hipóteses bastante otimistas.

“Que o PIB vai crescer ano após ano acima de 2,5% que a taxa de juros vai desabar e, lá no futuro, vai estar em3% real, quando hoje está em 9%, e que a inflação vai estar super controlada e convergir para a meta. E mesmo com esse cenário cor-de-rosa, a conta não fecha“, ressaltou o pesquisador.

Mendes descreveu ainda uma dinâmica desequilibrada entre receitas e despesas. Segundo ele, desde o início do atual governo até o que está projetado para o final do ano, a receita terá crescido 16% em termos reais, enquanto a despesa terá crescido 22%. “É um jogo de gato e rato em que a receita nunca consegue alcançar a despesa“, avaliou.

Mesmo em um cenário de brutal aumento de receita (crescendo 0,8%, depois 1,2% e depois 1,6% do PIB), a dívida saltaria de 81% para 88% do PIB. Em projeções elaboradas pela instituição fiscal independente ou pelo mercado, a dívida poderia disparar para 125% do PIB, sem perspectiva de estabilização.

Origens do descontrole fiscal

A analista de Economia Thais Herédia apontou que há, segundo ela, uma situação de “negação da realidade” por parte da equipe econômica. Para ela, o descontrole tem origem nas mudanças promovidas pelo governo para pagar o aumento real do salário mínimo e ampliar os pisos da saúde e da educação.

“A volta dessas duas medidas acabou incitando o desejo de várias categorias e de vários setores do setor público de também querer o orçamento vinculado à Receita”, afirmou. Ela acrescentou que o governo retomou políticas “claramente insustentáveis” do ponto de vista da sustentabilidade das contas.

Ela também criticou o fato de que os pacotes do governo não entram no cômputo da meta fiscal por estarem nas exceções, enquanto o Congresso Nacional faz os seus próprios pacotes, “de pior qualidade”.

Mendes complementou que o governo tem utilizado “muita criatividade para gastar por fora do Orçamento”. “Medidas tomadas tomadas na metade do ano passado para cá já têm um impacto de mais de 1,5% do PIB em termos de expansão de despesa fora do Orçamento. O governo que está sempre reclamando de ‘herança maldita’ está deixando uma herança bem pesada”, disse.

Campanhas evitam ajuste fiscal

O diretor de jornalismo da CNN em Brasília Daniel Rittner descreveu como as principais campanhas presidenciais estão lidando com o tema.

No campo da oposição, o economista Adolfo Sachsida, apontado como um dos principais conselheiros da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para assuntos econômicos, divulgou uma proposta de PEC de consolidação fiscal que prevê um teto para a relação dívida-PIB, com perspectiva de estabilização em um a três anos.

No governo Lula, há uma consciência crescente de que algum tipo de ajuste precisará ser feito, mas, segundo Rittner, a dose seria “muito mais suave”.

O Palácio do Planalto teria pedido ao ministro do Planejamento e Orçamento Bruno Moretti que começasse a pensar em medidas, que não viriam antes das eleições. A linha provável seria reduzir o crescimento real dos gastos do patamar atual de até 2,5% para algo entre 1% e 1,5%.

Rittner observou que temas como reforma da Previdência, limitação de incentivos fiscais, desvinculação dos pisos de saúde e educação e a relação entre aposentadoria e salário mínimo não estão sendo tratados publicamente por nenhuma das duas campanhas.

“Não há um sincericídio e não há uma discussão durante a campanha do que é preciso fazer em termos de contas públicas”, afirmou.

Risco de crise fiscal

Questionado sobre o timing de uma eventual crise, Mendes afirmou que há sempre uma certa elasticidade, e que condições internacionais favoráveis, como juros baixos nos Estados Unidos e dólar desvalorizado, podem ajudar a empurrar o problema para frente.

No entanto, ele alertou que qualquer mudança de cenário desfavorável aos países emergentes pode gerar um problema muito sério. “Uma crise sempre demora mais a acontecer do que você imagina, mas quando ela acontece ela é mais rápida do que você estava esperando”, citou.

Sobre o comportamento dos investidores, Mendes avaliou que o mercado está sendo “leniente“, aproveitando as condições enquanto a situação se mantém administrável.

Ele também criticou o TCU (Tribunal de Contas da União) por ter sido “completamente leniente” com relação às operações extra-orçamentárias do governo, quando deveria ter exigido que tudo fosse incorporado ao orçamento. “A gente não vê as instituições se organizando para mudar esse quadro”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais

Siga noSiga no Forum InterTópicosWilliam WaackTesouro Nacionalww


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

Sair da versão mobile