Analistas veem emprego ainda aquecido e BC sem espaço para corte de juros

Por CNN Brasil 30/06/2026 às 02:32

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O comunicado da última decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) foi recebido pelo mercado como um balde de água fria.

Ao cortar os juros em 0,25 ponto pela 3ª vez e reduzir a Selic a 14,25% ao ano, o BC (Banco Central) foi confuso e deixou cenário incerto, segundo economistas e analistas do mercado financeiro.

Desde então, cada pronunciamento e divulgação de dado macroeconômico tem sido acompanhado com atenção pelos investidores. Nesta terça-feira (30), não será diferente com a divulgação do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

O comportamento do mercado de trabalho fala diretamente com o rumo dos juros.

O Caged pode mexer com os preços do mercado, principalmente na curva de juros, se vier muito fora do consenso. Mas, para mudar de verdade a trajetória da política monetária, seria preciso uma sequência de dados mostrando uma desaceleração mais clara do mercado de trabalho e da inflação, explica Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital.

Porém, hoje, a história principal continua sendo outra: “o mercado de trabalho segue apertado, a inflação segue desconfortável e o Banco Central não tem espaço para baixar a guarda”, pontua o economista.

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A mediana do mercado apontam para um saldo de 130 mil vagas de empregos formais, o que apontaria um panorama de continuidade de um mercado de trabalho formal aquecido, tal como foi mostrado pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, que trouxe a população ocupada – formal e informal – resiliente.

O indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apurou que a taxa de desemprego foi de 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor resultado para o mês de maio desde o início da série histórica da Pnad Contínua.

Apesar de ainda aquecido, há expectativas de que o mercado de trabalho dê sinais de arrefecimento.

“Esperamos um mercado de trabalho com menor dinamismo na margem. Nossa projeção é de taxa de desocupação a 5,7% ao fim do ano, 0,1 ponto percentual acima da observada na última leitura da PNAD, portanto, esperamos um mercado de trabalho essencialmente de lado até o fim do ano”, indica André Valério, economista sênior do Inter.

“Não antecipamos um cenário de desaceleração abrupta da atividade e do mercado de trabalho, mas vemos sinais nas leituras dos últimos meses de que o pico do mercado de trabalho já foi alcançado.”

Nesse sentido, “a não ser que tenhamos uma surpresa muito positiva no Caged”, Valério ressalta que não vê o Caged interferindo com o rumo da política monetária.

Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, entende que a resiliência do mercado de trabalho já está bem precificada pelo mercado.

“Dito isso, salvo um resultado muito acima do esperado, com aceleração dos salários e crescimento das demissões a pedido do trabalhador buscando novo recorde histórico, não esperamos mudança nas expectativas sobre a evolução da taxa de juros por causa do resultado do Caged”, conclui.

Ainda assim, o alerta segue para um cenário inflacionário e, consequentemente, de juros incertos.

“Acreditamos que o BC deve interromper este ciclo de afrouxamento na próxima reunião, ainda que exista o risco de seguir com cortes de 0,25 pp, ao incorporar preços do petróleo menores do que o último Relatório de Política Monetária sinalizou que a autoridade monetária tem nos seus modelos. Do ponto de vista normativo, entendemos que, sem a contribuição da política fiscal, não restaria ao BC outro caminho senão sinalizar a perspectiva de aumentar o aperto monetário”, pontua Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro e head de macroeconomia do ASA.

A expectativa por pausa também é compartilhada por Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, que ressalta “a combinação de cenário interno desafiador e expectativas desancoradas tende a levar à pausa”.

No boletim Focus do dia 22 de junho, o mercado financeiro elevou a previsão para os juros neste ano e agora prevê a Selic em 14% ao final de 2026.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por joaonakamura

Conteúdo Original / Fonte: joaonakamura

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