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A fabricante de equipamentos austríaca Andritz aposta que os recentes contratos firmados com Copel e Áxia, além da possibilidade de novos leilões de transmissão e de reserva de capacidade e as exportações apontam para o início de uma retomada da indústria nacional de equipamentos, após anos de baixa demanda por novos projetos.
Em entrevista à CNN, o CEO da empresa, Dieter Hopf, afirmou que os novos contratos permitirão elevar a utilização da fábrica em Araraquara (SP) para cerca de 60% de sua capacidade instalada, exigindo investimentos em modernização e a contratação de novos funcionários.
A Andritz fechou parceria com a Copel no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em março deste ano. O projeto prevê a expansão das hidrelétricas de Segredo e Foz do Areia, adicionando mais de 2,1 GW à capacidade instalada da companhia paranaense. Ao final das obras, a capacidade de geração da Copel deverá passar de 6,2 GW para 8,3 GW, crescimento de aproximadamente 33%. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 5 bilhões.
“Nossa esperança é que o Brasil viva a retomada da indústria de equipamentos hidrelétricos. O leilão de reserva de capacidade foi o primeiro, mas estamos aguardando novos leilões. Há usinas com potencial para aumento de capacidade”, afirmou.
Segundo Hopf, no passado a empresa já chegou a operar com capacidade próxima de 1 milhão de horas/homem por ano, mas a redução dos investimentos em geração hidrelétrica e a falta de novos leilões provocaram forte retração da atividade industrial.
Com os novos contratos, a companhia deverá ampliar sua estrutura produtiva. Inicialmente, cerca de 200 profissionais serão contratados. A estimativa da empresa é de que cada incremento de 100 mil horas-homem demande aproximadamente 70 novos trabalhadores.
O executivo afirmou que a Andritz ainda possui capacidade para atender novos projetos e espera que novos leilões de reserva de capacidade sejam realizados em 2027 ou 2028, abrindo espaço para outras ampliações de usinas hidrelétricas.
Segundo a Abrage (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica), o país possui potencial para acrescentar cerca de 11 GW ao sistema por meio da ampliação da capacidade de usinas hidrelétricas já existentes. Em equivalências energéticas, o montante equivale a potência da usina de Belo Monte.
Além da geração, a empresa também vê oportunidades no segmento de transmissão. No último leilão de transmissão, a Andritz fechou o fornecimento de equipamentos para a Áxia (antiga Eletrobras). O executivo confirmou que pretende fornecer equipamentos para empresas interessadas em disputar o próximo leilão de transmissão da Aneel, previsto para outubro, que estima investimentos de R$ 8,9 bilhões.
A companhia também acompanha a discussão sobre usinas hidrelétricas reversíveis. A tecnologia utiliza dois reservatórios em diferentes níveis para armazenar energia e é considerada pelo setor uma alternativa de armazenamento em larga escala, funcionando como uma “bateria natural”.
Embora parte do mercado avalie que esse segmento deva avançar apenas na próxima década, devido à necessidade de regulamentação específica, Hopf afirmou acreditar que esse marco regulatório poderá ser definido em um prazo mais curto.
Além do mercado brasileiro, a Andritz exporta equipamentos produzidos no país para projetos nos Estados Unidos, Canadá e outros países da América Latina. Nos próximos dias, a empresa deve anunciar mais um novo contrato.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por robsonrodrigues



