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Ao refletir sobre os 250 anos da experiência republicana dos Estados Unidos, o historiador Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), afirmou que o principal legado dos fundadores do país foi a preocupação em evitar a concentração de poder que pudesse levar ao fim da República.
Em entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil, Moita destacou que esse temor estava presente não apenas na Constituição americana, mas também nos textos que ajudaram a moldar sua interpretação.
“Ficou o gosto que eles tinham — e que dava enorme preocupação quando escreveram os textos que até hoje a gente lê em relação à Constituição dos Estados Unidos, não à Constituição em si, mas àquele monte de textos que aderem à Constituição. A grande preocupação era justamente essa: evitar que o sistema, que a República, virasse um regime imperial”, afirmou.
Segundo o historiador, a formação clássica dos chamados “pais fundadores” influenciou diretamente essa visão.
“Eles tinham uma educação clássica muito forte. Sempre pensavam em termos de Roma ou da Grécia. As pessoas se esquecem um pouco disso hoje, mas a ideia de que acaba a República e começa um regime imperial era justamente o perigo que eles buscavam evitar”, disse.
Na avaliação de Moita, esse receio ajuda a compreender aspectos da política americana contemporânea, especialmente durante a presidência de Donald Trump.
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“Talvez a gente veja, em certa medida, um traço na presidência Trump de, por um lado, um bonapartismo, quando você tem um secretário de Defesa como o Hegseth [Pete], que exige da liderança militar não uma liderança hábil e competente, mas uma liderança fiel ao líder. E, por outro lado, um certo cesarismo”, explicou.
Para o professor, a crise da República Romana — considerada pelos fundadores americanos como um exemplo a ser evitado — pode oferecer paralelos com o momento atual dos Estados Unidos.
“A crise da República Romana era o exemplo temido pelos pais fundadores, mas talvez seja uma versão americana dessa crise que a gente esteja observando agora”, ressaltou.
Moita também argumentou que o fortalecimento do Poder Executivo dos EUA ao longo das últimas décadas reduziu o protagonismo do Congresso norte-americano na condução da política externa e das decisões militares.
“Da Coreia [do Norte] até o Irã, a gente observa a utilização da força, muitas vezes passando por cima do Congresso, ou colocando o Congresso em um papel apenas de mero carimbador das vontades do Executivo americano”, pontuou.
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Segundo ele, mais do que uma “presidência imperial”, o país passou a conviver com um Executivo cada vez mais fortalecido. “Talvez, mais até do que a presidência imperial, o Executivo americano tenha se tornado imperial. Há uma questão de tecnologia política nisso, no sentido de que existe uma complexificação do Estado no século XXI, mas também um processo no qual o Congresso foi paulatinamente deixando espaço para o Executivo”, destacou.
“E, como a gente muito bem diz, na política não existe vácuo: alguém sempre ocupará esse vácuo. No caso, os presidentes americanos ocuparam esse espaço”, acrescentou Moita.
Apesar desse cenário, o historiador avalia que as instituições dos Estados Unidos continuam capazes de enfrentar pressões sobre o sistema político. “Eu acho que o experimento americano ainda tem força para resistir mesmo a um presidente como Trump”, concluiu.
WW Especial
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*Publicado por Jorge Fernando Rodrigues
TópicosWilliam WaackDonald TrumpPete HegsethWW Especial
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por jorgefrodrigues
