O ex-subchefe de assuntos jurĂdicos da PresidĂȘncia da RepĂșblica Renato de Lima França negou nesta sexta-feira (30) ter recebido do ex-presidente Jair Bolsonaro pedido para elaboração de estudos para implantação de medidas golpistas apĂłs o resultado das eleiçÔes de 2022.

França prestou depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como testemunha de defesa de Bolsonaro na ação penal da trama golpista. O ex-subchefe era um dos conselheiros jurĂdicos do ex-presidente.
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Perguntado pelo advogado de Bolsonaro se o ex-presidente solicitou algum estudo ou aconselhamento para implantação de medidas de estado de sĂtio, de defesa ou operaçÔes de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), França respondeu que nunca foi consultado sobre os temas.
“NĂŁo, nada, nem solicitação de estudo. Nada desses temas foi demandado pelo presidente a minha pessoa”, afirmou.
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Acampamentos
O ex-comandante do Comando Militar do Planalto (CMP) general Gustavo Henrique Dutra tambĂ©m prestou depoimento na tarde de hoje na condição de testemunha do ex-ministro da Justiça e ex-secretĂĄrio de Segurança PĂșblica do Distrito Federal Anderson Torres, um dos rĂ©us da ação penal da trama golpista.
O general confirmou que participou de uma reuniĂŁo, no dia 6 de janeiro de 2023, com o entĂŁo secretĂĄrio para pedir ajuda na retirada de pessoas em situação de rua do acampamento golpista que estava montado em frente ao quartel do ExĂ©rcito, em BrasĂlia.
Para o militar, a reuniĂŁo foi um “um cafezinho de cortesia” com Anderson Torres. Naquele momento, segundo ele, o acampamento estava esvaziado, e cerca de 200 pessoas em situação de rua estavam no local.
âMostrei que o acampamento estava esvaziado. Havia 200 pessoas, eram pessoas em situação de rua e pedi apoio da secretaria”, completou.
Os depoimentos das testemunhas de defesa do NĂșcleo 1 da trama golpista serĂŁo encerrados na prĂłxima segunda-feira (2). O Ășltimo a depor serĂĄ o senador RogĂ©rio Marinho (PL-RN), testemunha de Bolsonaro. AtĂ© o momento, cerca de 50 testemunhas foram ouvidas.
Em março deste ano, Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista passaram a responder a uma ação penal pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça e deterioração de patrimĂŽnio tombado.
NĂșcleo 1
Os oito rĂ©us compĂ”em o chamado nĂșcleo crucial do golpe, o NĂșcleo 1, e tiveram a denĂșncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. SĂŁo eles:
- Jair Bolsonaro, ex-presidente da RepĂșblica;
- Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleiçÔes de 2022;
- Augusto Heleno, general de Exército, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da AgĂȘncia Brasileira de InteligĂȘncia (Abin);
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretårio de segurança do Distrito Federal;
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Paulo Sérgio Nogueira, general de Exército e ex-ministro da Defesa;
- Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.



