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Autoridades dos EUA se reuniram com representantes dos Houthis em Omã durante o fim de semana, segundo cinco fontes a par do assunto, dias depois do grupo apoiada pelo Irã no Iêmen ter tomado um trecho estratégico da costa do Mar Vermelho em uma ofensiva abrangente que derrotou forças apoiadas pela Arábia Saudita.
A reunião, que não foi divulgada publicamente, ocorreu na embaixada dos EUA em Mascate, disseram três das fontes sob condição de anonimato. Duas fontes afirmaram que o governo de Omã, um mediador regional de longa data, ajudou a organizar o encontro.
O governo Trump classificou os Houthis como “organização terrorista estrangeira” em março de 2025, criminalizando o apoio ao grupo. No entanto, Washington tem negociado com eles desde então, chegando a um cessar-fogo em maio do ano passado, após bombardear o grupo por dois meses para interromper uma campanha de ataques a navios no Mar Vermelho.
O presidente americano Donald Trump disse no sábado (12) que os Houthis haviam telefonado para seu governo pedindo que os Estados Unidos não se envolvessem na guerra do Iêmen. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou na segunda-feira (14) que os EUA estavam em contato direto com o grupo, sem fornecer detalhes.
Na reunião, que segundo uma fonte ocorreu no domingo (13), os Houthis disseram às autoridades dos EUA que não tinham intenção de atacar embarcações americanas e que estavam comprometidos com o cessar-fogo de 2025 com Washington, relataram duas fontes.
Uma das fontes, um iemenita, disse que a milícia também afirmou que não atacaria navios israelenses ou quaisquer embarcações comerciais, exceto aquelas pertencentes à Arábia Saudita.
Segundo duas das fontes, o lado americano foi representado por funcionários da embaixada.
Uma dessas fontes disse que a delegação Houthi incluía um alto funcionário baseado em Mascate que está sob sanções dos EUA: Mohammad Abdulsalam. Outra fonte confirmou a presença de Abdulsalam, bem como a de outro alto funcionário Houthi, Abdelmalik al-Ajiri.
Em resposta a perguntas, um porta-voz do Departamento de Estado disse: “Não temos comentários sobre essa reunião específica relatada”.
O porta-voz também afirmou que proteger a liberdade de navegação no Mar Vermelho e impedir a exportação de terrorismo do Oriente Médio são interesses fundamentais dos EUA.
A embaixada de Omã nos EUA e o alto funcionário Houthi Abdulsalam não responderam a pedidos de comentário.
Na semana passada, os Houthis assumiram o controle efetivo de toda a costa do Iêmen no Mar Vermelho, incluindo o histórico porto de Mocha e a ilha de Perim, situada no estreito de Bab el-Mandeb — ou “Portão das Lágrimas” — na entrada do mar.
Os Houthis, que tomaram a capital do Iêmen em 2014, combatem uma coalizão liderada pela Arábia Saudita há mais de uma década. O conflito havia esfriado devido a um cessar-fogo nos últimos anos, mas os combates foram retomados em julho, quando os Houthis declararam um bloqueio ao transporte marítimo saudita no Mar Vermelho, em resposta a um bloqueio saudita aos portos iemenitas.
O governante de fato da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, telefonou para Trump na semana passada em busca de apoio militar dos EUA, diante dos avanços expressivos dos Houthis.
A Reuters informou que Washington comunicou a Riad que não se envolveria diretamente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por lucasoliveira.
