A bolsa caiu pelo terceiro pregĂŁo seguido nesta terça-feira (19) e fechou no menor nĂvel desde janeiro, enquanto o dĂłlar voltou a subir acima de R$ 5 em meio ao aumento da aversĂŁo global ao risco, Ă alta dos juros nos Estados Unidos e Ă s incertezas polĂticas no Brasil.
O movimento acompanhou um cenário internacional mais cauteloso, marcado pelas tensões no Oriente Médio, pelos preços elevados do petróleo e pela percepção de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, poderá manter juros altos por mais tempo.
Bolsa em queda
NotĂcias relacionadas:Aneel aprova R$ 5,5 bi para reduzir conta de luz em 22 distribuidoras.Lula cria programa de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativos.O Ibovespa, principal Ăndice da B3, encerrou o pregĂŁo aos 174.279 pontos, com recuo de 1,52%. Com perdas prĂłximas de 7% em maio, o indicador chegou a operar abaixo dos 174 mil pontos durante a sessĂŁo e se distanciou ainda mais da marca simbĂłlica de 200 mil pontos, alcançada nas projeções mais otimistas do mercado em abril.
A queda foi puxada principalmente pelas ações do setor financeiro, que tĂŞm grande peso na composição do Ăndice. Mineradoras tambĂ©m pressionaram a bolsa, por causa da desvalorização do minĂ©rio de ferro no mercado internacional.
O mercado brasileiro tambĂ©m foi impactado pela saĂda de investidores estrangeiros da Bolsa. Dados da B3 mostram retirada lĂquida prĂłxima de R$ 9,6 bilhões em maio atĂ© a metade do mĂŞs.
AlĂ©m disso, investidores passaram a demonstrar maior cautela com o cenário polĂtico domĂ©stico apĂłs novas pesquisas eleitorais e a confirmação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi Ă casa do banqueiro Daniel Vorcaro.
DĂłlar sobe
A turbulência repetiu-se no mercado de câmbio. O dólar comercial voltou a superar a marca de R$ 5 e fechou em alta de cerca de 0,84%, aos R$ 5,041. Por volta das 12h15, a cotação aproximou-se de R$ 5,06. Apesar da alta recente, a moeda estadunidense acumula queda de 8,17% em 2026.
A valorização da moeda americana ocorreu em meio ao fortalecimento global do dĂłlar e ao aumento das taxas dos tĂtulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries.
Quando os juros americanos sobem, investidores tendem a retirar recursos de mercados considerados mais arriscados, como paĂses emergentes, e direcionar o dinheiro para ativos mais seguros nos Estados Unidos. Isso pressiona moedas como o real.
O avanço do dĂłlar tambĂ©m refletiu o temor de que a inflação global permaneça elevada por mais tempo devido aos preços do petrĂłleo e Ă s tensões geopolĂticas envolvendo Estados Unidos e IrĂŁ. O cenário polĂtico brasileiro ampliou a pressĂŁo sobre o câmbio.
PetrĂłleo elevado
Os preços do petrĂłleo fecharam em leve queda nesta terça-feira, mas permaneceram em nĂveis elevados.
O barril do petrĂłleo Brent, referĂŞncia internacional, caiu 0,73% e terminou o dia cotado a US$ 111,28. OÂ WTI, referĂŞncia nos Estados Unidos, recuou 0,22%, para US$ 104,15.
Mesmo com a queda moderada, o mercado continua atento às negociações entre Estados Unidos e Irã e aos riscos de interrupção no Estreito de Ormuz, região estratégica para o transporte global de petróleo.
Na segunda-feira (18), o presidente Donald Trump havia adiado uma ofensiva militar contra o Irã para abrir espaço para negociações diplomáticas. Nesta terça, porém, voltou a afirmar que uma nova ação militar poderá ocorrer caso não haja acordo.
* Com informações da Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil*


