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Brasil pode se tornar hub global de infraestrutura digital, diz FGV

Por CNN Brasil Fonte: rafaelapanessa 07/07/2026 às 09:32
Brasil pode se tornar hub global de infraestrutura digital, diz FGV

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O Brasil reúne condições para se tornar um dos principais polos globais de infraestrutura digital, mas entraves tributários, regulatórios e de acesso à rede elétrica limitam a competitividade do país, segundo estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Elaborado a pedido da Scala Data Centers e da Norgás, o levantamento aponta que a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de áreas, o tamanho do mercado interno e a posição geográfica colocam o Brasil em posição favorável para disputar projetos de data centers e infraestrutura voltada à inteligência artificial.

O potencial é dimensionado em um dos cenários projetados pela FGV, no qual a capacidade instalada de infraestrutura digital no país passaria de cerca de 1 GW para 13,7 GW até 2035. Nesse caso, a expansão poderia sustentar mais de 230 mil empregos permanentes.

Para acrescentar os 12,7 GW de capacidade previstos nesse cenário, seriam necessários investimentos entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões. Os valores incluem tanto a infraestrutura física dos empreendimentos quanto os equipamentos computacionais usados no processamento de dados e em aplicações de inteligência artificial.

A escala dos investimentos está relacionada ao elevado custo desses projetos. Segundo o estudo, um data center de 100 MW preparado para cargas de inteligência artificial pode envolver cerca de R$ 25 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5 bilhões são destinados à infraestrutura física e R$ 20 bilhões a servidores, GPUs e outros equipamentos computacionais.

É justamente sobre parte desses equipamentos que recai um dos principais obstáculos identificados pela FGV. O estudo aponta que a elevada carga tributária sobre tecnologias e serviços encarece os projetos e reduz a capacidade do Brasil de competir com outros polos internacionais.

Os desafios também se estendem ao setor elétrico. Embora a matriz renovável seja tratada como uma vantagem competitiva, a FGV avalia que o país precisa coordenar melhor a expansão da rede com o crescimento da demanda dos data centers e tornar o acesso ao sistema mais previsível para projetos de grande porte.

A fragmentação regulatória e a instabilidade dos incentivos fiscais também são apontadas como fontes de incerteza para os investidores.

Para enfrentar esses entraves, o estudo propõe políticas de estímulo à produção nacional de equipamentos, um regime jurídico estável para incentivos fiscais e o reconhecimento dos data centers como infraestrutura estratégica no setor elétrico.

A FGV também recomenda a criação de uma instância nacional de coordenação entre governos, órgãos reguladores e setor privado para reduzir sobreposições de competências e aumentar a previsibilidade dos projetos.

*Sob supervisão de Daniel Rittner 

TópicosCNN Brasil MoneyCNN InfraData CentersFGV (Fundação Getulio Vargas)


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por rafaelapanessa

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