A AgĂȘncia Nacional de Ăguas e Saneamento BĂĄsico (ANA), vinculada ao MinistĂ©rio da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), lançou nesta terça-feira (1Âș) a edição de 2024-2025 do RelatĂłrio de Segurança de Barragens (RSB). O documento, apresentado em uma transmissĂŁo pelas redes sociais, mapeou 241 barragens com prioridade da gestĂŁo de risco, jĂĄ que os responsĂĄveis por esses empreendimentos, segundo a anĂĄlise, nĂŁo cumpriram todos os requisitos de segurança exigidos na PolĂtica Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

“Em caso de acidente com essas estruturas, hĂĄ risco a pessoas ou a equipamentos importantes, que podem comprometer o fornecimento de serviços essenciais. Essas barragens que necessitam de maior atenção estĂŁo em 24 unidades da Federação e nĂŁo foi apresentado levantamento de barragens prioritĂĄrias na ParaĂba, ParanĂĄ e Roraima”, informou a ANA. A maior parte dessas barragens (96) prioritĂĄrias pertencem a empresas privadas, seguida de empreendedores pĂșblicos (39) e sociedades empresariais de economia mista (10). Outras 94 barragens nĂŁo possuem informação sobre os responsĂĄveis. As principais finalidades dessas barragens sĂŁo regularização de vazĂŁo (23,7%), disposição de rejeitos de mineração (21,2%), irrigação (16,6%), abastecimento humano de ĂĄgua (12,9%), aquicultura (7,1%), entre outros.
Ao todo, cerca de 28 mil barragens estĂŁo cadastradas no Sistema Nacional sobre Segurança de Barragens, sendo 97% para acumulação de ĂĄgua e uso preponderante para serviços de irrigação (36%). O nĂșmero representa um crescimento de 8,2% do total de cadastros de barragens em um ano. Desse total, 6.202 barragens (22%) foram enquadradas nas caracterĂsticas estabelecidas no Ăąmbito da PolĂtica Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).
As barragens que se enquadram na PNSB (Lei nÂș 12.334/2010), segundo a ANA, sĂŁo aquelas que possuem pelo menos uma das seguintes caracterĂsticas: capacidade total maior que 3 milhĂ”es de metros cĂșbicos, reservatĂłrio que contenha resĂduos perigosos, Dano Potencial Associado (DPA) mĂ©dio ou alto – que envolve riscos de perdas humanas – ou altura do maciço (parede) da barragem maior que 15 metros.
Mais da metade das barragens cadastradas (14.878) tem seu enquadramento Ă PNSB indefinido. Essa falta de informação, aponta o relatĂłrio, “dificulta a fiscalização pelo Poder PĂșblico sobre as exigĂȘncias quanto Ă gestĂŁo da segurança determinadas pela PolĂtica Nacional de Segurança de Barragens”. Outras 7.005 (25%) nĂŁo estĂŁo enquadradas na PNSB.
Acidentes e incidentes
De acordo com o relatĂłrio, foram reportados 24 acidentes e 45 incidentes com barragens no Brasil no ano passado, com registro de duas vĂtimas fatais e danos diversos, incluindo destruição de vias pĂșblicas, rompimento de pontes, danos a residĂȘncias, desaparecimento de animais, interdição de estradas e vias e danos ambientais.
Segundo a PNSB, acidentes se caracterizam pelo comprometimento da integridade estrutural da barragem, resultando em colapso total ou parcial da estrutura. JĂĄ os incidentes afetam o comportamento da barragem ou estruturas anexas, que podem vir a causar acidentes caso nĂŁo sejam sanados.
Entre as principais causas de danos Ă estrutura nos 24 acidentes, a maioria (16) estĂĄ ligada a eventos de cheia ou chuvas. Houve 21 rupturas de barragens no ano passado, sendo que em mais da metade das ocorrĂȘncias (13) eventos climĂĄticos extremos estiveram associados.
O Rio Grande do Sul, que viveu a pior tragédia climåtica da sua história com as enchentes de 2024, foi palco de ao menos 21 incidentes e 3 acidentes com barragens, segundo o relatório.
FiscalizaçÔes
Em 2024, ĂłrgĂŁos de fiscalização realizaram 2.859 diligĂȘncias de campo, nĂșmero 7% menor em relação ao registrado no relatĂłrio de 2023. JĂĄ o nĂșmero de fiscalizaçÔes documentais atingiu 3.162 procedimentos.
Uma das explicaçÔes para essa redução Ă© o nĂșmero insuficiente de profissionais que atuam no trabalho de fiscalização. Dos 33 ĂłrgĂŁos fiscalizadores federais, estaduais e municipais, hĂĄ 356 profissionais envolvidos, sendo que sendo 169 (48%) exclusivamente dedicados Ă segurança de barragens e outros 180 (52%) trabalhadores que dividem essa atuação com outras atividades.
“Em 28 dos 33 ĂłrgĂŁos fiscalizadores (85%), o trabalho na temĂĄtica de segurança de barragens Ă© realizado com equipes aquĂ©m do recomendado, tornado necessĂĄrio um incremento nesses quadros com profissionais especialmente com dedicação exclusiva”, diz o relatĂłrio.
Orçamento insuficiente
O relatĂłrio tambĂ©m aponta a inexistĂȘncia de uma rubrica especĂfica no orçamento fiscal da UniĂŁo e dos estados para a segurança de barragens. Essas açÔes de segurança estĂŁo incluĂdas em gastos relacionados Ă infraestrutura hĂdrica. Em 2024, os valores orçamentĂĄrios previstos e realizados em segurança de barragens foi de aproximadamente R$ 272 milhĂ”es, sendo 28% da esfera federal e 72% da esfera estadual, nĂșmeros superiores ao de 2023. PorĂ©m, o valor efetivamente pago no passado foi cerca R$ 141 milhĂ”es, apenas 52% do previsto, sendo 48% executado pelo governo federal e 52% executadas pelos estados.
“Os totais apresentados neste relatĂłrio sĂŁo apenas estimativas e um indicativo de tendĂȘncias, mas nĂŁo podem ser interpretados como valores absolutos investidos em segurança de barragens. Ressalta-se que nĂŁo existe, atĂ© o momento, discriminação do quantitativo de recursos destinados a fiscalizaçÔes, elaboração de Planos de Segurança de Barragens, capacitaçÔes, gestĂŁo, entre outros”, aponta o documento.
Publicado anualmente, o RSB apresenta um panorama da evolução da segurança das barragens brasileiras e da implementação PNSB, em vigor no paĂs desde 2010, para se estabelecer a governança da segurança dessas estruturas de contenção. O relatĂłrio aponta ainda as diretrizes para atuação de ĂłrgĂŁos fiscalizadores e empreendedores dessas barragens, alĂ©m de orientaçÔes para açÔes preventivas e corretivas dessas estruturas.Â


