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Começou, nesta segunda-feira (22), o júri popular dos policias militares acusados de participar da morte de Antônio Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital).
A sessão ocorre no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo e iniciou nesta manhã, às 10h. Segundo o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), o julgamento tem duração prevista de cinco dias.
Gritzbach foi assassinado com dez tiros em novembro de 2024, quando desembarcava no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues seriam os autores dos disparos, enquanto Fernando Genauro da Silva seria o motorista do veículo utilizado no crime.
Os réus são acusados de homicídio qualificado pela morte de Gritzbach e do motorista Celso Araujo Sampaio de Novais, além de duas tentativas de homicídio, uma vez que o atentado deixou outras pessoas feridas no dia do crime.
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Como será o julgamento
Nesta segunda-feira (22), serão ouvidas 21 testemunhas, sendo nove de acusação; uma em comum ao MP e ao réu Juan; duas de defesa de Juan e Denis; duas de defesa de Denis e outras cinco de defesa do réu Fernando.
O caso será julgado pelo Juiz Rodrigo Telline de Aguirre Camargo e pelo Conselho de Sentença composto por quatro homens e três mulheres. Os promotores de Justiça Rodrigo Merli Antunes e Vania Caceres Stefanoni representam a acusação.
Já a defesa é formada pelos advogados Renato Soares, Mauro Ribas, Nayara Gabriela Ramos Thibes, Taynara Sturaro, Cláudio Dalledone Júnior e Renan Pacheco Canto.
Tribunal do Júri
No Tribunal do Júri, a decisão sobre a condenação ou absolvição dos réus cabe ao Conselho de Sentença, formado por sete jurados escolhidos por sorteio. Após a composição do conselho, os jurados têm acesso às principais peças do processo para compreensão dos fatos e das provas apresentadas.
A decisão final será definida ao término do julgamento, previsto para ocorrer sexta-feira (26). Ao juiz compete apenas conduzir os trabalhos, elaborar a dosimetria da pena em caso de condenação e proferir a sentença.
A primeira fase do julgamento é dedicada à oitiva das testemunhas, que podem optar por depor na presença ou na ausência dos réus. Em seguida, serão interrogados os réus Fernando Genauro da Silva, Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues.
Após os depoimentos, tem início a etapa dos debates entre acusação e defesa. Inicialmente, a palavra é concedida ao Ministério Público. Nos casos com apenas um réu, segundo o TJSP, o tempo de sustentação é de uma hora e meia; quando há dois ou mais acusados, o prazo é ampliado para duas horas e meia.
Na sequência, os advogados possuem o mesmo período para apresentar seus argumentos. Havendo réplica do MP, aos promotores terão mais uma hora de manifestação nos processos com um único réu ou duas horas nos casos com múltiplos acusados. A defesa, por sua vez, terá igual tempo para a tréplica.
Encerrados os debates, os jurados se reúnem em sala secreta para votar os quesitos formulados e decidir pela condenação ou absolvição dos réus. Após a deliberação do Conselho de Sentença, o juiz elabora e faz a leitura da sentença.
Morte do delator
Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024, após um acordo de delação premiada com o Ministério Público, o qual fornecia informações de esquemas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e imóveis de integrantes da facção.
Ele também teria indicado policiais militares e civis suspeitos de extorquir criminosos. A motivação do crime, segundo a polícia, estaria ligada a vingança e disputas financeiras envolvendo lavagem de dinheiro e criptomoedas.
As investigações indicam que Emílio Carlos Gongorra, conhecido como “Cigarreira”, de 44 anos, teria ordenado o crime com o apoio de Diego Amaral, o “Didi”, e de um olheiro chamado “Kauê”.
Apontado por ligação com o Comando Vermelho, Cigarreira teria contratado os policiais por meio do olheiro. Dois deles atuaram como atiradores e o terceiro conduziu o veículo de fuga. A Polícia Civil afirmou que cruzamentos de dados e imagens confirmaram a presença dos executores no local do homicídio.
Os policiais militares Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues, foram identificados como os atiradores; e Fernando Genauro da Silva, foi denunciado como motorista do automóvel utilizado na execução de Gritzbach.
Ao todo, 18 PMs tornaram-se réus, sendo que 14 deles seguem presos no Presídio Militar Romão Gomes.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
TópicosGritzbachjulgamento
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Bruna Lopes



