13/09/2026

Claudio Castro acionou Mendonça antes de voto sobre soltura de Sérgio Cabral

Por InfoMoney

Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que Cláudio Castro (PL), então governador do Rio de Janeiro, procurou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2022, quando a Corte analisava um pedido relacionado à prisão do ex-governador Sérgio Cabral.

Segundo a corporação, na conversa de WhatsApp, Castro encaminhou ao ministro documentos referentes a pedidos de habeas corpus e alvará de soltura. Mendonça integrava a Segunda Turma, responsável pelo julgamento, e havia pedido vista do processo semanas antes.

Os diálogos foram coletados pela PF na Operação Sem Refino, que teve Castro como alvo. Mendonça não é investigado. As mensagens permanecem sob reserva, apesar de o ministro Alexandre de Moraes ter retirado o sigilo da operação.

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O contato ocorreu na noite de 11 de novembro de 2022. Às 19h37, Castro escreveu: “Amigo, preciso falar com urgência” e, em seguida, mencionou o “caso Cabral”. Depois, enviou dois arquivos relacionados ao processo.

Mendonça respondeu às 20h25 com a descrição de um processo da 13ª Vara Federal de Curitiba que havia determinado a prisão preventiva de Cabral no âmbito da Lava Jato. Na sequência, escreveu: “ligo em alguns minutos”.

Sete minutos depois, o ministro enviou a Castro um link do próprio STF para o habeas corpus apresentado pela defesa do ex-governador. As mensagens não esclarecem qual era o interesse de Castro no processo de Cabral.

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Mendonça votou pela soltura

Quando a conversa ocorreu, o processo já estava sob análise de Mendonça. Em 24 de outubro daquele ano, ele havia pedido vista após o relator, Edson Fachin, votar contra o recurso apresentado por Cabral.

O ministro devolveu o processo para julgamento em 28 de novembro, 17 dias depois das mensagens. Em 9 de dezembro, votou pela revogação da prisão preventiva.

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Mendonça argumentou que o período de detenção havia se prolongado excessivamente e caracterizava um “cumprimento antecipado de pena”.

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Mendonça e Castro negam relação de amizade

O gabinete de Mendonça afirmou que o ministro conheceu Castro institucionalmente durante o período em que comandou o Ministério da Justiça e negou que exista relação de amizade entre os dois.

Segundo a nota, o ministro não possui registro de conversa sobre o mérito do processo e magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros por diferentes meios.

“Tais manifestações não alteram o curso do exame dos processos, que se dá exclusivamente a partir do que consta dos autos. O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos”, afirmou o gabinete.

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Castro também disse que sua relação com Mendonça sempre foi institucional. Segundo ele, o contato sobre Cabral tratava da possibilidade de soltura do ex-governador “por sua relevância para o estado, assim como fazia com outras situações sensíveis de interesse público”.

O ex-governador afirmou “de forma categórica” que jamais fez pedido relacionado a processos judiciais a Mendonça ou a qualquer outro integrante do STF.

Sobre o tratamento usado na conversa, Castro declarou que palavras como “amigo”, “parceiro” e “irmão” são expressões comuns no ambiente político e não demonstram relação pessoal.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: InfoMoney por Marina Verenicz.

Conteúdo Original / Fonte: Marina Verenicz

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