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O Plano Safra 2026/27 incorporou quase R$ 40 bilhões em programas e linhas de crédito pouco tradicionais, cuja disponibilidade efetiva de recursos para os produtores rurais é muito incerta, segundo documento da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) distribuído às federações estaduais do setor e obtido pela CNN.
As maiores dúvidas estão relacionadas à inclusão do EcoInvest Brasil e do Move Agricultura na nova edição do Plano Safra.
O Ecoinvest Brasil prevê R$ 28,5 bilhões para o Programa Caminho Verde, voltado principalmente à recuperação de áreas degradadas.
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Mas, segundo a CNA, os recursos têm sido direcionados majoritariamente para agroindústrias e grandes projetos, em razão das elevadas exigências técnicas, como mensuração de emissões de carbono e comprovação de indicadores ambientais — sem chegar aos produtores rurais.
Outros R$ 10 bilhões estão na rubrica do Move Agricultura, financiado com recursos do
superávit do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). “O programa ainda depende de regulamentação e não integra o crédito rural tradicional”, diz a confederação no documento.
Anúncio do governo
O governo celebrou mais um volume recorde de recursos no Plano Safra, que somou R$ 516,2 bilhões na nova edição e teve um aumento nominal de R$ 8,9 bilhões sobre a edição anterior, mas a CNA enfatiza que “a comparação não é homogênea”.
“O anúncio trouxe poucas informações sobre a efetiva disponibilidade de recursos para os produtores rurais e incorporou instrumentos que tradicionalmente não integram o Plano Safra.”
A entidade aponta redução em pelo menos 12 programas, incluindo o Moderfrota, o Proirriga e o RenovAgro Ambiental — com quedas de, no mínimo, 14% no volume de recursos ofertados em cada um.
“Além disso, o governo manteve a metodologia adotada na safra anterior de incluir aproximadamente R$ 194 bilhões em operações de CPR financiadas com recursos
oriundos da exigibilidade das LCAs, sob o argumento de que também representam crédito disponibilizado ao setor”, acrescenta a confederação.
“Entretanto, tais operações decorrem de instrumentos privados de financiamento e não constituem recursos orçamentários do Plano Safra. Na safra anterior esse valor foi de R$ 185 bilhões, ou seja, mais uma tentativa de inflar os números para sinalizar que o valor anunciado é recorde”.
No documento, a CNA afirma que o indicador mais relevante para avaliar o alcance do Plano Safra é o volume de recursos equalizados, pois são esses financiamentos que oferecem taxas controladas aos produtores.
Na safra 2025/26 foram anunciados R$ 113,7 bilhões. Porém, menos de R$ 92 bilhões permaneceram disponíveis para a agricultura empresarial, em razão do
remanejamento de recursos para o Pronaf.
Para 2026/27 foram anunciados R$ 97 bilhões, montante considerado insuficiente diante da demanda do setor e que poderia ser superior, considerando a redução da taxa Selic em relação ao ano anterior.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por fernandapressinott


