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O papel estratégico dos minerais críticos nas cadeias de produção globais coloca o setor de mineração em evidência.
E é nesse momento que o CNN Talks, braço de eventos de debate da CNN Brasil, se propôs a discutir a “Nova Era da Mineração”.
O Brasil atrai os olhares de investidores e grandes empresas do setor de todo o mundo. Mas o potencial ainda precisa de elementos a seu favor para se converter em valor.
Desenvolvimento das cadeias produtivas, infraestrutura tecnológica, mão de obra e regulação jurídica são alguns dos fatores que desafiam o país na evolução do setor minerário.
“Um assunto fundamental para o desenvolvimento do Brasil e do mundo. […] E o mundo está de olho nisso. E qual é a missão do Brasil? É entender como vai fazer uma mineração, primeiro, cada vez mais responsável, segundo, que deixe um retorno social cada vez maior para as populações que são atingidas, e, terceiro, e o mais especial, como que vamos fazer uma mineração que permita ao Brasil crescer e ser sustentável a longo prazo”, ponderou o CEO da CNN Brasil, João Vitor Xavier.
A discussão gira em torno, sobretudo, de como o país pode agregar valor invés de exportar a commodity bruta.
“Um antigo político mineiro, o Magalhães Pinto, dizia que mineração só dá uma safra. Então, essa safra tem que ser bem utilizada. E o Brasil precisa pensar como é que ele vai ajudar o foguete da SpaceX ir para o espaço com a mineração, mas como é que isso vai deixar dinheiro de verdade aqui. Não dá para o Brasil continuar sendo um país que manda navios e navios de minério de ferro para o exterior e não beneficia isso aqui. Então, a gente precisa discutir como a mineração brasileira vai gerar riqueza, prosperidade de verdade a longo prazo no nosso país”, pontua Xavier.
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Assim, o CEO destaca que o papel da CNN Brasil é fomentar o debate para que “a gente tenha um país de fato próspero de verdade”.
Além das discussões, o evento contou com anúncios focados nesse desenvolvimento do setor.
Na abertura do CNN Talks, ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou um decreto para modernizar as regras de proteção de cavidades naturais subterrâneas existentes no Brasil, em uma tentativa de reduzir a insegurança jurídica em processos de licenciamento ambiental que envolvem mineração, energia e infraestrutura. Silveira disse que o decreto pode destravar de 30% a 35% do setor mineral ao atualizar critérios técnicos sensíveis.
No âmbito do poder público, também discutiu-se a criação de um novo conselho para coordenar a política nacional de minerais críticos e estratégicos.
Relator da proposta na Câmara, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) afirmou que o governo federal já trabalha na regulamentação do conselho, mesmo antes da conclusão da análise pelo Senado.
“Posso revelar que o governo está trabalhando nessa regulamentação. O fato de o projeto estar no Senado não significa que está parado. A regulamentação está caminhando e está sendo feita”, disse Jardim.
Do lado do setor privado, a principal demanda é por critérios objetivos. Presidente do conselho da AMC (Associação de Minerais Críticos), Marisa Cesar afirmou que a proposta ainda precisa deixar claro quais minerais serão tratados como críticos e quais tipos de projetos deverão passar pelo crivo do colegiado.
“Dentro da política, não está definido quais são os minerais críticos, e todos vão passar pelo crivo do conselho. Ao mesmo tempo, qual é o tipo de projeto que teremos para ser aprovado no conselho?”, questionou Marisa.
Outro tema central abordado foi a transição energética e a descarbonização do setor. Especialistas defenderam que o que prende o setor para trás não são iniciativas concretas, e sim uma narrativa vilanesca do setor no Brasil e no mundo.
José Carlos Martins, conselheiro da Cedro Mineração também argumentou que, no Brasil, a mineração carrega a pecha de não agregar valor.
“Essa incompreensão da mineração permeia todos os setores do Brasil. E o setor tem feito pouco para mudar isso”, disse.
Flora Bitancourt, CIO da World Climate Foundation, vê uma janela de oportunidade inédita para a mineração na agenda global de transição energética.
Para ela, “a agenda global está chamando o setor da mineração para atuar e fazer parte da transição verde”. Esse convite, contudo, tem pré-requisitos para andar às vias de fato.
Com um olhar crítico sobre o papel do setor em relação ao meio ambiente, painelistas retomaram a tragédia de 2015 da barragem do Fundão, em Mariana (MG), e discutiram como o setor evoluiu após o colapso da barragem de resíduos e os compromissos por uma mineração mais sustentável no futuro.
Quase 11 anos depois, “os desafios ainda persistem e são muitos”, segundo Elaine Costa Lima, promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Trabalho Rio Doce do MPES (Ministério Público do Espírito Santo).
Por parte da Samarco, uma das empresas responsáveis pelo caso, foi apresentado ao público “um processo de retomada, foi responsável”, afirmou o CEO Rodrigo Vilela.
Lima reforçou como a aproximação do poder público foi necessária: “Informações precisam ser compartilhadas. Fiscalização e compartilhamento de informações são essenciais para que se consiga uma prevenção e não ocorra novamente, ou estejamos preparados. Não existe reparação justa se não houver participação social efetiva”.
Enquanto, para Vilela, a mensagem que fica “tem de ser compromisso moral de fazer essa reconstrução”.
O CNN Talks: Nova Era da Mineração reuniu autoridades, empresários, especialistas e representantes do setor mineral para discutir os caminhos da mineração brasileira em uma nova fase de disputa global por minerais críticos, transição energética e segurança das cadeias de suprimento.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por joaonakamura

