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Confira carros que ficaram famosos no cinema e hoje valem fortuna

Por CNN Brasil Fonte: lucastmachado 27/06/2026 às 10:33
Confira carros que ficaram famosos no cinema e hoje valem fortuna

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Um carro aparece em um filme, faz uma cena, some dos créditos finais e, décadas depois, reaparece em um leilão, valendo dezenas de vezes o preço de mercado de um modelo idêntico sem essa história.

Esse fenômeno, que une cultura pop e mercado de colecionadores, tem ganhado força nos últimos anos: casas de leilão internacionais vêm registrando recordes sucessivos com veículos que carregam algum vínculo com o cinema, seja por terem sido dirigidos por um ator específico, seja por representarem um personagem icônico. O fio condutor por trás desses altos valores nem sempre é a raridade técnica do carro, mas a história que ele carrega.

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O Aston Martin que se tornou “o carro mais famoso do mundo”

Nenhum carro de cinema concentra tanto simbolismo quanto o Aston Martin DB5 ligado a James Bond. Em 2019, um exemplar usado nas produções da franquia 007 foi arrematado por cerca de US$ 6,4 milhões em um leilão da RM Sotheby’s em Monterey, na Califórnia, tornando-se valor recorde para o modelo e muito acima do que um DB5 de mesma especificação técnica, sem o vínculo com o agente secreto, costuma alcançar no mercado.

O carro chegou a ser apresentado durante a venda com as 13 modificações de cena originais ainda funcionais, incluindo metralhadoras retráteis e assento ejetável, itens que, evidentemente, nunca seriam encontrados em um DB5 de uso civil.

O interesse pelo modelo é tão consistente que, mesmo réplicas construídas especificamente para cenas de ação, têm alcançado valores expressivos. Em um leilão beneficente promovido pela Christie’s em 2022, para celebrar os 60 anos da franquia, uma das oito réplicas usadas nas acrobacias do filme mais recente da série foi vendida por quase £ 3 milhões — a despeito de ser, oficialmente, um item de colecionador sem aprovação para uso em vias públicas.

Velozes e Furiosos: quando a franquia virou fábrica de ícones

Poucas séries de filmes produziram tantos carros valorizados quanto “Velozes e Furiosos”. O caso mais simbólico é o do Nissan Skyline R34 GT-R conduzido por Paul Walker no quarto filme da franquia, arrematado por US$ 1,36 milhão em leilão, um valor que reflete tanto a escassez do modelo no mercado americano (o Skyline R34 nunca foi vendido oficialmente nos Estados Unidos) quanto a conexão emocional do público com o ator, morto em 2013.

Outro veículo da mesma saga, o Mitsubishi Lancer Evolution VII verde dirigido por Walker em “2 Fast 2 Furious”, foi a leilão pela Bonhams Cars no fim de 2025 com estimativa de alcançar US$ 535 mil.

O lote fazia parte de um conjunto de cerca de 50 veículos de cinema pertencentes ao acervo do extinto Pop Central Museum, na França, que reuniu também um Buick Grand National usado no quarto filme da franquia e itens de produções como “Jurassic Park”, “De Volta para o Futuro” e “Caça-Fantasmas”.

Quando a fama do filme não garante preço alto

Nem todo carro de cinema vira fortuna, e o exemplo mais conhecido dessa exceção é, paradoxalmente, um dos automóveis mais reconhecíveis da história do entretenimento.

O DeLorean DMC-12, eternizado por “De Volta para o Futuro”, costuma ser negociado no mercado americano por valores entre US$ 50 mil e US$ 65 mil em bom estado de conservação, uma fração do que peças com vínculo cinematográfico direto, como o DB5 ou o Skyline de Paul Walker, costumam alcançar.

A explicação está na própria natureza do modelo. Foram fabricadas cerca de 9 mil unidades do DeLorean entre 1981 e 1983, e a maior parte delas segue em circulação pelo mundo: a oferta relativamente alta de exemplares “comuns” limita a valorização de carros que não têm comprovação documental de terem sido usados nas filmagens originais.

Em outras palavras, fama de tela e raridade de mercado nem sempre andam juntas, o que ajuda a explicar por que um Aston Martin genuíno de set de filmagem vale dezenas de vezes mais do que um carro idêntico ao do filme, mas sem essa procedência certificada.

O Mustang perdido de Steve McQueen

Um dos casos mais emblemáticos de valorização por história envolve o Ford Mustang GT 1968 usado por Steve McQueen no filme policial “Bullitt”, de 1968. O carro, considerado desaparecido por décadas, foi localizado ainda nas mãos da mesma família que o adquiriu após as filmagens.

Na época da descoberta, a seguradora especializada em clássicos, Hagerty, estimou que o veículo, caso fosse a leilão, poderia alcançar cerca de US$ 4 milhões, patamar baseado em comparações com outros ícones do cinema, incluindo o próprio Aston Martin DB5 de Bond e o Batmóvel original da série de TV dos anos 1960, vendido anteriormente por cerca de US$ 4,6 milhões.

O “Mustang de Bullitt” se tornou tão influente na cultura automotiva que a Ford chegou a lançar, anos depois, uma edição especial do Mustang em homenagem direta ao modelo do filme, em um raro caso em que a indústria automotiva reage à valorização de mercado de um carro de cinema lançando uma versão de produção em série inspirada nele.

Le Mans, Porsche e o limite do que dinheiro compra

Nem todo carro de cinema valioso encontra comprador, mesmo a preços milionários. O Porsche 917K usado por Steve McQueen no filme “Le Mans”, de 1971, pertencente à coleção do comediante e colecionador Jerry Seinfeld, foi a leilão da Mecum Auctions no início de 2025 com lances que chegaram a US$ 25 milhões, e, ainda assim, não atingiu o valor de reserva estipulado pelo proprietário, estimado por fontes do setor em torno de US$ 30 milhões.

O carro deixou o leilão sem ser vendido, mas a disputa em si já reforça o quanto peças com dupla relevância — histórica, por ter corrido nas 24 Horas de Le Mans, e cinematográfica, por ter sido pilotada pelo próprio McQueen nas filmagens — escapam de qualquer tabela de preço convencional para automóveis clássicos.

O que explica essa valorização

Especialistas do mercado de leilões costumam apontar uma combinação de fatores por trás desses valores: a autenticidade do exemplar (ser efetivamente o carro usado nas filmagens, e não uma réplica ou um modelo de apoio), o estado de conservação, a relevância cultural do filme ou da franquia e — em boa parte dos casos mais valorizados — o vínculo direto com um ator específico, especialmente quando esse ator já não está mais vivo.

Esse último fator ajuda a explicar por que carros ligados a Paul Walker e Steve McQueen aparecem entre os exemplares mais disputados em leilões recentes: a escassez de novas aparições públicas desses atores transforma os objetos vinculados a eles em uma forma de memória tangível.

O resultado é um mercado que segue crescendo de forma constante. Casas como Bonhams, RM Sotheby’s, Mecum e Christie’s têm dedicado leilões inteiros, ou seções específicas dentro de grandes eventos, a veículos de cinema e televisão, em um sinal de que a demanda por esse tipo de peça deixou de ser nicho e passou a movimentar somas que rivalizam com os carros mais raros do mundo, ainda que muitos desses ícones de tela tenham nascido como modelos de produção relativamente comuns antes de ganhar as câmeras.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por lucastmachado

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